Mulheres investem melhor que homens? O que os estudos mostram
25/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Você já ouviu alguém dizer que mulher não sabe lidar com dinheiro? Pois um conjunto de estudos recentes mostra o contrário: mulheres investidoras tendem a ter retornos melhores, mais disciplina e mais capacidade de honrar dívidas do que os homens. Isso vale tanto para quem administra as finanças da própria casa quanto para quem toca um negócio, e é um dado relevante para qualquer gestor pensar como trata clientes, sócias e colaboradoras nas decisões financeiras.
O estudo "Elas Pagam a Conta", apresentado no Download Fin4She Summit, reuniu mais de 100 pesquisas acadêmicas e entrevistas com 500 mulheres para desafiar ideias antigas sobre a relação feminina com dinheiro. A conclusão central é simples: o estereótipo da mulher gastadora, descontrolada ou sem ambição financeira não resiste aos dados.
O que os números mostram
Apesar de ainda representarem apenas 25% dos investidores na Bolsa de Valores brasileira, segundo levantamento da B3, as mulheres que investem apresentam desempenho superior. Um estudo da Warwick Business School, no Reino Unido, mostra que as carteiras femininas rendem entre 1,8% e 1,9% mais ao ano do que as dos homens. Nos Estados Unidos, dados da Fidelity Investments confirmam a tendência, com retornos entre 0,4% e 2% maiores para as investidoras.
A explicação está no comportamento diante do risco. Homens investem mais por intuição e confiança excessiva, o que os leva a vender ativos em momentos de pânico com 87% mais frequência e a realizar 45% mais operações de compra e venda, o que aumenta custos com taxas e impostos. Mulheres, por outro lado, mantêm posições com mais frequência durante quedas do mercado: 51% delas seguram os investimentos, contra 43% dos homens.
O peso das dívidas e do "Pix invisível"
Se mulheres investem melhor, por que tantas relatam dificuldade para fechar as contas no fim do mês? O estudo aponta que 59% das dívidas femininas estão ligadas a compras de supermercado, e 42% a gastos com medicamentos e tratamentos médicos, ou seja, despesas essenciais, não consumo supérfluo. As apostas online também entraram na conta: uma pesquisa do estúdio Clarice, Estratégia Latina e Instituto Ideia mostra que quatro em cada dez mulheres brasileiras já apostaram ou apostam em plataformas online, e muitas acabam assumindo dívidas de bets contraídas por maridos ou filhos. Entre as apostadoras, 7% já pegaram dinheiro com agiotas.
Ainda assim, mulheres pagam mais e melhor. Nos feirões de renegociação do Serasa, elas fecham 25% mais acordos e quitam 11,6% mais dívidas do que os homens, mesmo recebendo salários menores. Isso ajuda a explicar por que o crédito para consumo costuma ser mais acessível a elas: o mercado sabe que essas dívidas tendem a ser pagas.
Outro ponto levantado pelo estudo é o chamado "Pix invisível": mesmo quando as despesas grandes de uma casa, como aluguel e plano de saúde, são divididas de forma igualitária entre o casal, é a mulher quem geralmente absorve os pequenos gastos do dia a dia, como lanche escolar, remédio dos pais ou transporte. Esses valores, somados, pesam no orçamento pessoal e ajudam a explicar por que o dinheiro raramente sobra, mesmo com bom desempenho financeiro.
Para empresários e gestores, esses dados são um convite a repensar práticas: desde a forma como produtos financeiros são oferecidos a clientes até como se avalia a capacidade de pagamento e investimento de sócias e colaboradoras. Reconhecer esse perfil de comportamento financeiro mais disciplinado pode significar melhores condições de crédito, parcerias mais equilibradas e decisões de investimento mais assertivas dentro e fora da empresa.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
