SLC Agrícola: lucro salta 75% no 2º trimestre, o que explica o resultado
12/08/2026 20:134 min de leituraAtualizado há 21 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A SLC Agrícola divulgou nesta quarta-feira, 12 de agosto, um balanço que mostra crescimento em praticamente todas as frentes do negócio. A receita líquida do segundo trimestre de 2026 chegou a R$ 2,2 bilhões, 16,8% maior do que no mesmo período do ano passado e o melhor resultado já registrado pela empresa para um segundo trimestre. O lucro líquido avançou ainda mais forte: R$ 245,1 milhões, alta de 75,3% em um ano.
Para quem acompanha o agronegócio ou depende dele em algum ponto da cadeia, fornecedores, prestadores de serviço, empresas de logística, o resultado da SLC funciona como termômetro. A companhia é uma das maiores produtoras de grãos e algodão do país, com 26 unidades espalhadas por oito estados, concentradas no Cerrado, e área plantada prevista de 830,3 mil hectares na safra 2025/26.
O que impulsionou o resultado
O resultado bruto do trimestre somou R$ 941,2 milhões, 43,5% acima do mesmo período de 2025. Segundo a empresa, parte desse ganho veio de um acréscimo de R$ 111,3 milhões no resultado bruto das culturas. O EBITDA ajustado do trimestre foi de R$ 580,6 milhões, com margem de 26,7%, e no acumulado do primeiro semestre chegou a R$ 1,3 bilhão, avanço de 4,3%.
O volume comercializado também cresceu: 806,1 mil toneladas de produtos agrícolas foram faturadas no trimestre, 14,4% mais do que um ano antes e o maior número já registrado para o período. Desse total, 568,3 mil toneladas foram de soja, 93,1 mil toneladas de algodão em pluma e 103,5 mil toneladas de milho, este último com salto de 69,5%. Na pecuária, atividade que integra lavoura e criação de gado, a comercialização de cabeças de bovinos cresceu 52,3%.
| Indicador | 2º trimestre 2026 | Variação anual |
|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 2,2 bilhões | +16,8% |
| Lucro líquido | R$ 245,1 milhões | +75,3% |
| Resultado bruto | R$ 941,2 milhões | +43,5% |
| EBITDA ajustado | R$ 580,6 milhões | margem de 26,7% |
| Volume faturado | 806,1 mil toneladas | +14,4% |
Como foi a safra no campo
A colheita da soja já está encerrada e trouxe boas notícias: produtividade média de 4.146 quilos por hectare, 4,7% acima da safra anterior e 2,7% maior do que a própria empresa havia projetado. De acordo com a SLC, esse desempenho ficou 11,7% acima da média nacional apontada pela Conab em julho. A cultura ocupou 424,6 mil hectares, mais da metade da área total plantada, e gerou resultado bruto de R$ 301,3 milhões no trimestre.
O algodão, que ainda estava sendo colhido na data do balanço, também mostra sinais positivos. A projeção para a primeira safra é de 2.220 quilos de pluma por hectare, 20,6% acima do ciclo anterior. Para a segunda safra, a estimativa é de 2.072 quilos por hectare. Até a divulgação dos resultados, a empresa havia colhido 100% da soja, 90,6% do milho de segunda safra e 61,2% do algodão, o que significa que ainda há bastante produção para faturar nos próximos meses, principalmente de algodão e milho.
O milho chamou atenção por outro motivo: a receita da cultura cresceu 56,6%, para R$ 77,7 milhões, mas o resultado bruto avançou só 5,7%. Essa diferença mostra que vender mais não significa necessariamente lucrar na mesma proporção, um alerta útil para qualquer gestor que acompanha margens além do faturamento bruto.
Investimentos e o que vem a seguir
A empresa também está de olho no futuro. Aplicou R$ 81,7 milhões em projetos de irrigação no trimestre e R$ 155 milhões no semestre, com a Fazenda Piratini recebendo a maior parte dos recursos para pivôs, poços e infraestrutura elétrica e hidráulica. Paralelamente, já garantiu boa parte dos insumos para a safra 2026/27: 100% dos fosfatados, 90% do cloreto de potássio, 96% dos defensivos e 70% dos nitrogenados já estavam comprados até o fechamento do trimestre.
Essa antecipação de compras é uma estratégia de gestão de custos que outras empresas do setor também costumam adotar para se proteger de variações de preço e câmbio. Para a SLC, a expectativa é que as entregas de algodão e milho ainda pendentes ajudem a reduzir o endividamento da companhia ao longo do segundo semestre, enquanto a compra antecipada de insumos já desloca parte do planejamento para o próximo ciclo produtivo.
Em resumo, o balanço mostra uma empresa crescendo em escala e mantendo disciplina financeira, características que costumam ser valorizadas por quem observa o setor do agronegócio para tomar decisões de negócio, seja como fornecedor, parceiro comercial ou investidor.
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