Pular para o conteúdo
VoltarReforma tributária

Reforma tributária: fornecedores do governo não entendem impacto no preço

15/10/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 1 dia

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Se sua empresa vende produtos ou serviços para órgãos públicos, preste atenção: uma pesquisa recente indica que a maioria dos fornecedores do governo ainda não entendeu como a reforma tributária vai mexer com seus preços e contratos. O levantamento, feito pelo Portal de Compras Públicas entre 5 e 31 de agosto de 2026 com 365 empresas cadastradas na plataforma, mostra que 80% dos fornecedores não têm compreensão total sobre os efeitos das novas regras do IBS e da CBS na formação de preços.

A CBS, um dos novos tributos criados pela reforma, entra em vigor em janeiro de 2027. A fase inicial de implementação já começou em 2026, com testes e adaptações nos sistemas fiscais das empresas. Ou seja, o prazo está correndo, mas a pesquisa mostra que boa parte do setor ainda está perdida: apenas 20% dizem ter clareza total sobre os impactos do novo modelo. Os demais se dividem entre quem entende só parcialmente (32,6%), quem ainda não compreende os efeitos (29,6%) e quem admite desconhecer os detalhes da nova legislação (17,8%).

O que muda na prática para quem vende ao governo

Entre os principais obstáculos apontados pelas empresas está a revisão da formação de preços, citada por 38,9% dos respondentes, seguida pela adequação de sistemas e processos fiscais, mencionada por 24,1%. Não é pouca coisa: 63,9% dos fornecedores já esperam que a nova sistemática provoque aumento nos preços oferecidos ao setor público.

O problema é que, diante da insegurança sobre como calcular corretamente os novos tributos, muitas empresas tendem a aumentar as margens de segurança embutidas nas propostas de licitação, como proteção contra prejuízos. Essa estratégia, no entanto, pode sair cara: preços mais altos reduzem as chances de vencer disputas por contratos públicos. Segundo Leonardo Ladeira, CEO do Portal de Compras Públicas, uma parte significativa do setor não está preparada nem no conceito nem na operação, e quem não se antecipar corre risco de perder margem ou competitividade.

Pequenas e médias empresas podem sofrer mais

A pesquisa também revela uma preocupação específica com pequenos e médios fornecedores. Para 67,4% dos entrevistados, a reforma vai tornar a participação em compras públicas mais complexa para PMEs: 41,1% acham que ficará "um pouco mais complexo" e 26,3% esperam que fique "muito mais complexo". A razão é simples: empresas menores geralmente não têm departamento tributário estruturado para lidar com a adaptação de sistemas, revisão de procedimentos fiscais e recálculo de preços.

O que a pesquisa revela
80%sem clareza totaldos fornecedores do governo não entendem completamente o impacto da reforma nos preços.
63,9%esperam aumentopreveem alta nos preços oferecidos ao setor público por causa da reforma.
67,4%mais complexidade para PMEsacreditam que a reforma dificultará a participação de pequenas e médias empresas em licitações.

Diante desse cenário, 65,7% dos fornecedores afirmam que pretendem buscar apoio externo, seja de escritórios de contabilidade, consultorias ou entidades de classe, para ajustar suas operações às novas regras. Ainda assim, 26,6% dizem não ter decidido qual caminho seguir, um número que preocupa considerando a proximidade da próxima etapa de implementação do novo sistema tributário.

Bruno Ladeira, cofundador do Portal de Compras Públicas, resume bem a questão: a reforma tributária ainda gera muita incerteza entre fornecedores do setor público, e a principal preocupação não é apenas quanto imposto será pago, mas a capacidade de formar preços corretamente e continuar competitivo nas disputas por contratos.

Para quem fornece ao governo, o recado é claro: esperar para entender a reforma depois que ela entrar em vigor pode ser tarde demais. Contratos já assinados e licitações futuras exigem atenção redobrada agora, com revisão de planilhas de custos, atualização de sistemas fiscais e, principalmente, apoio técnico especializado para não perder competitividade nem correr risco de prejuízo nos próximos processos licitatórios.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.