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IPCA-15 recua em agosto: veja o que caiu e o que ainda pesa no bolso

26/08/2026 10:023 min de leituraAtualizado há 7 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O IPCA-15, indicador que funciona como uma prévia da inflação oficial, caiu 0,40% em agosto, segundo o IBGE. É a primeira vez em um ano que o índice fica negativo, e a maior queda desde agosto de 2022. O número também surpreendeu o mercado, que esperava uma queda menor. Para você que administra um negócio, esse resultado é uma boa notícia no curto prazo, mas pede atenção redobrada antes de considerar que a inflação entrou de vez em uma trajetória mais tranquila.

Em 12 meses, o índice desacelerou de 4,52% para 4,24%, ficando abaixo do teto de 4,5% perseguido pelo Banco Central pela primeira vez desde abril. Isso pode aliviar, ainda que de forma parcial, as expectativas sobre juros e custos financeiros, que afetam diretamente o crédito e o planejamento de investimentos das empresas.

O que puxou a queda

Uma fatia importante dessa deflação veio de um fator pontual: a conta de luz. A energia elétrica residencial caiu 6,25% em agosto, por causa da incorporação do bônus de Itaipu, um mecanismo que repassa aos consumidores o saldo positivo da comercialização de energia da usina no ano anterior. Esse desconto é temporário e não representa uma mudança permanente no preço da energia, já que a bandeira tarifária amarela continuou em vigor no mês.

Os transportes também ajudaram bastante: o grupo saiu de alta de 0,11% em julho para queda de 1% em agosto, puxado pela forte redução nas passagens aéreas (13,30% mais baratas) e pela queda nos combustíveis, com destaque para o etanol, a gasolina e o diesel. Já a alimentação no domicílio caiu quase 1%, com tombos expressivos em itens como tomate, batata e cenoura, o que trouxe um respiro real para o orçamento das famílias e, consequentemente, para negócios ligados a alimentação e varejo.

Os principais números do IPCA-15 de agosto
-0,40%Variação em agostoPrimeira deflação do índice em um ano.
4,24%Inflação em 12 mesesFica abaixo do teto de 4,5% da meta pela primeira vez desde abril.
-6,25%Energia elétrica residencialEfeito do bônus de Itaipu, considerado temporário.

O que ainda pressiona os preços

Nem tudo caiu. As despesas pessoais subiram 0,66%, puxadas principalmente pelo reajuste dos cigarros, de 5,56% a partir de agosto. A educação também avançou 0,46%, com destaque para os cursos regulares. Na saúde, os planos de saúde subiram 0,42%, refletindo reajustes autorizados pela ANS, algo que impacta diretamente o custo de benefícios oferecidos por empresas aos seus funcionários. Se você tem colaboradores com plano de saúde corporativo, vale ficar de olho nesse tipo de reajuste no próximo orçamento.

A alimentação fora do domicílio, que inclui restaurantes e lanchonetes, perdeu força mas continuou em alta, passando de 0,55% em julho para 0,42% em agosto. Chama atenção o fato de que, enquanto as refeições desaceleraram, os lanches aceleraram, subindo de 0,30% para 0,75%. Isso mostra que o setor de alimentação fora de casa segue com pressões distintas dependendo do segmento.

Como interpretar esse número no seu negócio

O contraste entre os grupos deixa claro que essa deflação de agosto tem origem em fatores pontuais, como o bônus de Itaipu na conta de luz e quedas específicas em passagens aéreas e alimentos, que podem não se repetir nos próximos meses. Isso significa que, mesmo com o alívio no índice, a pressão inflacionária de fundo não desapareceu, especialmente em serviços, saúde e educação.

Para você, gestor ou empresário, a recomendação prática é não tratar esse dado isoladamente como sinal de que os custos vão continuar em queda. Vale acompanhar os próximos meses para entender se a energia elétrica volta a subir quando o efeito do bônus se esgotar, e continuar monitorando itens como planos de saúde, educação e insumos ligados ao seu setor, que seguem em trajetória de alta mesmo com o índice geral mais favorável.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.