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São Paulo é opção competitiva para data centers, diz estudo global

27/10/2026 11:404 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você atua com tecnologia, infraestrutura ou está pensando em investir em data centers no Brasil, um levantamento recente traz um dado importante para o seu planejamento: São Paulo aparece em posição intermediária num ranking global que mede o custo de construção dessas instalações. A cidade ficou na 30ª colocação entre 62 localidades analisadas, com um custo de US$ 11,66 por watt de capacidade instalada, o equivalente a R$ 62,12. O número coloca a capital paulista como alternativa competitiva diante de polos já consolidados, como o Vale do Silício e o norte da Virgínia, nos Estados Unidos.

O estudo foi feito pela Turner & Townsend, empresa global de gestão de projetos, e usa um indicador chamado "custo por watt". Na prática, ele mostra quanto custa construir a infraestrutura de um data center para cada watt de capacidade elétrica que ele vai ter. Não é o preço da energia consumida depois que o data center está funcionando, mas sim o investimento necessário para erguer a estrutura. Esse tipo de métrica permite comparar cidades diferentes, mesmo que os projetos tenham tamanhos distintos.

O que o ranking mostra

No topo da lista dos lugares mais caros para construir estão cidades como Tóquio, Osaka e Zurique, todas acima de US$ 15 por watt. Já no outro extremo, com custos mais baixos, aparecem cidades como Xangai e Mumbai, na Ásia. São Paulo ficou numa faixa intermediária, próxima da mediana geral, e à frente de mercados como Madri, Barcelona e Lisboa. O Rio de Janeiro também entrou no ranking, mas com custo mais alto que São Paulo: US$ 12,59 por watt, cerca de R$ 67,05. Segundo a Turner & Townsend, esse valor mais elevado no Rio reflete a expansão recente da capacidade da cidade e o interesse crescente de investidores por novos projetos ali.

Custo por watt: Brasil na comparação global
R$ 62,12custo por watt em São Paulo30ª posição entre 62 cidades do ranking global.
R$ 67,05custo por watt no Rio de Janeirovalor mais alto, puxado pela expansão de capacidade na cidade.
R$ 76,55custo por watt no Vale do Silícioum dos polos mais caros do mundo para construção.

Para quem pensa em expandir operações ou atrair parceiros internacionais, esse posicionamento tem peso concreto. Um custo de construção mais baixo do que em mercados tradicionais, como os Estados Unidos, torna o Brasil mais atraente para empresas que decidem onde instalar sua próxima estrutura de processamento de dados. Segundo Henrique Cicchetto, diretor de Real Estate da Turner & Townsend no Brasil, a posição de São Paulo e do Rio de Janeiro reforça o país como o principal polo de infraestrutura de data centers da América do Sul, favorecido por uma matriz energética diversificada e pela demanda crescente por computação em nuvem e inteligência artificial.

Desafios que acompanham o crescimento

Apesar do cenário favorável em custos, o relatório aponta obstáculos que qualquer empresário do setor precisa considerar antes de investir. A disponibilidade de energia elétrica é um dos principais gargalos: 56% dos especialistas ouvidos consideram esse ponto crítico. Os processos de aprovação e conexão à rede elétrica também costumam ser demorados, levando de um a dois anos segundo 52% dos entrevistados, e mais de 24 meses segundo 32% deles. Além disso, 81% relatam dificuldade moderada ou grave para encontrar mão de obra qualificada.

Outro dado relevante do estudo é que 52% dos especialistas estimam que, já no próximo ano, a maior parte dos projetos de data centers no mundo será voltada para cargas de trabalho de inteligência artificial. Isso significa que quem planeja construir ou expandir estruturas nesse segmento precisa pensar não só no custo de construção, mas também na capacidade de atender a demandas futuras ligadas à IA, o que costuma exigir mais energia e infraestrutura especializada.

Lloyd Wallace, diretor de Real Estate e Data Centers para a América Latina da Turner & Townsend, avalia que a região vive um momento decisivo de amadurecimento da infraestrutura digital, com volume relevante de capital destinado a mercados como Brasil, México e Chile. Ainda assim, ele pondera que ampliar a capacidade operacional para acompanhar o crescimento da inteligência artificial exige resolver gargalos ligados ao fornecimento de energia, ao uso eficiente da água e à disponibilidade de profissionais especializados.

Na prática, para o empresário brasileiro que avalia entrar nesse mercado, o recado é duplo: o custo competitivo de construção em São Paulo e no Rio de Janeiro abre uma janela real de investimento e atração de capital estrangeiro, mas o sucesso do negócio vai depender de planejamento cuidadoso em frentes como energia, licenciamento e contratação de mão de obra qualificada. Antes de avançar em projetos dessa natureza, vale buscar orientação especializada para estruturar o investimento, avaliar questões tributárias e societárias, e entender como esses fatores impactam o retorno financeiro do empreendimento.

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