Mercado de recuperação muscular bilionário: o efeito Haaland nas marcas
09/08/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 25 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de E-commerce e Marketplace, atualizado a cada mudança de norma.
Você provavelmente já viu algum vídeo de Erling Haaland sentado de pernas cruzadas, em posição de meditação, logo depois de marcar um gol. O que parecia apenas um hábito pessoal do atacante norueguês virou símbolo de um movimento muito maior: a explosão do mercado de recuperação física, que hoje soma US$ 3,1 bilhões (R$ 15,75 bilhões) em faturamento global e deve chegar a US$ 12,4 bilhões (R$ 62,99 bilhões) até 2034. Para você que empreende ou gerencia um negócio, essa história vai além do futebol: ela mostra como comportamento de consumo, tecnologia e marketing orgânico podem transformar um nicho em uma indústria bilionária em poucos anos.
Durante o torneio, Haaland se tornou fenômeno também fora de campo. Sem seleção própria disputando os jogos, torcedores chineses o adotaram como ídolo, apelidando-o de "Habao". O resultado: 1,6 milhão de seguidores no Weibo, 5,2 milhões no Douyin e mais de 490 milhões de visualizações em hashtags relacionadas a ele em cerca de um mês. Em campo, o desempenho também impressionou: sete gols em 18 finalizações, taxa de conversão de 39%, a melhor marca de uma Copa do Mundo entre jogadores com pelo menos 15 chutes desde 1986. Esse alcance de audiência é justamente o tipo de vitrine que marcas de bem-estar e recuperação física souberam aproveitar sem gastar um centavo em patrocínio direto ao atleta.
O que muda no mercado de recuperação
Até pouco tempo, recuperação física de atleta se resumia a banheira de gelo e fita esportiva. Hoje, esse universo inclui câmaras de crioterapia, câmaras hipóxicas, botas de compressão, pistolas de massagem, óculos com filtro de luz azul e até anéis inteligentes para monitorar sono, itens que fazem parte da rotina relatada pelo próprio Haaland. Empresas como a Hyperice, que nasceu de uma conversa informal com Kobe Bryant sobre o desconforto de bolsas de gelo, e a KANE Footwear, criada por um ex-atleta universitário de lacrosse, transformaram esse cuidado em produto de consumo em massa. A KANE, por exemplo, desenvolveu calçados específicos para o período entre o treino e o descanso, uma espécie de categoria intermediária entre o tênis de performance e o chinelo do dia a dia.
O detalhe que interessa a qualquer gestor é a estratégia de crescimento dessas empresas. Em vez de apostar em contratos caros de patrocínio esportivo, a KANE construiu presença orgânica em times da NBA, 26 franquias da NFL e mais de 60 programas universitários, de Nebraska a Stanford. A Hyperice, por sua vez, aproveitou a Copa do Mundo para montar salas de recuperação nos hotéis das seleções pela América do Norte, resolvendo um problema logístico real (deslocamentos curtos entre cidades) e, ao mesmo tempo, ganhando visibilidade sem depender de contratos formais com a FIFA.
| Mercado | Valor atual (aprox.) | Projeção futura |
|---|---|---|
| Recuperação muscular (global) | US$ 3,1 bilhões | US$ 12,4 bilhões até 2034 |
| Calçados de recuperação | não informado | US$ 26,7 bilhões até 2033 |
Quem é afetado por essa tendência
Esse movimento não fica restrito a clubes de futebol ou ligas profissionais. A lógica que sustenta o crescimento desse setor, produtos antes restritos a atletas de elite se tornando acessíveis ao consumidor comum, é a mesma que já transformou outros mercados de bem-estar, de suplementos a academias boutique. A KANE relatou, em pesquisa própria feita 90 dias após a compra, que 78% dos consumidores com problemas plantares sentiram alívio moderado a elevado após duas semanas de uso regular do calçado. Ou seja, o público não é mais só o atleta profissional: é qualquer pessoa disposta a pagar por conforto e recuperação física, inclusive quem só torceu sentado no sofá durante o torneio.
Para negócios ligados a varejo, franquias, academias, clínicas de fisioterapia ou até e-commerce de produtos de bem-estar, esse é um sinal de oportunidade real de mercado. Empresas que conseguem posicionar produtos como parte de uma rotina, e não apenas como item avulso, tendem a criar recorrência de compra e fidelização, exatamente o que aconteceu com marcas que associaram seus produtos ao "pacote completo" de recuperação mencionado por Haaland: sono, alimentação, treino e descanso.
Como se preparar para aproveitar a tendência
Se você tem um negócio que possa se conectar, direta ou indiretamente, a saúde, bem-estar ou performance física, vale observar de perto essa movimentação. O crescimento projetado para os próximos anos (mais que triplicando no caso da recuperação muscular) indica espaço para novos entrantes, parcerias e produtos complementares. A lição de marketing também é valiosa: tanto a Hyperice quanto a KANE cresceram apostando em presença orgânica e em resolver problemas concretos de seus públicos, em vez de depender exclusivamente de contratos de patrocínio caros e exclusivos.
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