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Selic em 13,75%: por que o Copom parou e o que define o próximo corte

05/11/2026 16:164 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Depois de cinco reduções seguidas desde março, o Banco Central decidiu parar e manter a Selic em 13,75%. Para quem administra uma empresa, isso quer dizer que o crédito continua caro e deve seguir assim por mais tempo do que muita gente esperava. A pausa não é um detalhe técnico: ela mostra que o Banco Central está mais preocupado em segurar a inflação do que em aliviar o custo do dinheiro agora, mesmo com a atividade econômica dando sinais de desaceleração.

Por que a Selic ficou parada

O principal motivo é a combinação de dólar em alta, inflação acima do teto da meta (4,5%) e um cenário eleitoral que mexeu com as expectativas do mercado. O dólar subiu quase 10% em duas semanas antes da decisão, e isso encarece tudo que o Brasil importa ou que segue preço internacional, do trigo ao combustível. Como reflexo disso, as projeções de inflação para os próximos anos pioraram: o mercado financeiro elevou a estimativa do dólar para o fim de 2026, e o próprio Banco Central aumentou sua previsão de inflação para 2027.

Na prática, o comunicado do Copom deixou claro que o juro atual já é suficiente para conter a economia, que não há sinal de alta à vista, mas também não há pressa para voltar a cortar. Isso significa que a expectativa de mercado de uma Selic em 13,50% até o fim do ano ficou mais distante, e é possível que a taxa termine 2026 no mesmo patamar de hoje.

O papel do risco fiscal e do câmbio

Uma parte importante da explicação está na diferença entre os juros brasileiros e os americanos. Enquanto o Federal Reserve mantém a taxa de juros dos Estados Unidos entre 3,75% e 4%, a Selic brasileira está em 13,75%. Essa diferença não serve só para compensar a inflação mais alta por aqui: parte dela é o "prêmio de risco" que o investidor cobra para manter dinheiro aplicado no Brasil em vez de levá-lo para fora. Se o Banco Central reduz os juros de forma forçada enquanto a percepção de risco fiscal piora, o investidor pode concluir que não está sendo bem remunerado, tirar o dinheiro do país e pressionar ainda mais o dólar e a inflação.

Por isso, o discurso do governo sobre disciplina fiscal pesa tanto quanto qualquer corte de gastos de fato. A expectativa do mercado em relação às próximas falas e decisões do governo, incluindo eventuais mudanças na equipe econômica, pode influenciar o prêmio de risco antes mesmo de qualquer medida concreta ser tomada.

Do lado externo, houve um alívio pontual: resultados eleitorais nos Estados Unidos foram interpretados pelo mercado como um passo em direção ao fim de conflitos que vinham pressionando o preço do petróleo. Com isso, o petróleo caiu e o dólar recuou no mesmo dia. Mas o Banco Central tratou esse movimento como uma possibilidade, não como um cenário garantido, o que reforça a cautela em relação a qualquer corte futuro de juros.

Panorama da decisão
13,75%Selic atualMantida após cinco cortes seguidos desde março.
+10%alta do dólarVariação em duas semanas antes da decisão.
8-9 dezpróxima reuniãoData em que o Copom volta a decidir sobre a Selic.

O que isso significa para o seu negócio

Com a Selic parada em um patamar elevado, o crédito empresarial continua caro, seja para capital de giro, financiamento de equipamentos ou expansão. Se você planejava tomar empréstimos esperando uma queda rápida nos juros, vale reconsiderar o momento: o cenário atual sugere que isso não deve acontecer tão cedo. Da mesma forma, se sua empresa mantém reservas aplicadas, os investimentos atrelados à Selic e ao CDI continuam rendendo bem, o que pode ser uma vantagem para quem tem caixa disponível.

Para quem pensa em investir os recursos da empresa, o cenário pede cautela e paciência. Aplicações pós-fixadas seguem como opção segura para reservas de curto prazo. Já opções como títulos prefixados ou atrelados à inflação só fazem sentido para quem pode manter o dinheiro aplicado até o vencimento, já que os preços oscilam bastante conforme mudam as notícias sobre a situação fiscal do país.

Nas próximas semanas, vale acompanhar dois sinais: o comportamento do dólar e do petróleo, que mostram se o alívio externo vai se sustentar, e os discursos e decisões do governo sobre gastos públicos, que indicam se o risco fiscal brasileiro vai diminuir. A combinação desses dois fatores é o que vai determinar se e quando o Banco Central retoma os cortes de juros, com reflexo direto no custo do crédito para sua empresa e no rendimento das suas aplicações.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.