IA no trabalho substitui colegas: o risco para equipes e gestão
26/10/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você é empresário ou gestor, já deve ter percebido que a inteligência artificial mudou a forma como as equipes trabalham. Mas um levantamento recente traz um alerta que vai além da produtividade: a tecnologia está afastando as pessoas umas das outras dentro das empresas. Segundo pesquisa da BetterUp em parceria com o Stanford Social Media Lab, 83% dos profissionais recorrem à IA em vez de procurar um colega para tirar dúvidas rápidas, e 37% também preferem a ferramenta a um simples contato de rotina com alguém da equipe.
O problema não é a tecnologia em si, mas o efeito colateral que ela está causando nas relações de trabalho. Para Kate Niederhoffer, cientista-chefe da BetterUp, as empresas erraram o foco: concentraram esforços em preparar cada funcionário individualmente para usar IA, mas esqueceram de olhar para o impacto coletivo dessa mudança. Segundo ela, equipes de alto desempenho dependem de três pilares: conhecimento técnico, confiança e coordenação entre as pessoas. A IA está turbinando o primeiro pilar, mas não ajuda nos outros dois, que são justamente a base da colaboração.
Quem está mais propenso a substituir colegas pela IA
A pesquisa identificou um padrão importante para quem lidera equipes: funcionários que sentem que seu trabalho tem pouca relevância são 1,5 vez mais propensos a trocar o colega pela IA. Entre quem se sente inseguro psicologicamente no ambiente de trabalho, essa chance sobe para 2,1 vezes. Ou seja, o problema não é tecnológico, é de clima organizacional. Quanto menos valorizado o profissional se sente, mais ele se afasta das pessoas e se apega à ferramenta.
Esse ciclo tende a se retroalimentar. Quase metade dos entrevistados afirma que os próprios colegas de equipe passaram a procurá-los menos por causa da IA. E quem sente que foi substituído pela tecnologia fica, segundo o estudo, 3,3 vezes menos disposto a voltar a trabalhar com quem o preteriu. É um sinal claro de que a confiança entre as pessoas está sendo corroída, mesmo que ninguém tenha tido essa intenção.
Há ainda um fator emocional por trás dessa escolha: muitos profissionais recorrem à IA porque ela não julga. A pesquisa aponta que as pessoas percebem menos julgamento vindo de uma ferramenta do que de outro ser humano, o que reduz o desconforto de pedir ajuda, mas também reduz as oportunidades reais de conexão entre a equipe.
O que fazer na sua empresa
Para quem administra um negócio, o recado é prático: a adoção de IA não pode ser tratada apenas como uma questão de ferramenta ou treinamento individual. É preciso cuidar do ambiente de trabalho para que a tecnologia não substitua, mas complemente, as relações entre as pessoas. A BetterUp recomenda algumas frentes de ação que valem para empresas de qualquer porte.
Deixe claro para cada funcionário o impacto real que sua função tem no resultado da empresa.
Desenvolva, junto com o treinamento em IA, competências de comunicação e colaboração em equipe.
Use o tempo que a IA libera para aproximar pessoas, não para isolar ainda mais as equipes.
Crie espaços e rotinas que incentivem o contato direto entre colegas, mesmo com a IA disponível.
No fim das contas, a inteligência artificial veio para ficar e traz ganhos reais de eficiência. Mas o alerta da pesquisa é claro: se a sua empresa não cuidar da confiança e da coordenação entre as pessoas, o custo invisível desse isolamento pode comprometer o desempenho da equipe no médio prazo. Fique atento ao clima interno, valorize o trabalho de cada colaborador e trate a IA como uma aliada da colaboração, não como uma substituta das relações humanas dentro do seu negócio.
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