Reforma tributária: como calcular preços em licitações para 2027
17/10/2026 09:003 min de leituraAtualizado há 49 minutos
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se sua empresa vende produtos ou serviços para órgãos públicos, preste atenção: uma pesquisa recente mostra que a grande maioria dos fornecedores do governo ainda não entende como a reforma tributária vai afetar seus negócios. Com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) prevista para começar em janeiro de 2027, o tempo para se preparar está encurtando, e quem ficar para trás pode perder contratos por formar preços errados.
O que a pesquisa revelou
O levantamento foi feito pelo Portal de Compras Públicas entre 5 e 31 de agosto de 2026, com 365 empresas cadastradas na plataforma. O resultado chamou atenção: apenas 20% dos participantes disseram ter clareza sobre os efeitos do novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da CBS em seus negócios. Todo o restante está em algum grau de confusão, o que é preocupante considerando que a reforma já está em andamento.
Essa falta de entendimento tem um efeito prático perigoso: para se proteger de prejuízo, muitas empresas tendem a colocar uma margem de segurança maior nos preços das propostas de licitação. O problema é que isso encarece a oferta e reduz as chances de vencer a disputa. Ou seja, a insegurança sobre a reforma pode custar contratos, não só margem.
O CEO do Portal de Compras Públicas, Leonardo Ladeira, resume o cenário de forma direta: o fornecedor público ainda não percebeu o tamanho do impacto da mudança, nem nas licitações futuras, nem nos contratos já assinados. Segundo ele, uma parte relevante do setor não está preparada nem no conceito, nem na operação, e quem não se antecipar corre risco real de perder margem ou competitividade.
Pequenas e médias empresas sentem mais o peso
A pesquisa mostra que o problema tende a ser ainda maior para negócios de menor porte. Do total de entrevistados, 67,4% acreditam que a reforma vai tornar o processo de vender para o governo mais complexo para pequenas e médias empresas. Dentro desse grupo, 41,1% esperam um aumento moderado de complexidade e 26,3% preveem dificuldades bem maiores.
Isso acontece porque muitas PMEs não têm departamento tributário próprio para acompanhar as mudanças, o que obriga o gestor a lidar sozinho com ajustes de sistema, revisão de processos fiscais e recálculo de preços, tudo ao mesmo tempo em que toca o dia a dia do negócio.
Como se preparar antes do prazo
Diante dessa complexidade, a maioria dos fornecedores já sinalizou que vai buscar ajuda de fora: 65,7% pretendem recorrer a escritórios de contabilidade, consultorias ou entidades de classe para se adequar às novas regras. Ainda assim, 26,6% dos entrevistados disseram não ter decidido como vão conduzir essa adaptação, o que significa que mais de um quarto das empresas consultadas ainda está sem plano de ação, mesmo com a reforma batendo à porta.
Bruno Ladeira, cofundador do Portal de Compras Públicas, reforça que a principal preocupação do setor não é apenas o tamanho da carga tributária, mas a capacidade de formar preços corretamente e continuar competitivo nas licitações. Esse é exatamente o ponto em que contar com suporte contábil especializado faz diferença: entender como a CBS e o IBS entram na composição de custos evita tanto o prejuízo de preços mal calculados quanto a perda de competitividade por margens infladas por insegurança.
Se a sua empresa fornece para o setor público, o momento é de agir, não de esperar. Reveja sua planilha de formação de preços, mapeie como a nova tributação entra em cada etapa da operação e busque orientação especializada antes que a CBS comece a valer. Quem se antecipar chega em 2027 com preços ajustados e sem perder espaço nas licitações.
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