Quem é a executiva à frente de operação bilionária da GE HealthCare
19/08/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 16 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Catherine Estrampes começou a carreira na operação europeia da GE em 1988, como uma das seis primeiras mulheres de sua divisão na empresa. Quase quatro décadas depois, a executiva francesa assumiu, em abril de 2026, o cargo de CEO global de mercados da GE HealthCare, companhia que recentemente passou por uma reorganização para unificar seu ecossistema de saúde. Durante sua primeira visita ao Brasil, ela concedeu entrevista e falou sobre a trajetória, os desafios de liderar equipes em diferentes culturas e as lições aprendidas ao longo do caminho.
À frente da nova posição, Catherine comanda uma estrutura avaliada em US$ 14,5 bilhões, com 18 mil funcionários distribuídos em 150 países. É praticamente toda a operação mundial da companhia, com exceção da China. Para quem observa o mercado de saúde e tecnologia médica, o caso ilustra como grandes empresas globais têm reorganizado suas lideranças após movimentos de cisão corporativa, buscando executivos com histórico de atuação internacional.
Uma carreira construída em diferentes países
Filha de ex-diplomatas, Catherine mudou de país com frequência desde a infância, o que moldou sua forma de liderar. Ela fala três idiomas e mantém o hábito de aprender expressões locais onde passa, como fez em São Paulo ao incorporar o "obrigada" ao vocabulário do dia a dia. Segundo ela, o segredo para se conectar com diferentes culturas é ouvir, fazer perguntas e ir a campo para entender a realidade de perto, em vez de tirar conclusões à distância.
Formada em Letras, e depois em Ciências Políticas e Economia, ela passou por áreas como cardiologia, tomografia computadorizada e financiamento de equipamentos antes de assumir posições de CEO regional em mercados como Rússia, Europa, Oriente Médio, África, Estados Unidos e Canadá. Essa trajetória diversa, segundo ela, foi decisiva para desenvolver a capacidade de lidar com cenários ambíguos e em constante mudança, algo comum em operações internacionais.
Lições de liderança e autoconfiança
Ao olhar para o início da carreira, Catherine reconhece que gostaria de ter tido mais autoconfiança em suas capacidades desde mais jovem. Para ela, esse é um ponto de virada importante: quando uma pessoa deixa de ter medo de confiar em si mesma, uma série de possibilidades se abre. Essa reflexão orienta o conselho que ela costuma dar a outras mulheres em posições de ascensão profissional: ser clara sobre qual é a própria ambição, já que líderes não conseguem adivinhar o que cada pessoa deseja para sua carreira.
Outro ponto que ela destaca é a diferença entre adaptar o próprio estilo e se encaixar por completo em um padrão esperado. Segundo Catherine, dizer a alguém para "se encaixar" é um conselho ruim, especialmente para mulheres, porque isso pode significar reprimir quem a pessoa realmente é para caber em determinado espaço. Adaptar-se, na visão dela, é diferente: permite continuar evoluindo sem abandonar convicções.
Como ela lida com a rotina de pressão
Desde que assumiu o novo cargo, Catherine tem viajado com frequência para visitar escritórios da GE HealthCare ao redor do mundo. Mesmo com a rotina intensa, ela rejeita a ideia de um equilíbrio perfeito entre vida pessoal e profissional, argumentando que as fases da carreira são dinâmicas: há momentos com mais trabalho e outros com mais espaço para a vida pessoal. Para ela, o mais importante é encontrar alegria naquilo que se faz, independentemente da proporção entre as duas esferas em cada momento.
Para lidar com a pressão do dia a dia, ela mantém hobbies como pilates e visitas semanais ao teatro, muitas vezes assistindo a peças em idiomas que não domina. Segundo ela, conhecer bem o roteiro permite acompanhar a história sem entender todas as palavras, o que a obriga a prestar atenção à linguagem corporal, ao cenário e à atmosfera. É uma forma pessoal de treinar a leitura de entrelinhas, habilidade que ela considera relevante também no ambiente corporativo.
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