Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Você já deve ter visto a notícia de que o Dallas Cowboys se tornou o time mais valioso da NFL, agora avaliado em US$ 17 bilhões. Mas o dado mais interessante para quem observa negócios não é esse: é o fato de que dez dos 32 times da liga já valem mais de US$ 10 bilhões cada um, e que a venda do Seattle Seahawks, por US$ 9,6 bilhões, um valor recorde histórico para a compra de uma franquia, deixou o clube apenas na 14ª posição do ranking. Isso mostra o tamanho da valorização geral do setor, não só de alguns times isolados.
Por trás desses números está uma lição de gestão que vale para qualquer empresário: escassez, previsibilidade de receita e controle de custos geram valor. A NFL trabalha com apenas 32 franquias, sem planos de expansão, e boa parte dos donos mantém o controle das equipes há décadas. Isso cria um ambiente parecido com o de mercados fechados: pouca oferta, muita demanda, e o preço sobe.
O que mudou no valor dos times
O salto foi expressivo. A avaliação média de um time da NFL passou de US$ 7,1 bilhões, em 2025, para US$ 9,5 bilhões neste ano, um aumento de 34%, o segundo maior já registrado desde que esse tipo de levantamento começou a ser feito, em 1998. Para efeito de comparação, essa média mais do que dobrou desde 2022 e mais do que quadruplicou em relação a dez anos atrás.
Os Cowboys seguem na liderança há 20 anos seguidos, mas o que chama atenção é a lucratividade do negócio: mesmo sem vencer um Super Bowl desde 1996, o time gerou cerca de US$ 1,28 bilhão em receita na última temporada e um lucro operacional estimado em US$ 677 milhões, à frente de qualquer outro time esportivo do mundo em faturamento e em lucro. É um lembrete de que resultado esportivo e resultado financeiro nem sempre andam juntos.
Por que isso interessa a quem não trabalha com esporte
Mesmo que sua empresa não tenha nada a ver com futebol americano, o caso da NFL serve como estudo prático sobre como estruturar um negócio para blindar o lucro. Com o teto salarial fixado em US$ 301 milhões por time e cada franquia recebendo mais de US$ 400 milhões apenas com os direitos de transmissão nacional, todo time da liga já começa a temporada praticamente garantido no azul. É um modelo de negócio desenhado para reduzir risco e previsibilidade de caixa, algo que qualquer gestor busca, guardadas as proporções.
Outro ponto que chama atenção é o papel dos investidores institucionais. Desde que a NFL passou a permitir a entrada de fundos de private equity entre os donos de times, em 2024, negócios se multiplicaram: a gestora Arctos comprou fatias do Cleveland Browns e do Atlanta Falcons, e o Las Vegas Raiders teve participações minoritárias negociadas a valores que chegaram a US$ 11 bilhões. Isso mostra como capital profissional, quando enxerga um ativo com receita estável e barreira de entrada alta, paga cada vez mais caro para participar dele, mesmo sem controle total do negócio.
O que esperar daqui para frente
A tendência é de mais valorização, não menos. A NFL poderá renegociar seus contratos de TV, hoje já muito lucrativos, a partir de 2029 e 2030, com potencial de conseguir valores ainda maiores. Além disso, pelo menos um time vai inaugurar ou reformar significativamente seu estádio a cada ano até 2031, começando pelo Buffalo Bills nesta temporada, e historicamente isso puxa para cima receitas com ingressos, camarotes e patrocínio.
Para o empresário que acompanha esse tipo de notícia buscando referência de gestão, o recado prático é este: negócios com receita previsível, barreira de entrada limitada e disciplina de custos tendem a se valorizar de forma consistente, mesmo em ciclos de operação sem resultado imediato (como o jejum de títulos dos Cowboys). Vale observar esse tipo de modelo ao pensar em como estruturar contratos recorrentes, parcerias de longo prazo e controle de despesa fixa dentro da sua própria operação.
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