"Estamos Vivendo uma Sequência Contínua de Choques": Janet Yellen Aponta as Três Forças Que Estão Remodelando a Economia Global

Se você sente que ficou mais difícil planejar preços, fechar contratos de longo prazo ou prever o custo de insumos nos últimos anos, não é impressão sua. Em entrevista à Forbes Brasil durante o XP Expert, a ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos Janet Yellen resumiu esse momento com uma frase direta: estamos vivendo uma sequência contínua de choques. Ou seja, a economia global deixou de ser marcada por uma grande crise seguida de estabilidade e passou a operar sob pressões que se sobrepõem o tempo todo, dificultando previsões de inflação, juros e investimento.
Para quem administra uma empresa, isso tem efeito direto: os modelos de previsão que funcionavam antes, baseados em ciclos mais previsíveis de alta e baixa, perdem eficácia. Yellen aponta três forças específicas que explicam por que essa instabilidade se tornou estrutural, e não passageira. Entender cada uma delas ajuda você a antecipar riscos no seu setor, principalmente se sua empresa depende de importação, energia ou tecnologia.
O que muda com o retorno do protecionismo
A primeira força é a volta das tarifas de importação, especialmente as adotadas pelos Estados Unidos, incluindo as que atingem produtos brasileiros. Yellen foi clara ao dizer que não vê benefício real dessa política para os próprios americanos e que ela prejudica o Brasil. Segundo ela, a ideia de que tarifas resolvem déficits comerciais tem pouco respaldo entre economistas. Na prática, esse tipo de barreira encarece produtos importados, eleva custos ao longo da cadeia de produção e dificulta o controle da inflação, mesmo em países que não são alvo direto da medida.
Se sua empresa importa insumos, componentes ou máquinas, ou exporta para mercados afetados por essas disputas comerciais, esse cenário pode significar reajustes de preço mais frequentes e maior instabilidade em contratos internacionais. Vale reforçar o acompanhamento de custos de importação e revisar cláusulas contratuais que protejam sua margem diante de oscilações cambiais e tarifárias.
Petróleo e inteligência artificial: dois riscos que pressionam custos
O segundo choque continua vindo da energia. Mesmo com a inflação mais controlada do que nos picos de 2022, Yellen considera que uma nova disparada no preço do petróleo segue como um dos principais riscos para a economia mundial. Isso porque o petróleo não afeta apenas o combustível: ele encarece transporte, logística, produção industrial e alimentos. Para empresas de qualquer setor, um novo choque de preço no barril tende a se espalhar rapidamente pela cadeia de custos, e os bancos centrais têm menos ferramentas para conter esse tipo de inflação apenas subindo os juros.
O terceiro fator surpreende por vir de uma tecnologia associada a ganhos de produtividade: a inteligência artificial. Segundo Yellen, antes de gerar eficiência, a IA está exigindo investimentos bilionários em data centers, infraestrutura elétrica e semicondutores, o que aumenta o consumo de energia e pressiona preços em diversos setores. Ou seja, no curto prazo, a IA ainda pesa mais como fonte de custo do que como fonte de economia, contrariando a expectativa de que ela reduziria preços rapidamente.
| Força | Origem | Impacto prático para empresas |
|---|---|---|
| Protecionismo comercial | Tarifas de importação, disputas entre países | Custos mais altos em cadeias de suprimento e exportação |
| Petróleo | Riscos no mercado global de energia | Alta em transporte, logística e produção industrial |
| Inteligência artificial | Investimento em infraestrutura e energia | Pressão de custos antes dos ganhos de eficiência |
Como se preparar diante desse cenário
A avaliação de Yellen deixa um recado importante para gestores: os três fatores têm origens diferentes, políticas comerciais, mercado de energia e transformação tecnológica, mas todos atuam do lado da oferta, encarecendo produção e tornando a inflação mais resistente a quedas rápidas. Isso ajuda a explicar por que, mesmo após ciclos de juros altos em várias economias, a inflação segue difícil de controlar em diversos países.
Para o seu negócio, o recado prático é que o planejamento financeiro precisa considerar mais cenários de instabilidade, e não apenas um roteiro de recuperação seguida de estabilidade. Isso vale para revisão de preços, negociação de contratos com fornecedores, hedge cambial quando aplicável e atenção redobrada a setores expostos a energia e comércio exterior. Empresas que monitoram de perto esses três fatores, tarifas, petróleo e custos ligados à IA, tendem a reagir mais rápido a mudanças bruscas de custo e evitar surpresas na margem.
Na prática, o cenário descrito por Yellen reforça algo que já vínhamos recomendando: previsões de longo prazo precisam ser revisadas com mais frequência, e o colchão de segurança financeiro da empresa ganha ainda mais importância. Se você tem dúvidas sobre como esses choques podem afetar o planejamento tributário, o fluxo de caixa ou os contratos da sua empresa, a GL Inteligência Contábil pode te ajudar a organizar esse cenário com mais clareza.
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