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24/07/2026 06:25· 4 min de leitura· Fiscal
Atualizado há 2 horas

Stablecoins já respondem por cerca de 80% do volume declarado de criptoativos no Brasil

Stablecoins já respondem por cerca de 80% do volume declarado de criptoativos no Brasil
Fonte: Receita Federal · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se a sua empresa movimenta criptoativos, ou pretende começar a fazer isso, um dado precisa entrar no seu radar: as stablecoins, moedas digitais atreladas a referências como o dólar ou o real, já respondem por cerca de 80% de todo o volume declarado nesse mercado no Brasil. Entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, o total movimentado em compra e venda de criptoativos somou aproximadamente R$ 1,58 trilhão, e R$ 1,13 trilhão desse montante, ou 71,7% do período todo, veio de stablecoins. Esse domínio se intensificou nos últimos anos e muda a forma como o Fisco passa a enxergar esse mercado.

O que muda

A partir de julho de 2026, as operações com criptoativos passam a ser informadas à Receita Federal segundo as regras da DeCripto, instituída pela Instrução Normativa RFB nº 2.291, de 14 de novembro de 2025. Essa nova sistemática alinha o Brasil ao padrão internacional da OCDE, conhecido como Crypto-Asset Reporting Framework (CARF), reforçando o cruzamento de informações entre países sobre movimentações desse tipo de ativo. Na prática, isso significa mais rastreabilidade sobre quem compra, vende e transaciona criptomoedas, inclusive stablecoins, e menos espaço para operações que hoje passam despercebidas do fisco.

O crescimento das stablecoins ajuda a explicar por que esse tema ganhou prioridade. Até 2019, elas representavam uma fatia marginal do mercado, com participação de apenas 3,5% do volume mensal declarado. A partir de 2020, essa presença disparou: chegou a 79,7% em 2022 e alcançou 91,5% em 2023, com pico de 94,3% em julho daquele ano. Em 2024 e 2025, com a valorização de outras criptomoedas, a participação das stablecoins se estabilizou entre 76% e 80%, mas segue amplamente majoritária. Em novembro de 2025, o volume mensal negociado bateu R$ 39,7 bilhões.

Dentro desse universo, uma moeda específica concentra quase todo o movimento: a Tether (USDT), atrelada ao dólar, responde por 88,7% de tudo que foi declarado em stablecoins no período, o equivalente a cerca de R$ 1,0 trilhão. A USD Coin (USDC) aparece em seguida, com 7,1%, e a Brazilian Digital Token (BRZ), principal stablecoin lastreada em real do levantamento, fica com 3,4%. Ou seja, quem opera com stablecoins no Brasil está, na prática, majoritariamente lidando com ativos atrelados ao dólar.

IndicadorValor
Volume total declarado em criptoativos (ago/2019 a dez/2025)R$ 1,58 trilhão
Volume declarado em stablecoins no mesmo períodoR$ 1,13 trilhão (71,7%)
Participação das stablecoins no volume mensal em 2025cerca de 80%
Pico mensal de volume em stablecoinsR$ 39,7 bilhões (nov/2025)
Participação da USDT no total de stablecoins88,7%

Quem é afetado

A obrigação de declarar não recai só sobre quem opera no Brasil por meio de corretoras locais. A DeCripto também exige que prestadoras de serviços de criptoativos sediadas no exterior, mas que direcionam suas atividades ao mercado brasileiro, informem essas transações à Receita Federal. Isso é relevante porque parte expressiva do volume em stablecoins passa justamente por plataformas estrangeiras. A base legal para essa exigência está no artigo 44 da Lei nº 14.754/2023, que determina que empresas operando com criptoativos no país, independentemente de onde estejam domiciliadas, devem prestar informações sobre suas atividades e seus clientes ao Fisco. O artigo 113, parágrafo 2º, do Código Tributário Nacional também sustenta essa obrigação, que existe de forma autônoma: mesmo que não haja tributo devido pela empresa declarante, o dever de informar permanece.

O número de operações reforça a dimensão do fenômeno. Foram declaradas 185,7 milhões de transações de compra e venda de stablecoins no período analisado, um salto em relação a praticamente zero em 2019. O ritmo se acelerou principalmente a partir de 2024, com recorde de 18,2 milhões de operações só em novembro daquele ano, mês em que todo o mercado de criptoativos declarado somou 31,9 milhões de transações. Para o empresário que usa stablecoins como forma de proteção cambial, pagamento internacional ou reserva de valor, esses números indicam que ele está longe de ser exceção: faz parte de um movimento já consolidado e cada vez mais monitorado.

Como se preparar

Diante desse cenário, o primeiro passo é organizar o histórico de operações com criptoativos, inclusive as feitas por meio de plataformas estrangeiras, já que essas prestadoras também passarão a reportar dados ao Fisco brasileiro. Empresas que usam stablecoins em suas operações financeiras, seja para pagamentos, câmbio ou tesouraria, devem revisar seus controles internos e garantir que os registros contábeis reflitam corretamente essas movimentações. Vale também acompanhar como a DeCripto vai impactar prazos e formatos de declaração a partir de julho de 2026, para evitar inconsistências entre o que sua empresa declara e o que a prestadora de serviços reporta de forma independente à Receita Federal.

Se você já opera ou pretende operar com criptoativos, principalmente stablecoins, o momento é de reforçar a organização documental e buscar orientação especializada antes que as novas regras entrem em vigor. A GL Inteligência Contábil pode ajudar sua empresa a mapear essas operações, ajustar processos internos e se preparar com segurança para o novo padrão de fiscalização que está a caminho.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.

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