Proteção de ranking no tênis: como funciona a regra usada por Bia Haddad
12/08/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 23 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Bia Haddad Maia, hoje a principal tenista brasileira, anunciou uma pausa na carreira para cuidar da saúde mental e não vai competir pelo restante da temporada. Ao comunicar a decisão, ela mencionou que vai proteger seu ranking, um detalhe que pode parecer técnico, mas que tem um peso enorme sobre o futuro profissional de uma atleta. Entender essa regra ajuda a explicar por que a pausa não significa recomeçar do zero.
A proteção de ranking existe no tênis desde o início dos anos 1970, tendo passado a valer em 1973 no circuito masculino e em 1975 no feminino. A ideia por trás da regra é simples: evitar que atletas sejam penalizados na classificação por motivos fora do controle deles, como lesões, doenças ou, no caso das mulheres, gravidez e tratamentos para engravidar. Sem esse mecanismo, um afastamento longo jogaria o ranking do atleta lá embaixo, dificultando o retorno à competição em condições justas.
Como fica o caso de Bia Haddad
Ao pedir a proteção, o ranking de Bia fica congelado na posição 153, que era a dela quando disputou seu último jogo, em 30 de junho, em Wimbledon. A regra exige um afastamento mínimo de seis meses, e a expectativa é que ela volte a competir apenas em janeiro de 2027.
O detalhe importante aqui é que o tênis feminino trabalha com dois tipos de ranking: o de pontos acumulados na temporada e o semanal. Como Bia tem muitos pontos a defender no ranking acumulado, sem a proteção ela cairia para a posição 250 quando voltasse a jogar. Com a regra em vigor, ela pode usar o ranking 153 para se inscrever na chave principal de até oito torneios. Se for convidada pela organização de algum evento, essa participação nem entra na conta dos oito torneios permitidos.
Diferenças entre os circuitos masculino e feminino
Apesar de a lógica ser parecida, ATP e WTA aplicam a proteção de ranking de formas distintas. No circuito masculino, usa-se a média do ranking dos três primeiros meses do período de proteção, e o benefício vale por nove ou doze meses (ou torneios), conforme a solicitação. Já no feminino, o ponto de referência é o ranking do dia do último jogo antes do afastamento, como aconteceu com Bia Haddad.
| Regra | ATP (masculino) | WTA (feminino) |
|---|---|---|
| Referência de ranking | Média dos 3 primeiros meses | Ranking do último jogo |
| Duração da proteção | 9 ou 12 meses/torneios | 8 ou 12 torneios |
| Uso em Grand Slams | 2 (até 12 meses) ou 4 (acima de 12 meses) | Até 2 |
| Proteção de cabeça de chave | Não há | Há |
| Licença parental | 12 meses (paternidade) | Até 36 meses (maternidade) |
Outra diferença relevante é a proteção de cabeça de chave, que existe apenas no circuito feminino. Isso significa que jogadoras protegidas podem ser incluídas como cabeças de chave extras nos torneios, evitando enfrentar as adversárias mais bem ranqueadas logo nas primeiras rodadas. No masculino, a proteção vale apenas para garantir a inscrição no torneio, sem esse tipo de resguardo na chave.
Vale mencionar ainda a Regra de Proteção à Fertilidade, criada em 2025 pela WTA, que permite que jogadoras entre as 750 melhores do ranking se afastem por até dez semanas seguidas para procedimentos como congelamento de óvulos ou embriões, sem prejudicar sua posição na classificação.
Para quem atua com gestão de carreira de atletas, patrocínios ou contratos esportivos, entender essas regras é fundamental na hora de planejar cláusulas contratuais, seguros e metas de performance vinculadas a ranking. Uma pausa protegida não representa o mesmo risco financeiro e reputacional de um afastamento sem essa garantia, e isso muda completamente a forma como se estrutura um planejamento de longo prazo em torno da carreira de um esportista.
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