Madeira engenheirada: por que empresas apostam nesse material sustentável
19/08/2026 11:124 min de leituraAtualizado há 15 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
Se você atua no setor de construção, incorporação ou mesmo administra um negócio que está de olho em sustentabilidade, vale entender um movimento que vem crescendo fora do Brasil: o uso da chamada madeira engenheirada, um material estrutural que substitui aço e concreto em prédios e casas. A ideia não é nova (surgiu na Europa nos anos 1990), mas está ganhando força agora porque une dois interesses que hoje pesam nas decisões de investimento: sustentabilidade e redução de custo operacional.
Na prática, essa madeira é produzida em painéis colados ou laminados, formando peças estruturais resistentes, capazes de substituir vigas e lajes de concreto. O grande atrativo é que ela retém carbono durante toda a vida útil do prédio, ao contrário do concreto e do aço, que emitem carbono na fabricação. Isso tem atraído empresas ligadas a critérios ESG (ambientais, sociais e de governança), que buscam formas de reduzir a pegada de carbono de seus empreendimentos sem abrir mão de qualidade construtiva.
Por que empresas de tecnologia estão entrando nesse mercado
O que chama atenção nesse movimento é a entrada de startups de tecnologia nesse setor tradicionalmente pouco digitalizado. Empresas como a Cambium, dos Estados Unidos, usam dados e inteligência artificial para organizar a cadeia de fornecimento de madeira, hoje marcada por desperdício e falta de coordenação. Segundo a empresa, uma parcela relevante da madeira descartada anualmente no mercado americano poderia ser reaproveitada para suprir boa parte da demanda atual, mas isso não ocorre por falta de rastreabilidade e de padronização comercial.
Outras empresas, como a Mosaic Timber e a Generate.design, atacam etapas específicas do processo: a primeira fabrica painéis leves e resistentes ao fogo a partir de madeira de menor porte, útil inclusive na reconstrução de casas destruídas por incêndios; a segunda automatiza o cálculo de materiais e orçamento para projetos que usam madeira estrutural, reduzindo o tempo de planejamento de semanas para poucos dias. Isso importa porque um dos maiores obstáculos para adotar esse material é a dificuldade de estimar custos com precisão, o que normalmente leva empresas a inflar orçamentos por excesso de cautela.
O que isso significa na prática para quem constrói
Para quem avalia usar esse tipo de material em um projeto, o ponto central é o equilíbrio entre custo e prazo. A matéria-prima pode ser mais cara na compra, mas a montagem em obra é mais rápida, já que as peças chegam pré-fabricadas, o que reduz gastos com mão de obra e tempo de canteiro. Segundo estimativas citadas por uma das empresas do setor, o uso desse tipo de madeira pode reduzir em cerca de 30% as emissões de carbono em comparação ao concreto, e, dependendo do reaproveitamento futuro das peças, o saldo de carbono do prédio pode ficar até negativo.
Além do argumento ambiental e de custo, há um fator menos óbvio, mas que já entra na conta de incorporadores: o bem-estar de quem mora ou trabalha em ambientes com madeira aparente. Pesquisas citadas na reportagem original associam esse tipo de ambiente, chamado de biofílico, a melhora de indicadores como frequência cardíaca, nível de estresse e até desempenho cognitivo. Isso tem sido usado como argumento comercial por fabricantes que investem em projetos residenciais com madeira estrutural, caso da Mercer, que já aplicou a tecnologia em empreendimentos de vários andares nos Estados Unidos.
Para o empresário brasileiro, ainda que esse mercado esteja mais avançado fora do país, o movimento sinaliza uma tendência que tende a chegar por aqui: financiamento e crédito cada vez mais atrelados a critérios de sustentabilidade, e clientes finais mais atentos ao impacto ambiental e ao bem-estar proporcionado pelo imóvel. Empresas do setor de construção, incorporação e até fornecedores de insumos podem começar a mapear, desde já, fornecedores e tecnologias ligadas a esse tipo de material, ainda que a adoção em larga escala no Brasil deva ser gradual.
Na GL Inteligência Contábil, reforçamos que decisões de investimento ligadas a sustentabilidade também têm reflexo tributário e contábil, seja por incentivos fiscais associados a práticas ESG, seja pelo planejamento de custos de obras que envolvem materiais e processos diferentes dos tradicionais. Se sua empresa avalia entrar nesse tipo de projeto, vale conversar com o contador antes de fechar contratos, para entender o impacto no fluxo de caixa e nas obrigações fiscais envolvidas.
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