Juros voltam a subir no mundo: o que isso muda para sua empresa
15/09/2026 15:464 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Você provavelmente sente no dia a dia da sua empresa quando o combustível sobe, quando o frete fica mais caro ou quando o fornecedor reajusta o preço do insumo importado. Pois essa mesma pressão está levando os principais bancos centrais do mundo a repensar suas taxas de juros, e a tendência, fora do Brasil, é de alta. Enquanto o Copom deve reduzir a Selic de 14% para 13,75%, Estados Unidos, zona do euro e Japão caminham na direção contrária, o que muda o cenário para quem depende de crédito, câmbio ou insumos importados.
O que está por trás da mudança
O gatilho para esse movimento é o petróleo. Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, no fim de fevereiro, o preço do barril Brent saltou de cerca de US$ 73 para US$ 108,49. Segundo Andressa Durão, economista do Banco ASA, esse choque de oferta de energia não fica restrito aos combustíveis: ele se espalha para transporte, alimentos e serviços, e os salários começam a subir para compensar a perda de poder de compra. O resultado é uma inflação mais persistente, e a resposta clássica dos bancos centrais para esfriar esse processo é encarecer o crédito.
Isso significa que, mesmo sem resolver o problema de origem (a falta de petróleo mais barato), os juros mais altos servem para evitar que essa alta de preços contamine o resto da economia. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, chamou esse fenômeno de "efeitos de segunda ordem" e alertou que a situação pode piorar antes de melhorar.
Quem já está subindo os juros
Nos Estados Unidos, o mercado atribui mais de 92% de probabilidade de alta de 0,25 ponto percentual na próxima decisão do Federal Reserve, levando a taxa para o intervalo de 3,75% a 4%. Na zona do euro, o Banco Central Europeu já elevou sua taxa básica de 2,25% para 2,50%, a segunda alta de 2026. E no Japão, o mercado praticamente já dá como certa uma nova elevação de juros na reunião de setembro, depois de o país levar a taxa a 1% em junho, o maior nível em 31 anos.
Cada uma dessas economias tem um motivo específico para essa reação. Nos Estados Unidos, a inflação medida pelo CPI ficou em 3,4% em 12 meses em agosto, ainda distante da meta de 2%, mas o país conta com um fator de sustentação: os investimentos em inteligência artificial, que, segundo Durão, têm ajudado a manter a economia americana crescendo acima do seu potencial mesmo em um cenário de juros mais altos.
Já a zona do euro está em situação mais delicada. O bloco importa cerca de 97% do petróleo que consome, o que o torna muito mais vulnerável ao choque de preços da commodity. A inflação por lá voltou a subir e chegou a 3,3% em agosto, o maior nível desde setembro de 2023, bem acima da meta de 2% do Banco Central Europeu. A entidade já revisou suas projeções de inflação para os próximos anos e, segundo Durão, a expectativa é de uma desaceleração mais forte da economia europeia, sem chegar a uma recessão, mas com crescimento próximo de zero.
No Japão, o cenário é diferente: o país vem de décadas com inflação praticamente nula e agora enfrenta a desvalorização do iene frente ao dólar, o que encarece as importações, especialmente de energia. Essa combinação levou o governo japonês a intervir, em conjunto com os Estados Unidos, para tentar conter a queda da moeda.
O que isso significa para o seu negócio
Se sua empresa compra insumos importados, negocia com fornecedores internacionais ou tem alguma exposição a câmbio, vale ficar atento: juros mais altos lá fora tendem a fortalecer o dólar e outras moedas fortes, o que pode encarecer produtos vindos do exterior. Além disso, o cenário de petróleo mais caro já está pressionando combustível, energia elétrica e frete, custos que impactam praticamente qualquer negócio, direta ou indiretamente. Mesmo com a Selic em trajetória de queda no Brasil, esse pano de fundo internacional é um fator a considerar no planejamento de preços e custos para os próximos meses.
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