Pular para o conteúdo
VoltarFiscal

Risco político no Brasil: por que sua empresa precisa monitorar isso agora

26/08/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 8 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Decisões tomadas em Brasília e em Washington estão cada vez mais entrelaçadas e chegam direto ao caixa das empresas brasileiras. A tarifa adicional de 25% cobrada pelos Estados Unidos sobre boa parte das importações do Brasil e a inclusão de facções criminosas na lista de organizações terroristas americanas são exemplos de como política externa, política interna e segurança pública viraram uma coisa só quando o assunto é risco para os negócios. É esse cenário que um relatório da consultoria FTI Consulting tentou mapear, e a conclusão principal é que, mesmo com esse risco mais presente do que nunca, poucas empresas brasileiras estão organizadas para lidar com ele.

O levantamento identificou cinco riscos considerados de alta probabilidade e alto impacto para quem faz negócios no país: a dificuldade de governar em meio a atritos entre os poderes, a disputa pelo Senado, o uso de medidas econômicas como arma política (caso da tarifa americana e também do Pix, citado pelos EUA como algo que prejudica as bandeiras de cartão americanas), o uso da segurança pública como palanque eleitoral e a polarização entre os campos de Bolsonaro e do PT. Segundo Raquel Rocha, diretora sênior da FTI Consulting, esse cenário não é exatamente novo, mas reflete anos de dificuldade dos governos em aprovar reformas e organizar a relação entre os poderes.

O que muda no dia a dia da empresa

Na prática, o problema mais sentido pelas empresas é a falta de previsibilidade, e a reforma tributária é o exemplo mais claro disso. Ela foi aprovada, mas os detalhes ainda não estão fechados, o que trava decisões concretas. Empresas evitam investir em mudanças de sistema, como o chamado split payment, ou alterar a forma de tributar seus produtos, simplesmente porque não sabem se a versão atual da reforma é a que vai valer no fim. Essa indefinição vira uma espécie de paralisia, que trava investimentos e planejamento.

Essa incerteza não depende apenas do resultado das eleições, mas de um problema mais estrutural: mesmo que um governo eleito tenha maioria no Congresso, isso não garante capacidade real de governar. Ou seja, o risco político não desaparece com uma eleição, ele se transforma e continua presente no dia a dia de quem toma decisões de negócio.

Quem é afetado e por quê

O relatório aponta que esse despreparo não é exclusividade de nenhum porte de empresa. Tanto pequenas e médias quanto grandes companhias e multinacionais costumam errar na forma de olhar para o risco político: mantêm equipes de relações institucionais focadas apenas no Congresso e deixam de lado o impacto de decisões internacionais sobre o próprio negócio. O erro mais comum, segundo a consultoria, é tratar câmbio, juros e logística como se fossem variáveis isoladas da política, quando na verdade estão diretamente conectadas a ela.

No caso das pequenas e médias empresas, boa parte delas do setor de serviços, o problema se agrava porque existe a ideia de que política é algo distante da rotina do negócio. A diretora da FTI compara a situação à pandemia: muitas empresas não tinham nem fluxo de caixa organizado, quanto mais espaço para pensar em risco de médio e longo prazo. Para esse grupo, a recomendação é mais direta: acompanhar de perto as variáveis econômicas que afetam a operação real do negócio, como juros ou câmbio, dependendo de cada caso, em vez de tentar abraçar todo o cenário político de uma vez.

Riscos apontados pelo relatório
5riscos mapeadostodos classificados como de alta probabilidade e alto impacto para o ambiente de negócios.
25%tarifa dos EUAadicional cobrado sobre a maior parte das importações brasileiras desde 22 de julho.
2030horizonte de riscoperíodo em que uma possível crise institucional é vista no horizonte, segundo a análise.

Prazos e pontos de atenção

Um risco frequentemente subestimado pelo mercado é a renovação de mais da metade das cadeiras do Senado, prevista para outubro. A composição da nova casa tem peso direto sobre a previsibilidade do ambiente de negócios, inclusive pela influência das presidências das casas legislativas. O relatório vai além e alerta que um Senado mais alinhado a um determinado campo político poderia abrir caminho para movimentos contra ministros do Supremo Tribunal Federal, o que aumentaria a insegurança jurídica e regulatória sentida pelas empresas.

Isso significa que o risco político não se resolve com a apuração das eleições em outubro. Segundo a análise, o país caminha com esse tipo de incerteza como pano de fundo, com uma possível crise institucional já sendo enxergada no horizonte até 2030. Para quem toma decisões de negócio, isso reforça que planejamento de curto prazo não é suficiente.

A saída sugerida pela consultoria passa por mudar a forma como o empresariado se relaciona com o poder público: em vez de procurar o governo apenas quando precisa de alguma coisa, é preciso construir um diálogo mais constante e integrado. Na prática, isso significa que sua empresa, seja pequena, média ou grande, ganha ao tratar o risco político e geopolítico como parte da gestão do negócio, e não como algo distante que só aparece nos noticiários.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.