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Mulheres investem menos e apostam mais: o que isso revela sobre dinheiro e gênero

03/09/2026 18:374 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

Você já parou para pensar por que tantas mulheres dizem não ter dinheiro para investir, mas encontram dinheiro para apostar online? Uma pesquisa recente da Anbima, entidade que representa o mercado financeiro, mostra que apenas 31% das mulheres brasileiras investem em algum produto financeiro. Ao mesmo tempo, 34% dos apostadores online no país são mulheres. Esse contraste não é sobre falta de educação financeira, e sim sobre qual porta está mais aberta para quem precisa lidar com dinheiro no dia a dia.

O que os dados mostram

Entre as mulheres que não investem, a maioria (72%) diz que o motivo é falta de dinheiro. Só que esse mesmo dinheiro, em parte, está indo para plataformas de apostas. Um levantamento da Anbima em parceria com a consultoria Kyvo identificou que 20% dos apostadores acreditam estar fazendo uma forma de investimento. As plataformas usam palavras como "estratégia" e "retorno", termos que imitam a linguagem do mercado financeiro, criando confusão sobre o que realmente é investir e o que é apostar.

A pesquisa mapeou perfis de apostadores e identificou dois grupos formados majoritariamente por mulheres das classes C, D e E: um que aposta na esperança de ganhar dinheiro rápido, e outro que usa o jogo para pagar contas básicas, como água, luz e aluguel. Isso mostra que, para muitas mulheres, apostar não é lazer, é uma tentativa de resolver um problema financeiro real e imediato.

Quem são essas mulheres

Mais da metade dos lares brasileiros, 51,7%, tem uma mulher como principal responsável financeira, segundo a FGV IBRE. São cerca de 41,3 milhões de mulheres nessa posição, número que já superou o dos homens e que vem crescendo nos últimos anos. Essas mulheres, em média, ganham 21% menos que os homens em cargos equivalentes, segundo o IBGE, e ainda acumulam a maior parte das tarefas domésticas e do cuidado com a família. Sobra pouco tempo para estudar opções de investimento ou entender produtos financeiros mais complexos.

Nesse cenário, a aposta online funciona como uma válvula de escape rápida e discreta, sem exigir conhecimento prévio nem exposição social. É simples, imediata e não pede explicações, ao contrário do mercado financeiro tradicional, que costuma ser visto como complicado e distante da realidade dessas mulheres.

Mulheres investidoras: um potencial pouco explorado
26%dos investidores da B3são mulheres, apenas 1,4 milhão em um total de 5,5 milhões de investidores.
R$ 26 milsaldo médio no 1º anoquase três vezes o saldo médio dos homens no mesmo período (R$ 9,8 mil).
R$ 34 bilhõescapital potencial perdidose a participação feminina na bolsa chegasse a 50%, considerando só o primeiro ano.

Esses números chamam atenção porque mostram que, quando as mulheres investem, elas investem melhor. O primeiro aporte médio delas na bolsa é de R$ 167, mais que o dobro dos R$ 62 investidos pelos homens no início. E o saldo acumulado no primeiro ano também é muito maior. O problema não é a qualidade da decisão financeira das mulheres, é o acesso limitado a essa possibilidade.

Enquanto isso, 37% dos apostadores gastam R$ 100 ou mais por mês em apostas, e 11% já apresentam alto risco de dependência do jogo, concentrados justamente nas classes C. É dinheiro que poderia estar formando patrimônio, mas está sendo direcionado para um sistema criado para tirar dinheiro de quem aposta, não para gerar retorno.

Por que isso importa para o seu negócio

Se você lida com finanças, gestão de equipe ou atendimento a clientes, esses dados merecem atenção. Funcionárias, clientes e parceiras de negócio que sejam mulheres, principalmente chefes de família, podem estar mais vulneráveis a essa dinâmica do que se imagina. Entender esse cenário ajuda a pensar em políticas internas de educação financeira, benefícios e até comunicação com o público feminino de forma mais realista e acolhedora, sem julgamento.

A pesquisa também aponta que a culpa e o silêncio dificultam que essas mulheres busquem ajuda. Isso reforça a importância de criar ambientes de trabalho e relações comerciais onde falar sobre dinheiro, dívidas ou dificuldades financeiras não seja motivo de vergonha. Um RH ou um contador atento a esse tema pode fazer diferença real na vida financeira das pessoas ao seu redor, e isso também fortalece a saúde financeira do negócio.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.