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Jovens no trabalho: por que o especialista fala em "nova espécie", não geração

29/10/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você sente que os profissionais mais jovens da sua equipe pensam, decidem e reagem de um jeito que não bate com o que você conhecia, não é impressão sua. É o que defende Gary Bolles, especialista em futuro do trabalho e autor do best-seller "The Next Rules of Work", em visita recente a São Paulo. Para ele, o mercado de trabalho não está apenas lidando com uma nova geração, mas com uma mudança tão profunda no comportamento das pessoas que ele prefere chamar de "nova espécie" de ser humano.

Bolles esteve na capital paulista para participar do lançamento de um estudo sobre habilidades conduzido pela Unico Skill, plataforma de educação corporativa. Foi sua quarta visita ao Brasil em um ano, e ele destacou que encontra por aqui uma mentalidade mais otimista e faminta por aprender do que em outros países por onde passa.

O que muda na relação com o trabalho

Segundo o especialista, a diferença central está no tipo de informação e estímulo que os mais jovens tiveram desde cedo. Crescer cercado de redes sociais e acesso instantâneo a notícias do mundo todo criou uma forma diferente de processar o ambiente ao redor, o que se reflete diretamente em como essas pessoas encaram emprego, hierarquia e permanência em uma empresa.

Isso já aparece no dia a dia das empresas, segundo relatos que Bolles recolhe de CEOs e líderes: uma das maiores queixas é a impaciência dos profissionais mais jovens e a busca constante por "propósito" no trabalho. Para ele, essa postura não é birra, mas consequência de um acesso mais rápido a informações e oportunidades, o que dá a esses profissionais mais opções do que as gerações anteriores tinham.

O modelo antigo, em que alguém aceitava décadas de chefias duras e ambientes ruins em troca da promessa de estabilidade, perdeu força. Bolles resume essa mudança de forma direta: a carreira deixou de ser uma escada com degraus previsíveis e virou um mapa de trilhas, no qual é comum combinar um emprego formal, um projeto paralelo com amigos e trabalhos extras nos fins de semana.

Quem sente esse impacto

Essa transformação atinge diretamente gestores e empresários que lidam com equipes mais jovens, já que exige repensar como reter talentos, como motivar sem depender apenas da promessa de ascensão na carreira tradicional e como lidar com profissionais que têm, cada vez mais, outras fontes de renda e interesse fora da empresa.

A trajetória de Gary Bolles
27empregos diferentesnos primeiros 10 anos de carreira do especialista.
4visitas ao Brasilem apenas um ano, sinal do interesse pelo país.

O próprio Bolles é um exemplo dessa lógica fora do padrão tradicional. Filho de Richard Nelson Bolles, autor do clássico manual de carreiras "Qual é a Cor do Seu Paraquedas?", ele mal terminou o ensino médio, não tem diploma universitário formal e já passou por 27 empregos diferentes em seus primeiros dez anos de carreira. Ele se identifica como parte do grupo STAR, sigla em inglês para profissionais habilidosos por rotas alternativas, ou seja, pessoas que constroem competência fora do caminho convencional de faculdade e carreira linear.

Como se preparar

Para empresários e gestores, a recomendação prática que surge dessa conversa é menos sobre tentar encaixar os jovens no modelo antigo e mais sobre entender que eles vão buscar múltiplas frentes de trabalho e aprendizado ao mesmo tempo. Isso pode significar repensar benefícios, formas de reconhecimento e até a flexibilidade de horários e projetos dentro da empresa.

Já para quem está no início da carreira, o conselho de Bolles é direto: em vez de gastar energia procurando um "propósito" abstrato, vale mais a pena encontrar um problema real que desperte interesse genuíno e se dedicar a resolvê-lo com tanta competência que o mercado passe a valorizar e pagar por isso.

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