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Robôs que aprendem com vídeos humanos: o que isso significa para empresas

25/10/2026 05:044 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você acompanha de longe as notícias sobre robôs e inteligência artificial achando que isso ainda está muito distante da sua empresa, vale prestar atenção neste caso. Uma startup chamada Maxinsights acaba de captar US$ 30 milhões para resolver um problema bem prático: robôs ainda não sabem fazer tarefas simples do dia a dia porque falta gente ensinando eles a fazer isso. E a forma de ensinar é, basicamente, filmar pessoas trabalhando.

O volume de dinheiro entrando nesse setor é grande. Segundo dados do Crunchbase citados na reportagem, investidores aplicaram US$ 47,4 bilhões em inteligência artificial física apenas no primeiro semestre de 2026, quase quatro vezes mais do que no semestre anterior. Isso mostra que o mercado está apostando pesado em robôs capazes de realizar tarefas físicas reais, não só em softwares que respondem perguntas.

O que a empresa está fazendo

A Maxinsights equipou mais de 5.000 prestadores de serviço em seis países com câmeras especiais, posicionadas na cabeça, no pulso e no tronco. Essas pessoas realizam tarefas comuns, como lavar louça, preparar smoothies ou lavar carros, e tudo é filmado em primeira pessoa, com as mãos sempre em foco. Esse material vira matéria-prima para treinar os chamados "modelos fundacionais de robótica", que são como o cérebro que vai comandar os movimentos de um robô.

A lógica é parecida com a que fez os modelos de linguagem, tipo o ChatGPT, aprenderem a escrever: eles leram praticamente toda a internet. Só que não existe um "arquivo da internet" para tarefas manuais. Por isso a empresa está construindo esse acervo do zero, com mais de 2 milhões de horas de filmagens já capturadas, das quais 1,5 milhão já estão prontas para uso em treinamento.

A escala da operação
2 milhõeshoras de filmagemjá capturadas pela empresa, com 1,5 milhão prontas para treinar robôs.
450 milhoras por mêsé o ritmo atual de processamento de novas filmagens.
10 milhõeshoras, meta futuravolume que a empresa estima ser necessário para robôs com adaptação parecida com a humana.

Os dados da Maxinsights já estão dentro de produtos que vêm chamando atenção no setor. Segundo o fundador Yuguang Yuan, a empresa forneceu todas as 200.000 horas de dados usadas no GENE-26.5, modelo mais recente da Genesis AI, que está por trás de um robô humanoide com mãos capazes de preparar café da manhã. A Maxinsights também afirma ser a maior fornecedora de dados do Dyna-2, outro modelo de robótica.

Por que isso importa para o seu negócio

Você pode estar se perguntando o que isso tem a ver com uma empresa comum, fora do mundo da tecnologia. A resposta é simples: quanto mais rápido os robôs conseguirem aprender tarefas do mundo real, mais perto fica a chegada de automação física em setores como logística, alimentação, limpeza, hotelaria e manutenção. Hoje a limitação não é só o hardware do robô, é a falta de dados de qualidade para ensiná-lo. Resolver esse gargalo pode acelerar a adoção de robôs em atividades que hoje ainda dependem só de mão de obra humana.

Vale notar também um detalhe técnico relevante: vídeo sozinho não basta. Uma câmera mostra o movimento da mão, mas não mostra a força usada para segurar um objeto, nem o peso dele, nem o momento em que algo começa a escorregar. Por isso a empresa está desenvolvendo, em parceria com a Genesis AI, uma luva com sensores chamada MaxGlove, que registra força de preensão e variação de contato durante a tarefa. A meta é chegar a 1 milhão de horas de dados de força até 2027.

Existe, claro, uma dúvida no setor: será que os modelos de inteligência artificial vão ficar tão avançados que não vão mais precisar de tanta informação específica para cada tarefa? Pelo menos uma concorrente já levantou US$ 32 milhões apostando justamente nessa tese contrária. Mas o fundador da Maxinsights diz não estar preocupado agora, porque a demanda por dados segue crescendo, segundo o que a empresa ouve de seus clientes. Ele também aposta que, à medida que os robôs ficarem mais inteligentes, ainda vai ser preciso provar, na prática, que eles funcionam em ambientes reais, como uma casa ou uma fábrica de verdade, o que exige testes e mais dados.

Para o empresário que pensa em automação a médio prazo, o recado prático é este: a tecnologia de robôs que executam tarefas físicas complexas ainda está em construção, mas o investimento e o ritmo de avanço são significativos. Vale acompanhar esse movimento, principalmente se o seu setor depende de tarefas manuais repetitivas, porque a corrida por dados de treinamento pode ser o que determina quando esses robôs chegam, de fato, ao mercado de forma acessível.

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