Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Uma pesquisa global da consultoria Grant Thornton, feita com mais de 550 executivos, traz um dado que interessa direto ao seu bolso: empresas que crescem mais também são as que melhor sabem enfrentar crises. Segundo o levantamento, 59% das organizações de alto crescimento se consideram muito resilientes ou de classe mundial na capacidade de lidar com rupturas. Entre as empresas de baixo crescimento, esse percentual cai para 19%. A diferença não é pequena, e ela aparece também em como essas empresas investem, planejam e tomam decisões no dia a dia.
Em entrevista à Forbes, Daniel Maranhão, CEO da Grant Thornton Brasil, explica que o ponto central não é ter um plano de emergência guardado na gaveta. As empresas mais preparadas tratam a gestão de caixa, o controle de riscos e a capacidade de se adaptar como parte do funcionamento normal do negócio, não como algo isolado que só é acionado quando o problema já aconteceu.
O que muda na prática
O estudo perguntou aos executivos o que entendem por resiliência empresarial, e as respostas ajudam a entender o que realmente importa. Para 80% dos participantes, o principal é manter as operações essenciais funcionando durante períodos de pressão. Para 72%, é conseguir se recuperar rápido de um problema, sem prejudicar o cliente. Aprender com crises passadas foi citado por 69%, e ter sistemas de apoio que sustentem os serviços apareceu para 65%. Preservar a saúde financeira diante de choques externos foi mencionado por 61% dos executivos.
Na prática, isso significa que resiliência não é sinônimo de sobreviver a uma crise. É se preparar antes, continuar funcionando durante o problema e sair dele mais forte, com lições aplicadas. Segundo Maranhão, um erro comum é enxergar essa preparação como um plano estático. As empresas mais bem preparadas testam seus planos, definem responsabilidades claras e colocam a análise de riscos dentro dos próprios processos de inovação, desde o início.
Investimento é o que separa os dois grupos
A diferença entre empresas de alto e baixo crescimento aparece claramente no orçamento. Entre as companhias de baixo crescimento, 68% dos executivos avaliam que os investimentos em preparação e continuidade dos negócios estão abaixo do necessário. Nas empresas de alto crescimento, esse número cai para 30%. Ou seja: quem cresce mais também sente menos essa lacuna, porque investe de forma mais consistente.
O levantamento também derruba uma ideia comum: a de que gastar com prevenção de riscos tira recursos da expansão do negócio. Na prática, é o contrário. Metade das empresas de alto crescimento afirma que sua capacidade de lidar com rupturas é um fator importante para conquistar novos clientes. Entre as de baixo crescimento, apenas 31% pensam assim, e essas empresas têm probabilidade três vezes maior de dizer que essa capacidade não ajuda em nada, ou até atrapalha, na hora de fechar negócios.
Outro ponto que chama atenção é a velocidade de decisão. Segundo Maranhão, decidir rápido não significa abrir mão de controles. Pelo contrário: quando a empresa tem processos claros, responsabilidades bem definidas e já testou seus planos e cenários, ela consegue agir com mais segurança justamente porque sabe até onde pode ir. O desafio, segundo ele, é montar uma governança que proteja o negócio sem travar a capacidade de resposta quando o cenário muda.
O papel da inteligência artificial
A pesquisa também mostra como a inteligência artificial separa esses dois grupos de empresas. As organizações mais resilientes têm o dobro da probabilidade de enxergar a IA como uma oportunidade para criar novos produtos, serviços ou modelos de negócio. Já as empresas menos preparadas têm três vezes mais chance de considerar a tecnologia uma ameaça. Entre as empresas de alto crescimento, 51% já usam ou pretendem usar IA para identificar riscos antes que eles se tornem problema, contra 33% nas empresas de baixo crescimento.
Para Maranhão, essa diferença não vem simplesmente da vontade de investir em tecnologia. Ela está ligada à estrutura que a empresa já tem: governança, planos de continuidade e responsabilidades bem definidas dão à empresa mais condições de avaliar riscos e aproveitar oportunidades ao mesmo tempo. Ou seja, as empresas menos preparadas não necessariamente correm riscos maiores ao adotar IA, mas têm menos ferramentas para administrar essa transformação.
O recado prático para o seu negócio é direto: preparação para crises não é gasto supérfluo nem plano de gaveta, é parte da estratégia de crescimento. Reservar orçamento para continuidade, testar planos, definir quem responde por cada risco e já pensar em riscos desde a criação de novos projetos são passos que, segundo os dados, caminham junto com mais investimento, mais confiança dos clientes e mais capacidade de aproveitar novas tecnologias como a IA.
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