OpenAI vai fabricar robô humanoide: o que isso muda para empresas de IA
06/09/2026 05:064 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A OpenAI confirmou que está construindo um robô humanoide. A informação foi dada pelo próprio CEO da empresa, Sam Altman, em entrevista a um podcast. Segundo ele, a companhia "definitivamente" fará um humanoide e também deve desenvolver outros formatos de robôs. A declaração chama atenção porque a OpenAI é uma das empresas mais relevantes do mundo em inteligência artificial, e até agora era vista principalmente como fornecedora de "cérebro" digital para robôs fabricados por terceiros.
Para você que administra uma empresa, especialmente se atua com tecnologia, automação industrial ou logística, esse movimento importa porque pode mudar as regras do jogo. Até então, era comum que empresas de robótica comprassem ou fizessem parcerias para usar a inteligência artificial de grandes fornecedores, mantendo o controle sobre a fabricação física dos robôs. Se a própria OpenAI passa a fabricar o corpo do robô além do software que o comanda, isso reduz o espaço para parcerias e aumenta a concorrência direta com fabricantes de hardware.
O que muda
Segundo Altman, o desafio maior não está em construir o corpo do robô, mas em desenvolver a inteligência artificial capaz de controlá-lo de forma eficiente. Ainda assim, a OpenAI decidiu não terceirizar essa parte física. A empresa já tem 19 vagas abertas na área de robótica, todas em São Francisco, um número que cresceu rapidamente desde o lançamento da divisão, quando eram 11 posições. Boa parte dessas vagas é voltada para atuadores, peça considerada uma das mais caras e difíceis de conseguir na fabricação de robôs humanoides.
Esse detalhe é importante para o seu negócio entender a dimensão da aposta: atuadores podem representar entre 40% e 60% do custo total dos materiais de um robô, conforme dados citados na reportagem original. Além disso, a fabricação desses componentes depende fortemente de fornecedores concentrados na China, que controla grande parte da mineração de terras raras e do processamento de ímãs usados nessas peças. Construir um robô avançado sem depender de fornecedores chineses pode custar quase três vezes mais, segundo estimativas mencionadas na reportagem.
Quem é afetado
O movimento da OpenAI é um sinal de alerta para empresas de robótica que dependem de parcerias com grandes fornecedores de inteligência artificial. A Figure AI, por exemplo, recebeu US$ 675 milhões da OpenAI em 2024, mas encerrou a parceria um ano depois para desenvolver sua própria tecnologia internamente. O motivo declarado pelo CEO da Figure foi que não é possível terceirizar inteligência artificial da mesma forma que não se terceiriza o hardware, quando o objetivo é competir de verdade nesse mercado.
Outras empresas seguem caminhos diferentes. A Nvidia, o Google DeepMind e a Skild AI, por exemplo, continuam apostando apenas no desenvolvimento da inteligência artificial, deixando a fabricação física dos robôs para outras companhias. Já a Tesla enfrenta dificuldades práticas nesse setor: mesmo sendo uma fabricante de hardware experiente, a empresa não conseguiu, segundo declarações do próprio Elon Musk, fazer seu robô Optimus realizar trabalho útil dentro das fábricas, e não atingiu a meta de produção prevista para 2025.
Se você é gestor de uma empresa que usa ou pretende usar automação e robótica no negócio, vale observar esse cenário com atenção. A disputa entre gigantes de tecnologia para dominar tanto o "cérebro" quanto o "corpo" dos robôs pode acelerar o desenvolvimento de soluções mais completas, mas também pode encarecer o acesso a essas tecnologias no curto prazo, já que menos empresas podem ficar responsáveis por toda a cadeia produtiva.
Como se preparar
Ainda não há data de lançamento, meta de produção ou parceiro de fabricação definido para o robô humanoide da OpenAI. Por isso, não é o momento de tomar decisões precipitadas baseadas apenas nesse anúncio. O mais indicado é acompanhar como as grandes fornecedoras de inteligência artificial e robótica vão se posicionar nos próximos meses, especialmente se você depende de automação em processos produtivos ou logísticos.
Para o empresário que avalia investir em automação ou parcerias tecnológicas, o recado prático é: mapeie bem quem fornece o quê na cadeia de valor da inteligência artificial e da robótica antes de fechar contratos de longo prazo. Fornecedores que hoje trabalham apenas com "cérebro" de IA podem, no futuro, decidir fabricar também o hardware, como fez a OpenAI, e isso pode alterar condições comerciais, prazos e até a disponibilidade de suporte técnico especializado.
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