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Paraná cresce com o agro, mas enfrenta gargalos que afetam empresas

29/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 46 minutos

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você tem empresa no Paraná ou negocia com fornecedores e clientes do estado, vale entender o retrato econômico atual: o Paraná é a 4ª maior economia do Brasil, com PIB nominal de R$ 670,92 bilhões em 2023, e cresceu 4,3% no período, acima da média nacional de 3,2%. O grande motor desse resultado é o agronegócio, que coloca o estado como a 3ª maior força agrícola do país. Mas por trás dos números positivos existem riscos que podem afetar diretamente quem empreende ou pretende investir na região.

Por que o agronegócio é força e também risco

O setor agropecuário responde por 11,1% do PIB estadual, o que significa que boa parte da economia do Paraná está atrelada a um único segmento. Isso é positivo em anos de safra boa, mas expõe empresas de toda a cadeia a riscos climáticos: previsões indicam chuvas acima da média e temperaturas altas neste ano, fatores que podem prejudicar a produção agrícola e, por consequência, negócios ligados a transporte, insumos, logística e indústria de processamento.

Há ainda um problema no comércio exterior que já afeta diretamente empresários paranaenses: o setor de madeira, fortemente ligado ao agro, sofreu com tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos. Segundo especialistas ouvidos na reportagem original, a maior parte dos produtos de madeira com potencial de exportação já enfrenta algum tipo de sobretaxa, o que reduz a competitividade de quem vende para fora. Para empresas desse setor, isso significa buscar novos mercados, rever contratos e, possivelmente, contar com apoio do governo estadual em financiamento e benefícios tributários.

Paraná em números
R$ 670,92 biPIB nominal (2023)4ª maior economia do Brasil.
11,1%participação do agro no PIBsetor concentra boa parte do crescimento estadual.
3,1%taxa de desocupaçãoabaixo da média nacional, de 5%.

Indústria trava por juros altos e falta de energia

Se você é empresário do setor industrial, sabe na prática o que os dados confirmam: mais de 60% dos empresários da indústria paranaense têm intenção de investir em modernização, digitalização e inteligência artificial, mas esbarram no custo do crédito. Com a taxa básica de juros elevada, financiar novas tecnologias fica mais caro, mesmo quando a tecnologia já está disponível no país. Nesse cenário, bancos públicos de fomento, como a Fomento Paraná e o BRDE, aparecem como alternativa para viabilizar investimentos que, de outra forma, ficariam represados.

Outro entrave direto para quem quer automatizar processos é a instabilidade no fornecimento de energia em regiões do interior. Empresas com equipamentos e sensores mais sofisticados são especialmente sensíveis a oscilações na rede elétrica, o que pode gerar danos e prejuízos. Some-se a isso a dependência de portos de outros estados: parte da indústria paranaense recorre a portos de Santa Catarina não porque o Porto de Paranaguá seja insuficiente, mas porque o acesso rodoviário e ferroviário até ele ainda precisa melhorar.

A falta de mão de obra que trava o crescimento

Talvez o desafio mais sensível para o seu negócio, independentemente do setor, seja a escassez de trabalhadores. Apesar da taxa de desocupação baixa, de 3,1%, a realidade prática nas fábricas e nos serviços é de dificuldade para contratar, com ou sem qualificação. Esse cenário se agrava com o envelhecimento da população e limita diretamente a capacidade das empresas de crescer, automatizar processos e absorver inovação.

O problema tem raiz estrutural: no Paraná, a probabilidade de um jovem concluir o ensino superior é de apenas 2,36%, caindo para 1,55% em polos industriais importantes como Ponta Grossa. Isso significa que, mesmo com investimento em tecnologia e crédito disponível, faltará gente preparada para operar essas estruturas mais avançadas, o que reforça a importância de políticas de educação e formação técnica de longo prazo.

Para quem administra uma empresa no Paraná, o cenário exige atenção em três frentes práticas: acompanhar riscos climáticos que afetam o agro e cadeias relacionadas, avaliar linhas de crédito de bancos públicos para modernização quando o custo do capital privado for proibitivo, e investir internamente em capacitação de equipe, já que a escassez de mão de obra qualificada tende a continuar sendo um obstáculo relevante para o crescimento dos negócios na região.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.