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23/07/2026 16:43· 3 min de leitura· Tecnologia
Atualizado há 2 horas

Lucro da Nokia no 2º Tri Supera Expectativas com Vendas de IA e Nuvem Dobrando

Lucro da Nokia no 2º Tri Supera Expectativas com Vendas de IA e Nuvem Dobrando
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A fabricante finlandesa de equipamentos de telecomunicações Nokia divulgou um resultado trimestral acima do esperado pelos analistas, puxado principalmente pela demanda de empresas que constroem data centers para inteligência artificial e serviços de nuvem. O lucro operacional comparável cresceu 18%, chegando a 434 milhões de euros, enquanto as vendas líquidas somaram 4,82 bilhões de euros, ambos os números superando as projeções de mercado.

O destaque, porém, foi o salto nos pedidos ligados a IA e nuvem: 2,8 bilhões de euros no trimestre, quase três vezes o volume registrado no período anterior. Segundo o presidente-executivo da Nokia, Justin Hotard, esse movimento reflete um comportamento estratégico dos clientes desse setor, que conhecem bem a cadeia de suprimentos e estão antecipando compras diante da escassez de componentes.

Os números do trimestre

Para entender a dimensão da mudança, vale comparar os principais indicadores divulgados pela empresa:

IndicadorResultadoComparação
Lucro operacional comparável434 milhões de euros18% acima do trimestre anterior; superou estimativa de 382 milhões de euros
Vendas líquidas comparáveis4,82 bilhões de eurosAcima das estimativas de mercado
Vendas para clientes de IA e nuvem446 milhões de eurosDobrou em relação ao trimestre anterior
Novos pedidos de IA e nuvem2,8 bilhões de eurosQuase três vezes os 1 bilhão de euros do trimestre anterior

O repasse de custos como estratégia de sobrevivência

Um ponto que merece atenção de qualquer gestor é a forma como a Nokia lidou com o encarecimento repentino dos chips de memória, provocado pela forte demanda do próprio setor de inteligência artificial. Segundo Hotard, quando não é possível absorver esse custo extra redesenhando o produto, a empresa simplesmente repassa o valor ao cliente. É uma decisão que parece simples no papel, mas que exige planejamento tributário e de precificação bem afinado, já que qualquer repasse mal calculado pode corroer margem ou afastar clientes.

A concorrente sueca Ericsson vive situação parecida e já alertou o mercado sobre a pressão dos custos de memória sobre seus resultados, o que derrubou suas ações. Esse cenário mostra como um insumo específico, no caso os chips, pode se tornar um fator crítico de risco para empresas de setores inteiros, e não apenas para quem fabrica os componentes diretamente.

Investimento em produção própria como resposta ao risco de escassez

Além de repassar custos, a Nokia está investindo em capacidade própria de produção, ampliando testes e embalagem avançada de chips na Pensilvânia e adquirindo uma fábrica no Arizona para produzir fosfeto de índio, material essencial para a fotônica, tecnologia que usa luz em fibras ópticas no lugar de sinais elétricos em fios de cobre. A medida busca reduzir a dependência de fornecedores chineses, que hoje dominam a produção desse insumo.

Para empresários brasileiros, o caso da Nokia funciona como um retrato antecipado de um movimento que já chega ao Brasil: a corrida por infraestrutura de IA está aquecendo cadeias de suprimentos inteiras, encarecendo componentes eletrônicos e pressionando margens de empresas que dependem de tecnologia importada. Quem trabalha com equipamentos, hardware, telecomunicações ou até serviços de nuvem revendidos localmente deve ficar atento a esse efeito cascata nos custos.

Como se preparar

Se sua empresa depende de insumos tecnológicos importados ou presta serviços ligados a infraestrutura digital, vale revisar contratos de fornecimento e cláusulas de reajuste antes que a alta de preços chegue sem aviso. Também é o momento de conversar com sua contabilidade sobre como estruturar repasses de custo de forma que não comprometam a margem nem gerem problemas tributários. Antecipar esse tipo de decisão, como fez a Nokia, costuma ser mais barato do que reagir depois que o aperto já chegou ao caixa.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.

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