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Por que Roger Federer deixou de ser bilionário: entenda o caso On Holding

11/08/2026 16:534 min de leituraAtualizado há 23 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O tenista aposentado Roger Federer deixou de ser bilionário, segundo estimativa da revista Forbes, depois de uma queda expressiva nas ações da On Holding, fabricante suíça de artigos esportivos na qual ele detém participação acionária. O tombo nos papéis, de cerca de 19% em um único pregão, derrubou o patrimônio de Federer para US$ 952,4 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 4,86 bilhões, uma perda estimada em US$ 52 milhões (R$ 265,2 milhões) em poucas horas. O caso é um lembrete valioso para qualquer empresário: quando parte relevante do seu patrimônio está atrelada a um único ativo, a volatilidade do mercado pode mudar seu retrato financeiro da noite para o dia.

O que aconteceu

A queda nas ações foi resposta imediata do mercado aos resultados do segundo trimestre da On Holding, divulgados nesta terça-feira. A empresa registrou vendas líquidas de 850,4 milhões de francos suíços (cerca de US$ 1,04 bilhão ou R$ 5,30 bilhões), um crescimento de 13% em relação ao ano anterior. O problema é que esse número ficou abaixo do que os analistas esperavam, que era de 878,4 milhões de francos suíços (US$ 1,08 bilhão ou R$ 5,51 bilhões). Mesmo com crescimento real nas vendas, a diferença entre o resultado entregue e a expectativa criada foi suficiente para provocar uma reação forte e negativa dos investidores.

Curiosamente, os números de lucratividade da On Holding foram positivos. A empresa fechou o trimestre com lucro líquido de 105 milhões de francos suíços (US$ 129,4 milhões, cerca de R$ 660 milhões), revertendo o prejuízo de 40,9 milhões de francos suíços do mesmo período do ano passado. A margem de lucro bruto também melhorou, saindo de 61,5% para 65,4%, o que levou a companhia a elevar sua projeção de margem para o ano inteiro. Ainda assim, o mercado reagiu ao que faltou, não ao que a empresa entregou de positivo, evidenciando como expectativas frustradas pesam mais do que resultados absolutos na hora de precificar uma ação.

IndicadorResultado do trimestreExpectativa do mercado
Vendas líquidas850,4 milhões de francos suíços878,4 milhões de francos suíços
Lucro líquido105 milhões de francos suíçosPrejuízo de 40,9 milhões no ano anterior
Margem de lucro bruto65,4%61,5% no ano anterior

A participação de Federer e o motivo do impacto

Federer é coproprietário da On Holding desde 2019 e é descrito pela empresa como um parceiro próximo dos fundadores. A Forbes estima que ele detenha cerca de 2,5% da companhia, distribuídos entre aproximadamente 296 milhões de ações classe A e 341 milhões de ações classe B. Foi justamente essa fatia que, no ano passado, ajudou a elevar seu patrimônio ao status de bilionário, somado aos ganhos de sua carreira, que somaram cerca de US$ 131 milhões em prêmios ao longo de 24 anos de atuação profissional e 20 títulos de Grand Slam, além de contratos de patrocínio com marcas como a Uniqlo.

O episódio mostra, na prática, o risco de concentração patrimonial: uma fatia relevante da riqueza de Federer está atrelada ao desempenho de uma única empresa listada em bolsa. Quando essa empresa performa bem, o patrimônio sobe rápido. Quando o mercado se decepciona, mesmo que os fundamentos de longo prazo continuem sólidos, a perda também é rápida e visível. Vale destacar que Federer segue muito próximo de recuperar o status de bilionário, já que o patrimônio caiu pouco abaixo da marca simbólica de US$ 1 bilhão.

O que isso ensina para quem administra um negócio

Para você que é empresário ou gestor, o caso de Federer traz uma lição direta, mesmo fora do universo do esporte: concentrar patrimônio pessoal ou reservas da empresa em um único ativo, seja ação, participação societária ou até mesmo no próprio negócio sem diversificação, expõe você a oscilações que muitas vezes não têm relação com a qualidade real da gestão. A On Holding entregou crescimento de vendas e melhora de lucratividade, mas isso não impediu uma queda abrupta no valor de mercado. Isso reforça a importância de separar patrimônio pessoal do patrimônio empresarial, e de avaliar com cuidado o grau de exposição a um único investimento, seja ele qual for.

Outro ponto prático é a diferença entre resultado divulgado e expectativa de mercado. Empresas com ações negociadas em bolsa, ou mesmo negócios que buscam investidores e sócios, precisam estar atentos a como comunicam metas e projeções. Criar expectativas altas e não entregá-las pode custar caro, ainda que os números absolutos sejam positivos. Se você lida com investidores, sócios ou financiadores, vale sempre alinhar bem as expectativas antes de divulgar resultados, para evitar reações desproporcionais.

Na prática, o episódio não muda nada na rotina fiscal ou contábil do seu negócio, mas serve como estudo de caso sobre gestão de risco patrimonial e comunicação financeira. Se parte do seu patrimônio, ou o de sócios da sua empresa, está concentrada em participações societárias ou ações, este é um bom momento para revisar a diversificação dos investimentos e conversar com seu contador sobre como estruturar melhor a proteção patrimonial da empresa e dos sócios diante de oscilações de merc

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