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Crédito digital: BC prepara regras contra ofertas enganosas em apps

09/09/2026 17:004 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

O Banco Central está preparando novas regras para organizar a forma como bancos e fintechs oferecem crédito pelos aplicativos. A proposta, ainda em elaboração, deve ser apresentada nos próximos meses e tem um objetivo claro: tornar mais transparente a oferta de empréstimos digitais e evitar que clientes contratem dívidas sem entender de fato quanto vão pagar. O tema ganha força num momento em que o endividamento das famílias brasileiras está em nível recorde.

Se você é empresário, esse assunto pode parecer distante do seu negócio, mas não é. Muitas empresas recorrem a crédito digital para capital de giro, e sócios e funcionários também usam esses aplicativos no dia a dia. Entender como as regras podem mudar ajuda a tomar decisões mais conscientes e a orientar melhor quem depende de crédito para se manter em dia.

O que muda

O ponto central da discussão é a maneira como o crédito pré-aprovado aparece nas telas dos aplicativos financeiros. O Banco Central identificou que, em muitos casos, esses valores ganham destaque visual, com cores chamativas e posição privilegiada na tela inicial, o que pode induzir a contratação por impulso. A avaliação não se limita a saber se a instituição informou a taxa de juros corretamente: o órgão quer entender se toda a jornada, do primeiro clique até a confirmação do empréstimo, permite que o cliente compreenda o que está assinando.

Outro ponto observado é a chamada "arquitetura da escolha", estratégia usada por algumas instituições para organizar o ambiente digital de forma que influencie a decisão do usuário. Uma pesquisa da FGVCemif com a consultoria Plano CDE, que avaliou 15 aplicativos de bancos e fintechs, encontrou práticas como destacar o crédito ao lado de sugestões de uso do dinheiro (reforma, viagem, pagamento de dívidas) ou vincular o limite do cartão a outras formas de empréstimo, como o Pix parcelado. Em alguns apps de varejo, foram encontrados até botões que podem confundir o cliente entre comprar um produto e contratar crédito.

Prática identificada pelo BC

  • Crédito pré-aprovado em destaque na tela inicial
  • Contratação em poucos cliques, com pouca reflexão
  • Foco no valor da parcela, sem clareza do custo total

O que o BC quer garantir

  • Transparência real sobre juros e encargos
  • Jornada digital que favoreça a compreensão
  • Educação financeira integrada à experiência do app

A pesquisa também mostrou que a "dor do pagamento" diminui no ambiente digital: como a contratação é rápida e feita em poucos toques, o consumidor tende a avaliar a operação apenas pelo valor da prestação mensal, sem perceber o custo total do contrato. Segundo o levantamento, bancos tradicionais costumam informar juros e valor total das parcelas de forma mais explícita, enquanto as fintechs apresentam ofertas consideradas mais agressivas, usando com mais frequência recursos de persuasão visual.

Quem é afetado

As novas regras vão atingir diretamente bancos e fintechs que oferecem crédito por aplicativo, mas o efeito prático chega também a empresas e pessoas físicas que usam esses serviços. Instituições como Nubank e Mercado Pago, representadas pela associação Zetta, defendem que jornadas simples e linguagem acessível não significam, por si só, estímulo ao endividamento. Já a Febraban afirma que os bancos já seguem normas de oferta responsável de crédito, incluindo análise da capacidade de pagamento antes da concessão.

Vale lembrar que a proposta não cria um marco regulatório totalmente novo. A ideia é detalhar e reforçar regras já existentes, como a Resolução 4.949, em vigor desde 2021, que trata da relação entre instituições financeiras e clientes. O Ministério da Fazenda também acompanha o assunto e já avançou em pelo menos uma medida: uma resolução do Conselho Monetário Nacional, publicada em abril de 2026 sobre portabilidade de salário, que exige das instituições ética, responsabilidade e transparência na oferta de crédito.

Como se preparar

Para quem administra uma empresa, o recado prático é: antes de aceitar qualquer crédito pré-aprovado que apareça no aplicativo do banco, vale a pena parar e calcular o custo total da operação, não apenas o valor da parcela. Isso vale tanto para crédito empresarial quanto para orientar sócios, familiares e colaboradores que usam esses aplicativos no dia a dia.

Para o setor contábil, o momento reforça a importância de acompanhar de perto as condições de crédito contratadas por clientes pessoa física e jurídica. Como as autoridades estão mais atentas à transparência e à prevenção do superendividamento, profissionais da contabilidade que assessoram empresários em decisões financeiras devem ficar atentos à evolução dessas regras, principalmente no que diz respeito à forma como os custos das operações são apresentados. Mesmo sem data definida para a publicação das novas normas, já é possível adotar uma postura mais criteriosa: revisar contratos de crédito em andamento, questionar o custo efetivo total de qualquer oferta e evitar decisões financeiras tomadas apenas pela facilidade da tela do aplicativo.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.