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Preço do açúcar pode subir com El Niño: veja o impacto no seu negócio

19/08/2026 16:103 min de leituraAtualizado há 15 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O mercado internacional de açúcar registrou um movimento recorde de apostas financeiras na semana passada, motivado pelo medo de que o fenômeno climático El Niño prejudique a produção mundial da commodity. Para você que tem negócio na indústria de alimentos, bebidas, panificação ou qualquer setor que use açúcar como insumo, esse é um sinal de alerta: oscilações de preço e possíveis dificuldades de fornecimento podem estar no radar nos próximos meses.

O que está acontecendo

Segundo dados da Intercontinental Exchange (ICE), bolsa que negocia contratos futuros de commodities, o número de contratos em aberto de açúcar bruto e refinado chegou a 2,3 milhões na semana passada, superando o recorde anterior, que era de fevereiro de 2010. Isso significa que um número inédito de investidores, empresas do setor alimentício e operadores financeiros está negociando apostas sobre o preço futuro do açúcar, um comportamento típico de momentos de incerteza sobre oferta e demanda.

Por trás desse movimento está a previsão de um El Niño forte, que pode se estender até janeiro de 2027. O fenômeno altera o padrão de chuvas e eleva temperaturas em regiões produtoras, e commodities agrícolas tropicais, como a cana-de-açúcar, tendem a sofrer bastante com isso. Segundo especialistas da própria ICE, a incerteza sobre a safra nas maiores regiões produtoras do mundo está levando o mercado a se proteger com antecedência.

Quem pode ser afetado

A previsão climática, do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, aponta 90% de chance de um El Niño muito forte entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro semestre de 2027, e chega a estimar 69% de probabilidade de um "El Niño histórico", que seria mais intenso do que qualquer outro registrado desde 1950. Isso preocupa especialmente porque o Brasil, maior produtor mundial de açúcar, e a Índia, segundo maior produtor, podem ter suas safras comprometidas. Na Índia, o temor é com chuvas de monção abaixo da média; no Brasil, com chuvas excessivas que podem prejudicar a etapa final da colheita.

O movimento do mercado em números
2,3 milhõescontratos em abertonovo recorde no mercado futuro de açúcar, superando a marca de 2010.
US$ 2,5 bilhõesinjetados por fundosvalor recorde investido em contratos de açúcar bruto na semana.
90%chance de El Niño forteestimativa para o período entre o 2º semestre de 2026 e o 1º semestre de 2027.

Esse cenário já provocou reações concretas no mercado financeiro. Fundos de investimento, que até então apostavam na queda do preço do açúcar no longo prazo, mudaram de posição e passaram a comprar de forma agressiva, injetando um valor recorde de US$ 2,5 bilhões em contratos de açúcar bruto durante o período. Do outro lado, as usinas produtoras aproveitaram o momento de preços mais altos para vender contratos futuros e garantir condições melhores para o açúcar que ainda vão produzir.

Para o seu negócio, o ponto central é entender que esse movimento no mercado futuro geralmente antecipa mudanças no preço à vista, aquele que efetivamente aparece nas notas de compra de insumos. Quando o mercado financeiro se movimenta dessa forma, em geral é porque enxerga risco real de menor oferta pela frente, o que tende a pressionar os preços para cima nos meses seguintes, especialmente se as previsões climáticas se confirmarem.

Como se preparar

Se sua empresa depende de açúcar como matéria-prima, seja na produção de alimentos, bebidas, confeitaria ou qualquer outro segmento, vale a pena acompanhar de perto a evolução das previsões climáticas para o Brasil e a Índia nos próximos meses. Negociar contratos de fornecimento com mais antecedência, avaliar estoques de segurança e conversar com fornecedores sobre possíveis reajustes são medidas prudentes diante desse cenário de incerteza. O mercado já está se movendo para se proteger, e o mesmo cuidado pode ajudar a preservar a margem do seu negócio caso os preços realmente subam nos próximos meses.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.