Pular para o conteúdo
VoltarTrabalhista

Lindt: acionistas pressionam por mudanças no conselho após saída do CEO

04/11/2026 12:064 min de leituraAtualizado há 54 minutos

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

A fabricante suíça de chocolates Lindt & Spruengli, dona da marca de trufas Lindor, está sob forte pressão de investidores importantes para promover mudanças na sua diretoria. O motivo: erros na definição dos preços dos produtos prejudicaram o valor das ações da empresa e culminaram na demissão do presidente-executivo no mês passado. Mesmo sendo uma notícia do mercado internacional, o caso traz uma lição valiosa para qualquer gestor brasileiro: decisões de preço mal calculadas podem gerar consequências que vão muito além da queda nas vendas, afetando a confiança de investidores, sócios e até a continuidade da liderança de uma empresa.

O que aconteceu

As ações da Lindt caíram cerca de um quarto neste ano, depois que a empresa revisou suas perspectivas de crescimento para baixo e registrou fraco desempenho na Europa. O problema começou quando a companhia decidiu aumentar os preços para compensar a alta no custo do cacau: um reajuste de 19% em 2025 e mais 12% no primeiro semestre de 2026. O próprio presidente da empresa reconheceu que a Lindt avaliou mal a disposição dos consumidores em pagar mais caro pelo produto, o que fez os volumes de vendas despencarem.

Como resultado, a empresa reduziu sua previsão de crescimento para entre 0% e 2%, um número bem distante da média histórica de 10,9% ao ano registrada nos últimos cinco anos. Diante desse cenário, o presidente-executivo Adalbert Lechner foi demitido após dois alertas sobre vendas emitidos ao longo do ano. O diretor da operação alemã também deixou o cargo, e um ex-executivo da empresa assumiu interinamente a presidência enquanto a Lindt busca um substituto definitivo, com previsão de anúncio apenas no segundo trimestre de 2027.

Quem está cobrando mudanças

A saída do CEO não foi suficiente para acalmar os investidores. Cinco grandes acionistas ouvidos sobre o assunto, incluindo três dos 20 maiores investidores da empresa, defendem que a renovação precisa ir além da diretoria executiva e alcançar o próprio conselho de administração. A crítica recai especialmente sobre o presidente do conselho, que também ocupou o cargo de CEO até recentemente e concentra poder na empresa há décadas.

Uma consultoria especializada em governança para acionistas na Suíça reforça esse ponto, afirmando que a Lindt sofreu com a falta de mecanismos de controle adequados dentro do próprio conselho. Segundo essa avaliação, apenas três dos oito membros do conselho seriam considerados independentes, enquanto os fundos de pensão ligados à empresa têm representação desproporcional nas decisões.

Um dos maiores acionistas, que preferiu não se identificar, apontou que o conselho compartilha a responsabilidade pelos erros de precificação e precisa de "sangue novo": seis dos oito membros têm pelo menos 70 anos, e o presidente está no cargo desde 1994. Apesar das críticas, ele reconheceu os méritos históricos do dirigente, mas ponderou que o mercado mudou muito nas últimas três décadas.

O tamanho da crise em números
25%queda nas açõesvalor perdido pelas ações da Lindt neste ano.
0% a 2%nova previsão de crescimentobem abaixo da média histórica de 10,9% ao ano.
31%aumento acumulado de preçosreajustes de 19% em 2025 e 12% em 2026 que afastaram consumidores.

Nem todos concordam com a necessidade de mudanças imediatas. Um segundo grande investidor afirmou compreender a permanência do presidente no cargo e defendeu os aumentos de preços como medida importante para proteger as margens de lucro de uma empresa avaliada em US$ 24 bilhões. Outro acionista ponderou que recuperar as taxas de crescimento anteriores pode ser difícil não só pelos problemas de precificação, mas também por um fator externo: o avanço dos medicamentos para perda de peso à base de GLP-1, que têm o potencial de reduzir o consumo de chocolate de forma geral no mercado.

O presidente da empresa, por sua vez, afirmou publicamente que não pretende deixar o cargo e que sua prioridade agora é recolocar a companhia nos trilhos. Ele mantém uma posição de força dentro da empresa: possui pessoalmente uma fatia relevante das ações e está à frente de dois fundos de pensão que juntos controlam uma parcela significativa dos direitos de voto da companhia.

Para você, empresário ou gestor, o caso da Lindt serve como um alerta prático sobre os riscos de reajustar preços sem medir com precisão a reação do seu público. Aumentar preços para proteger margem é uma decisão legítima e às vezes necessária, especialmente diante de custos crescentes, mas precisa vir acompanhada de uma leitura realista da capacidade e da disposição do cliente em pagar mais. Erros desse tipo não ficam restritos à planilha financeira: eles afetam a confiança de sócios, investidores e da própria equipe de liderança, podendo acelerar mudanças de comando que nem sempre são planejadas da forma mais tranquila.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.