Pular para o conteúdo
VoltarCuriosidades

Trump pode sofrer novo impeachment? Entenda a divisão entre democratas

05/11/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 7 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A vitória dos democratas nas eleições legislativas americanas de terça-feira reacendeu uma pergunta que já havia marcado os dois primeiros mandatos de Donald Trump: será que o partido vai tentar abrir um terceiro processo de impeachment contra o presidente? Com mais força no Senado e caminho aberto para também controlar a Câmara dos Representantes, os democratas ganham poder para abrir investigações e convocar depoimentos. Mas isso não significa que exista consenso sobre avançar com uma tentativa de destituição.

Para quem acompanha política internacional de olho em seus negócios, especialmente empresas com operações, clientes ou fornecedores ligados aos Estados Unidos, entender esse cenário ajuda a dimensionar o nível de instabilidade institucional que pode (ou não) se materializar nos próximos meses. Até aqui, o movimento é mais de force política e investigação do que de um processo de impeachment propriamente dito.

O que muda com a vitória democrata

Ao conquistarem mais cadeiras no Senado e um resultado favorável na Câmara, os democratas passam a ter instrumentos legais para intimar pessoas, exigir documentos e abrir investigações formais sobre o governo Trump. Entre os temas que podem ser investigados estão as operações financeiras do presidente no mercado de ações e suas ligações com nomes como Jeffrey Epstein e Elon Musk. Isso não equivale, porém, a abrir um processo de impeachment: é uma etapa anterior, de apuração.

O impeachment em si segue um rito específico nos Estados Unidos. A proposta começa na Comissão de Justiça da Câmara, que pode investigar e decidir se envia o caso ao plenário. Se a maioria dos deputados aprovar, o processo segue para o Senado, onde é necessário o voto de dois terços dos senadores para que o presidente seja efetivamente destituído do cargo. É um número difícil de alcançar sem apoio de parte dos republicanos, o que explica por que as duas tentativas anteriores contra Trump terminaram em absolvição.

Quem é a favor e quem é contra

Dentro do próprio Partido Democrata, as opiniões estão divididas. Nomes como Kamala Harris, o senador eleito Sherrod Brown, o ex-prefeito Rahm Emanuel e a senadora Tammy Duckworth defendem publicamente que o partido não deveria insistir no impeachment, argumentando que faltam votos no Senado e que os recursos políticos seriam mais bem aproveitados em investigações e em pautas que beneficiem diretamente a população.

Do outro lado, parlamentares como Alexandria Ocasio-Cortez, Al Green, Steve Cohen e Ro Khanna já se posicionaram a favor de avançar com acusações formais, mencionando temas como abuso de poder e descumprimento de decisões judiciais. Uma tentativa de Al Green, inclusive, chegou a ser votada em setembro na Câmara, mas foi arquivada por 232 votos a 147. Já a liderança do partido, com Hakeem Jeffries à frente na Câmara, mantém um discurso de cautela, sem confirmar nem descartar a possibilidade.

Primeiro impeachment (2019)

  • Acusação: pressão sobre a Ucrânia para investigar Joe Biden
  • Aprovado na Câmara, principalmente por votos democratas
  • Absolvido no Senado

Segundo impeachment (2021)

  • Acusação: incitação à invasão do Capitólio
  • Aprovado com apoio de dez republicanos na Câmara
  • Absolvido no Senado, com sete republicanos votando pela condenação

Esse histórico ajuda a entender por que parte dos democratas vê um terceiro processo como um desgaste político sem garantia de resultado. Mesmo quando houve apoio bipartidário parcial, como em 2021, o número de votos ficou longe dos dois terços exigidos para a condenação no Senado. Há ainda quem avalie que investir energia em um novo impeachment poderia, paradoxalmente, fortalecer a imagem de Trump junto à sua base, especialmente de olho nas eleições presidenciais de 2028.

Por que isso importa para o seu negócio

Mesmo sendo uma disputa política interna dos Estados Unidos, o tema tem potencial de gerar instabilidade institucional, afetar o humor de mercados financeiros globais e influenciar decisões de investimento e comércio internacional. Empresas brasileiras com negócios atrelados ao mercado americano, seja por exportação, câmbio ou parcerias, tendem a ficar atentas a esse tipo de movimento, já que episódios de crise política nos EUA costumam repercutir em bolsas e na cotação do dólar.

Por ora, o cenário mais provável é de investigações e pressão política, sem um processo de impeachment formalmente encaminhado no curto prazo. Ainda assim, vale acompanhar os próximos passos do Congresso americano, já que qualquer mudança de postura das lideranças democratas pode alterar rapidamente esse quadro e seus possíveis reflexos econômicos.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.