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23/07/2026 16:00· 4 min de leitura· Reforma tributária
Atualizado há 2 horas

Reforma Tributária vai mudar o preço dos carros? Entenda

Reforma Tributária vai mudar o preço dos carros? Entenda
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você atua no setor automotivo, seja como fabricante, concessionária, importador ou prestador de serviços ligados a veículos, precisa começar a entender como a Reforma Tributária vai afetar a formação de preço dos carros nos próximos anos. A mudança substitui tributos conhecidos, como IPI, ICMS, PIS e Cofins, por um novo modelo baseado em três tributos: CBS, IBS e Imposto Seletivo. Essa transição, prevista na Emenda Constitucional nº 132/2023, não vai acontecer de uma vez: será gradual, com efeitos que começam em 2026 e só se completam em 2033.

O ponto mais importante para o seu negócio é que o impacto não será igual para todos os veículos. A nova estrutura leva em conta critérios como tipo de veículo, eficiência energética e emissão de poluentes. Isso significa que carros nacionais, importados, híbridos e elétricos podem ter tratamentos tributários diferentes, o que muda a lógica de precificação e de planejamento comercial que você conhece hoje.

Como funciona hoje e o que muda

Atualmente, o preço de um veículo novo carrega uma combinação de tributos federais, estaduais e, em alguns casos, municipais: IPI, ICMS, PIS/Pasep, Cofins e, dependendo da situação, ISS. Esse modelo tem uma característica que pesa no bolso do consumidor final e na gestão financeira das empresas: a cumulatividade, ou seja, imposto incidindo sobre imposto ao longo da cadeia produtiva.

Com a reforma, esse conjunto de tributos vai dar lugar a um sistema de Imposto sobre Valor Agregado dual, formado pela CBS (federal) e pelo IBS (estadual e municipal). A proposta é reduzir essa cumulatividade, permitindo que as empresas aproveitem créditos tributários ao longo da cadeia. Na prática, isso pode simplificar a apuração de impostos, mas exige que você revise completamente seus processos fiscais e sistemas de emissão de documentos para se adequar à nova lógica de créditos.

Quem é afetado e como

Além da CBS e do IBS, entra em cena o Imposto Seletivo, que incide sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Os veículos automotores estão entre os produtos sujeitos a esse imposto, e a cobrança vai depender de critérios ambientais, como emissão de gases poluentes e eficiência energética. Na prática, isso pode significar que veículos mais eficientes e com menor impacto ambiental tenham uma carga tributária diferente de modelos com maior emissão, o que pode influenciar diretamente sua estratégia de mix de produtos se você trabalha com venda ou locação de veículos.

Para veículos importados, existe uma camada adicional a considerar: o Imposto de Importação continua fora do escopo da Reforma Tributária sobre consumo, então ele segue sendo cobrado separadamente e deve ser somado à nova estrutura de CBS, IBS e Imposto Seletivo na hora de calcular o preço final.

Um ponto que merece atenção se sua empresa trabalha com veículos usados: nas vendas feitas entre pessoas físicas, sem atividade econômica habitual, não haverá incidência de IBS e CBS. Já as empresas que comercializam veículos usados como atividade econômica continuam sujeitas às normas tributárias específicas do setor, o que reforça a importância de diferenciar bem esse tipo de operação no seu controle fiscal.

Prazos que você precisa acompanhar

O cronograma de transição é longo e vale a pena ter os marcos principais na sua agenda de planejamento. Em 2026, começa uma fase de testes, com alíquotas reduzidas para ajustar o funcionamento do novo sistema. A partir de 2027, chegam mudanças mais concretas: PIS e Cofins são substituídos pela CBS e o Imposto Seletivo passa a valer. O processo completo só termina em 2033, quando o modelo antigo deixa de existir de vez.

PeríodoO que acontece
2026Fase de testes, com alíquotas reduzidas para ajuste do sistema
A partir de 2027CBS substitui PIS e Cofins; Imposto Seletivo entra em vigor
Até 2033Transição completa; tributos atuais são totalmente substituídos

Enquanto essa transição não termina, os preços dos veículos vão conviver com uma mistura de regras antigas e novas, conforme o cronograma definido em lei. Isso significa que, na prática, você vai precisar acompanhar de perto cada etapa para entender como ela afeta sua formação de preço e sua margem.

Diante desse cenário, o mais indicado é não esperar a mudança bater à porta. Revisar processos fiscais, sistemas de emissão de documentos e a forma como sua empresa apura créditos tributários deve começar antes que as novas regras entrem em vigor com força total. Conte com o suporte da nossa equipe contábil para acompanhar as regulamentações complementares do IBS, da CBS e do Imposto Seletivo e planejar com antecedência os ajustes necessários na sua operação, seja ela de fabricação, comercialização, locação ou manutenção de veículos.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.

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