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NR-1 e saúde mental no trabalho: o que escritórios contábeis devem fazer

13/09/2026 10:004 min de leituraAtualizado há 56 minutos

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você comanda um escritório de contabilidade ou uma equipe interna na área, é hora de prestar atenção em um assunto que deixou de ser só uma pauta de conscientização e passou a ser também uma obrigação dentro das regras de segurança e saúde no trabalho. Desde 26 de maio de 2026, a NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) passou a exigir que as empresas incluam os riscos psicossociais relacionados ao trabalho dentro do gerenciamento de riscos ocupacionais. Na prática, isso significa que sobrecarga, prazos apertados e forma de organizar as tarefas entraram no radar da legislação, e não apenas os riscos físicos ou de acidentes que já eram avaliados antes.

O que muda na prática

Até então, o gerenciamento de riscos ocupacionais das empresas costumava olhar principalmente para questões físicas: ergonomia, acidentes, equipamentos de proteção. Com a nova redação do capítulo 1.5 da NR-1, entram também na análise os chamados fatores psicossociais, ou seja, aspectos ligados à forma como o trabalho é organizado, distribuído e acompanhado. Isso inclui, por exemplo, como as demandas são planejadas ao longo do mês, como as equipes se relacionam entre si e com a liderança, e como são as condições concretas para executar as tarefas do dia a dia.

Para o setor contábil, essa mudança faz bastante sentido. A rotina de escritórios e departamentos contábeis é conhecida por concentrar prazos legais, fechamentos de período, mudanças constantes na legislação e atendimento direto a clientes, tudo isso em um ritmo que costuma se intensificar em determinados momentos do ano. Isso não quer dizer que esse ritmo produza automaticamente um problema de saúde mental em todo mundo, mas significa que a forma como esse trabalho é organizado agora precisa ser observada com mais cuidado pela empresa, dentro das exigências legais.

Quem precisa se atualizar

A exigência vale para as organizações sujeitas às regras de segurança e saúde do trabalho, o que inclui escritórios contábeis com estrutura própria e empresas que mantêm equipes internas de contabilidade. Para ajudar na aplicação da norma, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou em 2026 um guia sobre os fatores de risco psicossocial e, depois, um manual de interpretação do capítulo 1.5. Esses materiais servem como referência para entender o que precisa ser avaliado e como colocar isso em prática dentro da rotina da empresa.

Pontos que a NR-1 passou a considerar
26/05/2026início da vigênciaNova redação do capítulo 1.5 da NR-1 passou a valer nesta data.
188telefone do CVVApoio emocional gratuito e sigiloso, disponível 24 horas.

Vale reforçar que identificar sinais de sobrecarga na equipe não é a mesma coisa que fazer um diagnóstico. Questões de saúde mental precisam ser avaliadas por profissionais habilitados. O papel da empresa é outro: observar a organização do trabalho, mapear os riscos existentes e cumprir as responsabilidades previstas na legislação de saúde ocupacional. São coisas diferentes, mas que precisam caminhar juntas.

Como se preparar

Na prática, isso passa por revisar como as tarefas são distribuídas dentro da equipe, identificar os períodos de maior demanda (como fechamentos e entregas de obrigações) e garantir que existam canais claros para que os profissionais possam relatar dificuldades relacionadas ao trabalho. O MTE mantém materiais específicos para orientar essa implementação, e vale a pena consultá-los para adequar a rotina do escritório às novas exigências.

O momento também coincide com o Setembro Amarelo, campanha nacional de prevenção ao suicídio que em 2026 tem como tema "Escutar é estar presente". A iniciativa, promovida pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), reforça a importância da escuta acolhedora para quem enfrenta sofrimento emocional, dentro e fora do ambiente de trabalho. Para profissionais que estejam passando por esse tipo de situação, o CVV oferece apoio gratuito e sigiloso pelo telefone 188, com atendimento 24 horas, além de canais digitais.

O recado prático para quem gere um escritório contábil ou uma equipe interna é claro: a atenção à saúde mental não é mais apenas uma boa prática, é parte do que a legislação de saúde e segurança do trabalho passou a exigir. Aproveitar o Setembro Amarelo para abrir esse diálogo é importante, mas o cuidado com a organização do trabalho e com o bem-estar da equipe precisa continuar ao longo de todo o ano.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.