Marcopolo aposta em elétrico, etanol e IA para descarbonizar o transporte
05/09/2026 10:424 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você atua no setor de transporte ou depende dele para seu negócio, vale entender uma mudança de mentalidade que está em curso na indústria de ônibus. A Marcopolo, fabricante gaúcha com 77 anos de história e presença em sete países, decidiu não apostar todas as fichas em uma única tecnologia para reduzir a poluição do transporte coletivo. A empresa aposta em vários caminhos ao mesmo tempo: elétrico, híbrido a etanol, gás, biometano e até hidrogênio, cada um adequado à realidade de cada mercado.
Por que não existe uma solução única
Segundo o CEO da companhia, André Armaganijan, tratar a descarbonização como uma escolha simples entre diesel e elétrico é um erro de leitura. Cada país tem sua própria matriz energética, infraestrutura viária e capacidade de investimento, e isso exige respostas diferentes. Por isso a empresa investe simultaneamente em diferentes tecnologias, ajustando a oferta à realidade local em vez de empurrar uma solução padronizada para todos os mercados.
Essa lógica fica clara na forma como a empresa organiza sua produção. Com fábricas no Brasil, Argentina, Colômbia, México, África do Sul, China e Austrália, a Marcopolo desenvolveu um sistema em que boas ideias criadas em um país são aproveitadas em outros. Um exemplo prático: uma técnica de montagem de carroceria criada na Austrália, com alumínio parafusado em vez de soldado, passou a ser usada também em produtos vendidos em outros mercados. Da mesma forma, peças mais leves testadas em locais com restrição de peso acabaram sendo adotadas em outras regiões.
O que muda na frota elétrica e nos novos modelos
Um dos efeitos mais concretos dessa estratégia foi a decisão da empresa de passar a desenvolver o próprio chassi dos ônibus elétricos, função que antes cabia a outros fornecedores. Isso aconteceu porque a demanda por elétricos na América Latina cresceu mais rápido do que a oferta disponível no mercado. Hoje a empresa já vendeu mais de 1.500 ônibus elétricos no mundo, com combinações diferentes conforme o país: carroceria própria sobre chassi importado em alguns lugares, tecnologia europeia em São Paulo e produção completa em cidades como Belo Horizonte e Porto Alegre.
Para quem opera frotas, um dos lançamentos mais interessantes é o híbrido a etanol desenvolvido pela empresa. Trata-se de um veículo elétrico movido por um motor gerador a etanol, que usa menos baterias e tem custo de manutenção mais competitivo. A ideia resolve, na prática, o maior obstáculo da eletrificação pura: a falta de infraestrutura de recarga em boa parte do país. Se você opera ou contrata transporte coletivo, essa alternativa pode significar menos dependência de investimentos pesados em pontos de recarga.
A empresa também está de olho em outras frentes conforme a realidade energética de cada país. Na Argentina, com as reservas de Vaca Muerta, o gás ganha espaço. No Brasil, cresce a instalação de usinas de biometano. Já o hidrogênio ainda depende de reduzir custos de produção, mas se mostra promissor para trajetos longos.
O que isso significa para operadores e gestores
Além da tecnologia dos veículos, há uma mudança regulatória que interessa diretamente a quem opera transporte público: o novo marco legal do setor separa a tarifa que o passageiro paga da tarifa técnica que remunera o operador. Na visão do CEO da Marcopolo, essa separação é o que pode destravar a viabilidade financeira do setor e dar segurança jurídica para novos investimentos, condição considerada essencial para que a descarbonização avance de forma sustentável.
Outro ponto que merece atenção é o uso de inteligência artificial, tanto no produto quanto nos processos internos da empresa. Nos veículos, a tecnologia já monitora sinais de fadiga do motorista e ajusta automaticamente a distribuição do ar-condicionado. Internamente, ela ajuda a organizar tarefas que vão da engenharia até compras e finanças, tornando a operação mais ágil. A empresa também expandiu sua atuação para o modal ferroviário, com trens operando no Chile e em Teresina, além de novos pedidos em produção no Rio Grande do Sul, mostrando que a lógica de diversificação vale também para além do ônibus.
Se você trabalha com logística, transporte de passageiros ou gestão de frotas, o recado prático é: não existe mais uma única rota de modernização a seguir. A escolha da tecnologia certa, seja elétrico, híbrido a etanol, gás ou outra opção, deve considerar a infraestrutura disponível na sua região, o custo de manutenção e a viabilidade financeira do seu negócio no médio prazo. Ficar atento às mudanças regulatórias do setor também é fundamental para planejar investimentos com mais segurança.
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