Setor sucroalcooleiro: por que a produção de açúcar cai mesmo com mais cana moída
03/09/2026 17:003 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você trabalha com insumos agrícolas, logística, distribuição de combustíveis ou qualquer negócio ligado à cadeia da cana-de-açúcar, vale ficar de olho em um movimento que já dura meses: as usinas do centro-sul do país estão colhendo mais cana, mas produzindo menos açúcar. O motivo é simples e direto ao bolso: o etanol está pagando mais, e as usinas seguem o dinheiro.
Segundo dados do Ministério da Agricultura divulgados nesta quinta-feira, a moagem de cana-de-açúcar na região centro-sul cresceu 2% na primeira quinzena de agosto de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, chegando a 48,39 milhões de toneladas. Ainda assim, a produção de açúcar recuou 7,9% na mesma comparação, para 3,31 milhões de toneladas. Ou seja: mais matéria-prima disponível, mas uma fatia menor dela virou açúcar.
O que está por trás dessa mudança
A explicação está na produção de etanol, que cresceu 6% no período, alcançando 2,34 bilhões de litros. Esse avanço tem dois motores: as usinas estão direcionando mais cana para fabricar o biocombustível, e a produção de etanol de milho também está em expansão. Na prática, quando o etanol se torna mais rentável que o açúcar, as usinas ajustam sua produção para aproveitar a melhor margem, mesmo que isso signifique produzir menos adoçante.
Esse comportamento não é um evento isolado de quinzena. Olhando para o acumulado da safra 2026/27, que vai até 15 de agosto, o quadro se confirma e se intensifica. A moagem total de cana chegou a 361,60 milhões de toneladas, um aumento de 2% sobre o mesmo período da safra anterior. Já a produção de açúcar acumulada caiu 11,7%, somando 20,23 milhões de toneladas. O motivo apontado é o mesmo: preços do etanol mais remuneradores do que os do açúcar durante boa parte da safra.
Impacto para quem depende do etanol e do açúcar
Do lado do etanol, o cenário é de forte expansão. A produção acumulada do biocombustível na safra cresceu 14,7%, totalizando 18,68 bilhões de litros. Esse ritmo mais forte se refletiu também nos estoques: em 15 de agosto de 2026, o volume disponível de etanol no centro-sul somava 6,45 bilhões de litros, alta de 22,9% frente ao mesmo dia do ano anterior. Estoques maiores tendem a dar mais previsibilidade de abastecimento para quem compra o combustível, seja para revenda, frota própria ou uso industrial.
Para negócios que dependem do açúcar como insumo, como indústrias de alimentos, bebidas e panificação, o recuo na produção é um sinal de atenção. Menos oferta disponível, em um cenário de demanda estável ou crescente, tende a pressionar os preços do produto ao longo da cadeia. Já para quem atua na distribuição ou revenda de combustíveis, o crescimento da produção e dos estoques de etanol pode significar maior disponibilidade e, eventualmente, mais competitividade de preço frente à gasolina.
Como se preparar
Se o seu negócio compra açúcar como matéria-prima, é hora de revisar contratos, negociar prazos mais longos com fornecedores e monitorar de perto as próximas divulgações do Ministério da Agricultura para antecipar movimentos de preço. Já quem atua no segmento de etanol pode aproveitar o momento de estoques mais robustos para negociar condições de compra mais vantajosas ou planejar expansão de operações que dependem do biocombustível.
De forma geral, o recado da safra 2026/27 até agora é claro: a escolha das usinas entre produzir açúcar ou etanol segue ditada pela rentabilidade de cada produto, e essa decisão tem efeito direto sobre a oferta e os preços que chegam até o seu negócio. Acompanhar esses indicadores regularmente ajuda a antecipar custos e ajustar o planejamento financeiro da empresa com mais segurança.
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