Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
A sonegação fiscal praticada pelas empresas brasileiras recuou para 9,9% da arrecadação em 2025, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). O número confirma uma tendência de queda que já dura duas décadas e mostra que os mecanismos de controle do Fisco estão cada vez mais eficazes. Para quem administra uma empresa, isso significa um recado claro: o espaço para erros e inconsistências no cumprimento das obrigações fiscais está cada vez menor, e a fiscalização está mais rápida em identificar problemas.
O estudo faz parte de uma série histórica do IBPT, que já analisou períodos anteriores, como 2006 a 2008, 2015 a 2017, 2018 e 2019, 2019 e 2020, e 2020 e 2021, usados como base de comparação para o resultado atual. Mesmo com a evasão fiscal ainda representando perdas relevantes para os cofres públicos, o instituto destaca que o cenário mostra uma evolução consistente no comportamento das empresas em relação às suas obrigações tributárias.
O que explica a queda
De acordo com o IBPT, o principal motor dessa redução é o avanço tecnológico da administração tributária. A ampliação do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), a emissão obrigatória de documentos fiscais eletrônicos, o cruzamento automatizado de dados e o uso crescente de inteligência fiscal pelos órgãos de arrecadação deram ao Fisco uma capacidade muito maior de detectar inconsistências. Na prática, isso quer dizer que qualquer divergência entre notas emitidas, escrituração contábil e declarações fiscais tem chance real de ser identificada quase em tempo real.
Essa digitalização também trouxe um efeito colateral positivo para o ambiente de negócios: empresas que pagam corretamente seus tributos deixam de disputar mercado com concorrentes que ganhavam vantagem artificial ao sonegar. Com menos espaço para práticas irregulares, a concorrência tende a ficar mais equilibrada, o que favorece quem investe em compliance tributário e prejudica quem ainda aposta em atalhos fiscais.
Erros ainda pesam mais que fraude
Apesar da melhora nos indicadores, o IBPT chama atenção para um ponto importante: boa parte das autuações fiscais não decorre de fraude intencional, mas de erros operacionais, interpretações divergentes da legislação e dificuldades no cumprimento de obrigações acessórias. Isso reforça que a complexidade do sistema tributário brasileiro continua sendo um obstáculo real para as empresas, mesmo para aquelas que têm a intenção de cumprir corretamente suas obrigações.
Para o gestor, essa informação tem um efeito prático direto: investir em gestão tributária qualificada, capacitação da equipe interna e atualização constante frente às mudanças na legislação deixou de ser opcional. O risco de autuação hoje está menos ligado à má-fé e mais à falta de estrutura adequada para acompanhar as exigências fiscais em constante mudança.
O papel da Reforma Tributária
O levantamento do IBPT também aponta que a modernização do sistema tributário brasileiro, especialmente com a implementação gradual da Reforma Tributária sobre o consumo, pode ajudar a manter essa trajetória de queda da sonegação. A expectativa é que a simplificação das obrigações fiscais e a maior integração dos sistemas eletrônicos reduzam ainda mais as oportunidades de evasão, ao mesmo tempo em que tornam o cumprimento das regras mais simples para quem já está em conformidade.
Isso significa que empresas e escritórios de contabilidade precisarão acompanhar de perto as mudanças nos processos fiscais decorrentes da reforma e adaptar seus sistemas às novas exigências. Quem se anticipar a essas mudanças tende a enfrentar uma transição mais tranquila e a se beneficiar do ambiente de maior transparência que a modernização promete trazer.
Na prática, o recado do IBPT para o empresário é direto: a era da fiscalização manual e pouco integrada já ficou no passado. Com tecnologia cada vez mais presente no controle fiscal, o caminho mais seguro para o seu negócio é reforçar a organização tributária, contar com suporte contábil qualificado e se manter atualizado sobre as mudanças que a Reforma Tributária vai trazer nos próximos anos.
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