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Influenciadora indígena transforma visibilidade digital em renda para sua aldeia

05/11/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 3 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Embora a GL Inteligência Contábil trate principalmente de temas tributários e de gestão, a trajetória de Maira Gomez, a Cunhaporanga, chama atenção por um motivo que interessa diretamente a quem empreende: ela transformou conteúdo digital em resultado econômico real para uma comunidade inteira. A história mostra, na prática, como presença online bem construída pode virar renda, infraestrutura e oportunidade, lições que valem tanto para uma aldeia no Amazonas quanto para qualquer pequeno negócio que depende da internet para crescer.

Maira, de 27 anos, nasceu às margens do Rio Negro, a 35 quilômetros de Manaus, e soma hoje mais de 6,5 milhões de seguidores no TikTok. Ela integra as etnias Tatuyo e Wanano e ficou conhecida nas redes como Cunhaporanga, que significa "moça bonita" em tupi. Antes da fama digital, sua comunidade enfrentava dificuldades básicas de acesso a água potável, obrigando os moradores a remar de canoa ou caminhar quilômetros dentro da mata. Hoje, graças à visibilidade conquistada por seus vídeos, a aldeia tem um poço artesiano e água encanada em todas as casas.

O que mudou na prática

O ponto de virada na carreira de Maira foi um vídeo em que ela aparece comendo mochiva, uma larva extraída da palmeira de bacabaçu, acompanhada de farinha. O conteúdo viralizou às vésperas da pandemia e gerou uma onda de comentários xenofóbicos. Em vez de recuar, ela decidiu usar a educação como resposta, explicando que o alimento é parte da herança ancestral de seu povo e está ligado a hábitos saudáveis. Essa escolha mudou o rumo do seu trabalho: o ódio inicial deu lugar à curiosidade, e ela passou a mostrar outros aspectos do cotidiano indígena, como artesanato, pinturas corporais, preparo de alimentos e expressões do próprio idioma.

Esse tipo de conteúdo atraiu turistas de diferentes regiões do Brasil até a aldeia, movimentando a economia local de forma direta. Cada família passou a vender seu próprio artesanato, e essa renda hoje ajuda a pagar materiais escolares, contas de luz e até a internet via satélite usada pela comunidade.

O impacto da visibilidade digital na aldeia
6,5 milhõesseguidores no TikTokAlcance que atraiu turismo e renda para a comunidade.
5 kmdistância percorrida antesTrajeto que os moradores faziam na mata em busca de água potável.
1 poço artesianoconquista diretaResultado da visibilidade gerada pelo conteúdo da influenciadora.

Quem é afetado por essa história

O caso de Maira interessa especialmente a pequenos empreendedores, artesãos e prestadores de serviço que dependem de visibilidade online para gerar vendas. A trajetória dela mostra que conteúdo autêntico, que conta uma história real e gera identificação, pode se transformar em movimento financeiro concreto, seja atraindo clientes, turistas ou parceiros comerciais. Para negócios familiares ou comunitários, a lição é que presença digital bem planejada não é só exposição: pode virar caixa, investimento em infraestrutura e abertura de novos mercados.

Maira também rompeu barreiras simbólicas importantes. Ela foi homenageada com uma boneca Barbie no aniversário de 65 anos da marca, representando as mulheres indígenas brasileiras, e hoje planeja cursar administração, marketing e artes cênicas. Esse movimento reforça um ponto central para qualquer gestor: investir em qualificação e profissionalização, mesmo vindo de um contexto totalmente diferente do mercado tradicional, amplia as possibilidades de crescimento e sustentabilidade do negócio.

Ela própria resume sua missão como uma combinação entre preservação cultural e responsabilidade ambiental, afirmando que a sobrevivência de seu povo está diretamente ligada à preservação da natureza. Essa visão de propósito, aliada a um modelo de negócio que gera renda real para uma comunidade inteira, é um exemplo prático de como a economia de criadores de conteúdo pode ir muito além dos likes e se traduzir em desenvolvimento local concreto.

Para empresários que acompanham tendências de mercado, a história de Maira Gomez serve como um lembrete valioso: contar a própria história com autenticidade, mesmo diante de resistência inicial, pode abrir portas inesperadas, movimentar economias locais e criar oportunidades de longo prazo que vão muito além do ambiente digital.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.