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Quem é Howard Lutnick, secretário de Trump e bilionário polêmico

13/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Fiscal e Obrigações, atualizado a cada mudança de norma.

Você já deve ter ouvido falar de executivos que dividem opiniões, mas poucas histórias são tão contrastantes quanto a de Howard Lutnick, atual secretário do Comércio dos Estados Unidos. Ele é ao mesmo tempo lembrado como símbolo de superação após perder boa parte de sua empresa e o próprio irmão nos ataques de 11 de Setembro, e apontado por ex-sócios como "o homem mais odiado de Wall Street". Entender essa trajetória ajuda a entender também como ele se tornou uma figura-chave no governo de Donald Trump e como seus negócios continuam avançando enquanto ele ocupa um cargo público.

Do 11 de Setembro à reconstrução da empresa

Lutnick era CEO da Cantor Fitzgerald quando a empresa perdeu 658 dos seus 960 funcionários no ataque ao World Trade Center, entre eles seu irmão mais novo e seu melhor amigo. Em vez de fechar as portas, ele reconstruiu o negócio, que hoje conta com 12 mil funcionários, e criou um fundo de assistência que já destinou US$ 180 milhões às famílias das vítimas da empresa. Ele também doou, pessoalmente, mais de US$ 100 milhões a vítimas de terrorismo e desastres naturais ao longo dos anos. Essa história de resiliência foi, inclusive, citada por Trump ao anunciá-lo para o Departamento do Comércio.

Como o patrimônio dele disparou no governo

Desde que assumiu o cargo público, o patrimônio de Lutnick e de sua família mais que dobrou, chegando a US$ 7,3 bilhões. Grande parte desse crescimento vem de uma participação indireta na Tether, empresa por trás da maior stablecoin do mundo, através da fatia que ele mantém na Cantor Fitzgerald. Essa fatia saltou de US$ 1,7 bilhão no início de 2025 para US$ 5,4 bilhões atualmente. O restante da fortuna está ligado a duas empresas de capital aberto, a corretora BGC Group e a Newmark Group, do setor imobiliário comercial.

A escalada do patrimônio de Lutnick
US$ 7,3 bilhõespatrimônio atualmais que dobrou desde que entrou no governo Trump.
US$ 5,4 bilhõesparticipação ligada à Tethervalor atual, ante US$ 1,7 bilhão no início de 2025.
US$ 190 milhõesrecompra de açõesvalor recebido pela venda de ações da BGC e da Newmark.
Ao assumir o governo, ele deixou o cargo de CEO da Cantor Fitzgerald e transferiu sua participação para fundos em nome dos filhos, hoje controlados por Brandon Lutnick, que assumiu a liderança da empresa. Ele também vendeu de volta suas ações da BGC e da Newmark, recebendo US$ 190 milhões nessa operação, segundo declaração apresentada à Comissão Eleitoral Federal americana.

Por que ele é chamado de "mais odiado de Wall Street"

A fama de executivo agressivo não é recente. Relatos indicam que Lutnick usava contratos de sociedade extensos, que davam à empresa ampla liberdade para reter pagamentos de ex-sócios. Uma ação judicial de 2023 apontou que 40% dos sócios que deixaram a Cantor Fitzgerald não receberam integralmente os valores a que tinham direito. Ele também rompeu relações com a família de seu mentor, Bernie Cantor, fundador da empresa, após acionar um comitê que retirou o controle do negócio das mãos de Cantor quando a saúde dele piorou. A viúva do fundador, inclusive, chegou a proibir Lutnick de visitar o túmulo do marido.

Outro episódio que reforça essa reputação envolve um bônus de US$ 50 milhões que ele teria exigido do conselho da Newmark em 2021, por seu papel em uma negociação de ações da empresa. Mesmo diante de uma ação judicial de acionistas contrários ao pagamento, o valor acabou sendo concedido, distribuído ao longo de quatro anos.

A relação de longa data com Trump

Lutnick e Trump se conhecem há bastante tempo, tendo inclusive sido vizinhos em determinado período. O empresário participou do programa "Celebrity Apprentice" em 2008, e sua empresa Newmark foi contratada pela Trump Organization para vender um hotel em Washington. Quando Trump venceu a eleição para um segundo mandato, escolheu Lutnick para copresidir a equipe de transição, e depois o indicou para o Departamento do Comércio, elogiando publicamente sua trajetória em Wall Street e seu papel de apoio às famílias de vítimas do 11 de Setembro.

Para você que acompanha o cenário econômico internacional, a trajetória de Lutnick é um exemplo de como decisões de governo, relações pessoais e negócios privados podem se entrelaçar de forma direta, especialmente quando o mercado de criptoativos, cada vez mais relevante, passa a interferir também na avaliação de fortunas de figuras públicas.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.