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Sobretaxa dos EUA: exportador brasileiro sente queda e busca outros mercados

22/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se sua empresa exporta para os Estados Unidos, os números recentes merecem atenção: entre janeiro e agosto de 2026, as vendas brasileiras ao mercado americano caíram 9,7%, resultando em um déficit de US$ 3,2 bilhões na balança comercial entre os dois países. O principal motivo foram as sobretaxas de 25% a 37,5% aplicadas pelo governo Trump em julho, que atingiram diretamente setores como a indústria extrativa, a agropecuária e a indústria de transformação. Apesar do cenário negativo no acumulado, agosto isolado trouxe um respiro, com alta de 12,1% no valor exportado.

O que está por trás da queda

As sobretaxas aplicadas pelos EUA afetaram de forma desigual os setores da economia brasileira. A indústria extrativa teve queda de 28,9% nas exportações para os americanos, a agropecuária recuou 26,7% e a indústria de transformação caiu 4,9% no período. Mesmo os produtos que não foram alvo direto das sobretaxas registraram retração de 8,3%, o que mostra que o impacto foi além da tarifa em si. Segundo Gesner Oliveira, economista e sócio da consultoria GO Associados, a combinação de fatores como incerteza na política comercial americana, condições específicas de mercado e comportamento da demanda ajuda a explicar esse efeito mais amplo.

Um ponto que chama atenção é a diferença entre o valor exportado e o volume físico das mercadorias. Enquanto o valor em dólares cresceu em agosto, o volume físico caiu 17,3%. Isso significa que os exportadores brasileiros aumentaram os preços para absorver o custo das sobretaxas, sem repassar integralmente a perda de competitividade. Esse aumento de preço funcionou como um amortecedor, mas não eliminou a queda real nas exportações. Se o preço médio recuar no futuro sem que o volume se recupere, o resultado pode ser ainda mais receita perdida para os exportadores brasileiros.

Vale destacar que nem toda a indústria de transformação, que representa 83,3% das exportações brasileiras aos EUA, está em crise. Enquanto as vendas desse setor para os americanos caíram 4,9%, as exportações da mesma indústria para outros mercados cresceram 6,6% no período. Isso indica que o problema está concentrado na relação com os Estados Unidos, e não na competitividade geral da indústria brasileira.

Quem conseguiu se adaptar

Alguns setores mostraram que é possível contornar o cenário adverso. As exportações de carne bovina in natura para os EUA cresceram 28,4% em quantidade na comparação com agosto de 2025, beneficiadas pela baixa oferta de gado nos Estados Unidos, que enfrenta o menor rebanho bovino em 75 anos por causa de secas e custos de produção elevados. Já o setor aeronáutico, que ficou de fora das sobretaxas, cresceu 18,2% em valor faturado, somando mais de US$ 1,8 bilhão no acumulado de 2026, segundo dados da Embraer. Além disso, o custo de seguros e fretes também subiu, pressionado pela incerteza da política comercial americana, o que ajuda a explicar parte do reajuste nos preços finais.

O tamanho do desafio e da resposta
US$ 3,2 bidéficit bilateralSaldo negativo entre Brasil e EUA no acumulado do ano.
US$ 19,3 biganho em outros mercadosCrescimento das exportações para 17 outros destinos, quase 7,5 vezes a perda com os EUA.
US$ 58,2 bivendas para a ChinaResultado do semestre com o principal parceiro comercial do Brasil.

Enquanto as vendas para os EUA caíram, as exportações brasileiras para outros 17 destinos cresceram e somaram US$ 19,3 bilhões, quase 7,5 vezes o tamanho da perda registrada com o mercado americano. A China, principal parceiro comercial do Brasil, sozinha rendeu cerca de US$ 58,2 bilhões em vendas no semestre. Isso mostra que a queda nas exportações para os Estados Unidos não reflete uma perda geral de competitividade da indústria brasileira, mas sim um problema concentrado em um mercado específico.

O que isso significa para o seu negócio

Para Oliveira, os efeitos desse tipo de choque tarifário tendem a chegar à economia real primeiro pela menor utilização da capacidade produtiva das empresas. Se a situação persistir, isso pode afetar decisões de investimento e, mais adiante, o emprego. Por isso, o economista defende que o exportador brasileiro não deve abandonar o mercado americano, historicamente relevante para o país, mas precisa avaliar com cuidado a rentabilidade líquida depois das tarifas, os custos logísticos, a demanda pelo produto e o esforço necessário para conquistar novos mercados.

Na prática, isso significa que empresas exportadoras devem revisar sua dependência de um único destino comercial. A experiência recente mostra que quem diversificou suas vendas conseguiu não apenas compensar as perdas com os EUA, como também crescer em outros mercados. Se sua empresa exporta ou pretende exportar, o momento pede planejamento: avaliar custos reais de vender para os americanos, mapear alternativas de mercado e não apostar todas as fichas em um só comprador internacional.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.