Safra de algodão bate recorde mesmo com menos área plantada
09/09/2026 11:163 min de leituraAtualizado há 1 dia
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você atua no agronegócio ou depende da cadeia do algodão, vale ficar de olho em um número: a Agroconsult revisou para cima a projeção da safra brasileira de algodão 2025/26, agora estimada em cerca de 4,5 milhões de toneladas de pluma, o que representaria um recorde histórico para o país. A revisão veio depois que uma expedição técnica a campo, o Rally da Safra, encontrou produtividades acima do esperado nas lavouras.
Antes desse levantamento, a expectativa era mais modesta: 4,2 milhões de toneladas, número que indicaria até uma leve queda em relação ao ciclo anterior. Com a nova estimativa, a produção não apenas se recupera como supera o recorde anterior, de 4,27 milhões de toneladas registrado na safra passada.
O que muda
O dado mais interessante para quem observa o setor é que essa alta na produção acontece justamente em um cenário de menos terra plantada. A área destinada ao algodão caiu 6,3% na safra 2025/26, recuando para 2,07 milhões de hectares. Ou seja: produziu-se mais, com menos espaço. Isso só foi possível porque a produtividade por hectare cresceu de forma expressiva, puxada por uma combinação de clima favorável, uso de tecnologia e manejo mais eficiente nas fazendas.
A queda de área foi concentrada principalmente no Mato Grosso, maior polo produtor do país, onde o espaço cultivado encolheu 9,4%. Ainda assim, foi justamente lá, e também na Bahia, que se registraram as produtividades recordes que sustentam a nova projeção.
Quem é afetado
Para produtores rurais e empresas ligadas à cadeia do algodão, o cenário é positivo: mais volume disponível para comercialização, mesmo com custo de terra menor. Para o Brasil como um todo, o resultado reforça o papel do país como maior exportador global da pluma, ampliando sua influência sobre preços e fornecimento no mercado internacional. A sócia-diretora da Agroconsult, Heloisa Melo, destacou que o ganho de produtividade observado em campo mostra que a redução de área, neste ciclo, não se traduziu em queda de produção.
O desempenho do Mato Grosso chama atenção especial: se fosse considerado um país isoladamente, o estado apareceria como o terceiro maior produtor mundial de algodão, à frente até dos Estados Unidos. Isso mostra o peso que uma única região brasileira já tem na dinâmica global do setor.
Como se preparar
Apesar do otimismo, a própria Agroconsult pede cautela: ainda restam dois terços da safra a ser colhida e beneficiada, o que significa que os números de produção e rendimento podem mudar até a consolidação final. Se você trabalha com compra, venda, financiamento ou logística ligada ao algodão, o recomendável é acompanhar as próximas atualizações antes de fechar contratos ou projeções de longo prazo com base apenas nesta estimativa.
De qualquer forma, o sinal já é claro: o Brasil caminha para uma safra histórica de algodão, sustentada por ganhos de eficiência no campo. Para empresários do setor, isso pode significar mais oferta, possível pressão sobre preços internos e maior competitividade do produto brasileiro lá fora, um ponto que vale monitorar de perto nos próximos meses.
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