Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se a sua empresa passa por auditoria independente, preste atenção: o Conselho Federal de Contabilidade atualizou duas normas que vão mudar a forma como os auditores avaliam fraudes e a capacidade de sobrevivência dos negócios. As novas regras foram publicadas em 25 de setembro de 2026 e valem para os exercícios que começarem em 1º de janeiro de 2027. Parece longe, mas quem deixar para se adequar em cima da hora pode enfrentar relatórios com ressalvas, perda de credibilidade e problemas na hora de prestar contas a sócios, bancos e investidores.
O que muda
A primeira norma trata do combate a fraudes financeiras e aumenta o nível de exigência sobre os auditores. Na prática, isso significa que explicações verbais da diretoria ou relatórios tradicionais deixam de ser suficientes. Os auditores agora precisam buscar ativamente evidências que confirmem ou contradigam as informações apresentadas pela empresa, documentando tudo com mais detalhe. Isso não tira da sua empresa a responsabilidade de manter controles internos eficientes: essa obrigação continua sendo totalmente sua. O que muda é que qualquer falha ou inconsistência nos seus processos internos ficará muito mais visível no relatório final.
A segunda norma atualizada trata da continuidade dos negócios, ou seja, da capacidade da empresa de continuar operando no futuro próximo. Pela nova regra, se a diretoria apresentar projeções de viabilidade que cubram menos de 12 meses a partir da aprovação dos balanços, o auditor vai exigir que esse período seja ampliado. Além disso, o relatório de auditoria passa a trazer uma seção específica sobre a capacidade de sobrevivência do negócio, destacando de forma explícita qualquer dúvida ou incerteza financeira. Essa informação chega diretamente a bancos, investidores e parceiros comerciais.
Quem é afetado
As mudanças atingem diretamente empresas que passam por auditoria independente, mas o efeito prático recai sobre as áreas contábil e financeira, que vão precisar justificar com mais robustez as estimativas e projeções apresentadas. A responsabilidade de fundamentar essas informações com provas sólidas continua sendo da empresa, não do auditor. Isso significa que a atitude da gestão, antes mesmo da auditoria começar, é o que vai determinar o resultado final do processo.
Regra anterior
- Explicações verbais e relatórios tradicionais da diretoria eram aceitos pelos auditores
- Projeções de continuidade podiam cobrir menos de 12 meses
- Relatório final não tinha seção específica sobre risco de continuidade
Nova regra (a partir de 2027)
- Auditor exige busca ativa e documentação detalhada de evidências
- Projeções precisam cobrir no mínimo 12 meses a partir da aprovação dos balanços
- Relatório final traz seção exclusiva sobre capacidade de sobrevivência do negócio
Prazos
As novas exigências foram publicadas no Diário Oficial em 25 de setembro de 2026 e entram em vigor para os exercícios iniciados em 1º de janeiro de 2027. Isso dá um tempo de adequação, mas não é recomendável esperar até o fim de 2026 para começar a se organizar. Ajustar modelos orçamentários, revisar controles internos e preparar a documentação exigida leva tempo, e empresas que adiarem essa preparação correm o risco de chegar ao início do próximo ciclo sem estrutura suficiente para atender às novas exigências.
Como se preparar
O primeiro passo é atualizar os modelos orçamentários da empresa, garantindo que as projeções financeiras cubram pelo menos os próximos doze meses, como a nova norma vai exigir. Em paralelo, a liderança precisa reforçar a documentação dos controles internos e mapear possíveis vulnerabilidades operacionais antes do início do próximo ciclo contábil. Como a credibilidade da empresa diante de bancos, investidores e parceiros comerciais depende diretamente da qualidade dessas informações, vale reunir a equipe de contabilidade e finanças o quanto antes para revisar os processos de governança.
Encarar essas mudanças como uma obrigação burocrática seria um erro. Elas funcionam, na prática, como um incentivo para que a empresa organize melhor suas informações financeiras e fortaleça sua reputação no mercado. Quem se antecipar chega ao início de 2027 com processos mais sólidos e menos exposto a surpresas desagradáveis durante a auditoria.
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