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Selic a 13,75%: entenda o que muda para juros, crédito e investimentos

16/09/2026 19:274 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O Banco Central cortou a Selic para 13,75% ao ano nesta semana, o quinto corte seguido na taxa básica de juros. A decisão já era esperada pelo mercado e foi aprovada de forma unânime pelo Copom, o comitê que define os juros no país. Mas a pergunta que fica agora é mais importante do que o corte em si: será que os juros vão continuar caindo ou o Banco Central já chegou ao limite que considera seguro? Para quem administra uma empresa, essa resposta afeta diretamente o custo do crédito, o planejamento de investimentos e até as decisões de câmbio.

Segundo o Boletim Focus, pesquisa que reúne as projeções do mercado financeiro, a expectativa é que a Selic permaneça em 13,75% até o fim de 2026, sem novos cortes. Só para 2027 o mercado projeta uma taxa menor, de 12% ao ano. Ou seja, a visão predominante é a de que o ciclo de queda dos juros chegou ao fim, pelo menos por enquanto. Mas entre os economistas consultados, essa não é uma opinião unânime.

O que mudou na avaliação do Banco Central

Comparando o comunicado desta reunião com o anterior, os especialistas notam que o Copom reconheceu uma melhora na inflação: tanto o índice cheio quanto as medidas que tentam captar a tendência de preços desaceleraram para um patamar mais confortável, embora ainda acima da meta. Também ficou mais claro que a desaceleração da economia está concentrada nos setores mais sensíveis aos juros, como crédito e consumo, o que antes aparecia como um cenário mais misto.

Por outro lado, chama atenção o fato de que as próprias projeções do Banco Central para a inflação em 2026 e 2027 subiram, mesmo com esse quadro mais favorável no curto prazo. Alguns economistas interpretam isso como um sinal de cautela: o Banco Central melhorou o diagnóstico do presente, mas ficou mais desconfiado em relação ao futuro. Parte dessa melhora recente na inflação, segundo analistas, pode vir de fatores temporários, como a queda no preço dos alimentos, e não necessariamente do efeito da política de juros. Esse alívio pode não durar, especialmente se o clima (El Niño) afetar novamente os preços de alimentos, ou se o petróleo continuar caro por causa de conflitos internacionais.

Quem vê o ciclo perto do fim

  • Selic já em patamar considerado suficiente para conter a inflação
  • Expectativas de inflação ainda desancoradas, acima da meta
  • Incertezas fiscais ligadas ao período eleitoral
  • Juros mais altos nos EUA reduzem espaço de manobra

Quem vê espaço para mais cortes

  • Economia desacelerando com mais força, sobretudo em setores cíclicos
  • Comunicado não fechou a porta para novas reduções
  • Decisão dependerá dos próximos dados de atividade e inflação
  • Selic de 13,75% ainda é considerada uma política bastante restritiva

Por que o cenário externo pesa na decisão

Um fator que aumenta a cautela dos analistas é o que acontece fora do Brasil. No mesmo dia do corte da Selic, o banco central americano (Fed) elevou os juros nos Estados Unidos para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano, e sinalizou que pode subir ainda mais. Quando os juros americanos sobem, a diferença em relação aos juros brasileiros diminui, o que pode pressionar o real a se desvalorizar frente ao dólar. Uma moeda mais fraca encarece produtos importados e insumos, o que pode travar parte da melhora recente da inflação e, na prática, reduzir a margem do Banco Central para cortar juros no Brasil.

Para o seu negócio, isso significa que o custo do crédito, do câmbio e dos insumos importados pode não seguir uma trajetória linear de queda. Empresas que dependem de matéria-prima importada, ou que têm dívidas atreladas a variações cambiais, precisam ficar atentas a esse cenário de maior instabilidade externa, que pode se refletir rapidamente nos custos internos.

O que isso muda na prática para sua empresa

Com a Selic ainda em patamar elevado (13,75% ao ano é considerado por vários economistas uma taxa bastante restritiva), o crédito para empresas continua caro, e não há garantia de alívio rápido nos próximos meses. Isso reforça a importância de rever contratos de financiamento, negociar prazos e taxas com bancos, e evitar depender de capital de giro caro enquanto o cenário não se define. Também vale reavaliar investimentos que dependem de crédito, já que o custo de capital pode permanecer alto por mais tempo do que o esperado.

O que fazer diante desse cenário
01
Revise o custo do crédito

Não conte com queda automática de juros: negocie taxas e prazos considerando que a Selic pode ficar estável por mais tempo.

02
Monitore o câmbio

Se sua empresa depende de insumos importados, acompanhe a variação do real frente ao dólar, que pode impactar custos.

03
Evite decisões baseadas em corte certo

Como não há consenso entre especialistas, planeje o fluxo de caixa considerando cenários de juros estáveis, não apenas de queda.

04
Acompanhe os próximos indicadores

Dados de inflação e atividade econômica vão orientar a próxima decisão do Copom e devem entrar no seu planejamento financeiro.

No fim das contas, a mensagem que fica para o empresário é a de cautela. Mesmo os economistas mais otim

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