Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Michael Dell, fundador da Dell Technologies, assumiu nesta quarta-feira a segunda posição no ranking de bilionários da Forbes, superando Larry Page, cofundador da Alphabet. O avanço aconteceu depois que as ações da Dell subiram e levaram o patrimônio pessoal dele a US$ 273,2 bilhões, o equivalente a R$ 1,366 trilhão. Ele agora fica atrás apenas de Elon Musk, dono da Tesla.
Embora a notícia trate de um caso pessoal, ela ilustra algo relevante para qualquer empresário: o tamanho do impacto que a corrida da inteligência artificial está causando na economia real. A valorização de empresas ligadas à infraestrutura de tecnologia tem sido tão forte que consegue reorganizar, em poucos dias, a lista dos homens mais ricos do planeta.
O que explica a alta
O movimento começou na terça-feira, quando Dell já havia subido para a terceira posição do ranking após um ganho de US$ 4,6 bilhões em seu patrimônio. Na manhã de quarta-feira, as ações da Dell Technologies avançaram mais 4%, atingindo a máxima histórica de US$ 555,31. Como Michael Dell ainda detém pessoalmente cerca de 40% da empresa, essa alta se traduziu diretamente em mais riqueza para ele, algo em torno de US$ 6,3 bilhões, ou R$ 31,5 bilhões, em um único dia.
Ao mesmo tempo, o patrimônio de Larry Page recuou cerca de 2,7% no mesmo período, o que reduziu sua fortuna para US$ 270,3 bilhões. A combinação dos dois movimentos, a Dell subindo e a Alphabet perdendo valor, foi o que permitiu a troca de posições no ranking.
De fabricante de computadores a fornecedora de infraestrutura de IA
A empresa que Dell fundou aos 19 anos, em 1984, deixou de ser apenas uma fabricante de computadores pessoais e passou a ser uma das principais fornecedoras de hardware voltado à inteligência artificial. A demanda por servidores de alto desempenho e por estruturas de armazenamento de dados cresceu de forma acelerada, e a empresa registrou receita recorde nesse período.
Esse é o pano de fundo que explica por que a fortuna de Dell mais que dobrou neste ano. Além da participação na própria empresa, ele concentra parte de seu patrimônio na DFO Management, sua empresa privada de investimentos, que atua em hotéis e crédito corporativo. Ele também tem uma participação bilionária na Broadcom, outra empresa beneficiada pelo avanço da infraestrutura de hardware para inteligência artificial.
Com a nova posição, Michael Dell passou a ter um patrimônio maior que o de nomes como Jeff Bezos, da Amazon, Larry Page e Sergey Brin, do Google, Mark Zuckerberg, da Meta, e Larry Ellison, da Oracle. O caso reforça um sinal que já vem aparecendo em diversos setores: empresas ligadas à infraestrutura de tecnologia e dados para inteligência artificial estão entre as que mais criam valor neste momento.
Vale registrar também o lado filantrópico da história. Michael e Susan Dell ocupam a 16ª posição na lista da Forbes de pessoas mais generosas de 2026, com US$ 3,3 bilhões doados ao longo da vida. O casal se comprometeu recentemente a destinar US$ 6,25 bilhões para criar contas de investimento para crianças e doou US$ 750 milhões para um hospital e um campus de pesquisa na Universidade do Texas em Austin, instituição onde Dell estudava quando fundou a empresa.
Para o empresário brasileiro, o episódio funciona como um termômetro do momento econômico global. A velocidade com que a valorização de ações ligadas à inteligência artificial redesenha rankings bilionários mostra o tamanho da transformação em curso nesse setor, e reforça a importância de acompanhar como essas mudanças podem afetar fornecedores, parceiros e clientes que dependem, direta ou indiretamente, dessa cadeia de tecnologia.
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