Fonte: Contadores CNT · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Faltam ainda as alíquotas, mas o relógio já está correndo. O Imposto Seletivo, novo tributo criado pela Reforma Tributária, começa a ser cobrado em 2027, e até agora as empresas não sabem quanto vão pagar. Essa indefinição preocupa principalmente quem vende produtos minerais e outros bens e serviços que serão enquadrados na nova tributação, pensada para desestimular o consumo de itens considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
O Imposto Seletivo foi instituído pela Lei Complementar nº 214/2025, mas a própria lei determina que boa parte das alíquotas seja fixada depois, por lei ordinária. É exatamente essa etapa que ainda está pendente, e quanto mais ela demora, menos tempo as empresas têm para se ajustar antes da cobrança valer.
Por que isso afeta o seu negócio
Não se trata apenas de uma pendência burocrática. Sem saber o percentual do imposto, fica difícil calcular quanto capital de giro será necessário, como os fornecedores serão impactados e, principalmente, o que fazer com os preços praticados ao consumidor. Para empresas que atuam com produtos diretamente visados pelo Imposto Seletivo, a demora na definição das alíquotas pode significar menos tempo para reorganizar operações comerciais antes de 2027.
Soma-se a isso o fato de que o Imposto Seletivo não vai chegar sozinho. No mesmo ano, PIS e Cofins deixam de existir, o IPI é zerado para a maioria dos produtos (com exceções ligadas à Zona Franca de Manaus) e a CBS passa a ser cobrada de forma efetiva. Ou seja: avaliar o impacto do novo imposto isoladamente pode levar a conclusões erradas. É o efeito somado de todas essas mudanças que vai definir se a carga tributária do seu produto sobe, desce ou fica estável.
O que pode acontecer com caixa, preços e contratos
O maior risco prático é a empresa ser pega de surpresa na hora de pagar a conta. Uma alíquota maior do que a esperada pode exigir mais capital de giro e bagunçar o planejamento financeiro que já estava em andamento. Além disso, nem sempre será possível repassar o aumento de custo integralmente ao preço final, dependendo da concorrência e do tipo de mercado em que a empresa atua. Nesses casos, parte do impacto tende a recair sobre a margem do negócio.
Contratos de fornecimento de médio e longo prazo também pedem atenção redobrada. Se o preço já está fechado por um bom tempo e a carga tributária mudar de forma relevante, pode ser necessário prever cláusulas que permitam ajustes, evitando prejuízo para uma das partes da negociação.
Identifique quais operações da sua empresa podem estar sujeitas ao Imposto Seletivo e qual a participação delas no faturamento.
Tenha esses números organizados para comparar com diferentes cenários de carga tributária assim que as alíquotas forem definidas.
Avalie se é preciso incluir mecanismos de ajuste para contratos de fornecimento que podem ser afetados pela mudança tributária.
Trabalhe com projeções de diferentes alíquotas e monitore as novidades, integrando essa análise às demais mudanças previstas para 2027.
Quem precisa ficar de olho
O tema é especialmente relevante para empresas que participam das cadeias de produção e comercialização dos itens sujeitos ao Imposto Seletivo. E o acompanhamento não deve ficar restrito ao setor tributário: áreas comerciais, financeiras e de operações também precisam entender o que está em jogo, já que o impacto final aparece em preços, contratos e margens, não apenas em planilhas fiscais.
Na prática, conhecer a alíquota será apenas o início do trabalho. Depois disso, cada empresa vai precisar entender como o Imposto Seletivo se encaixa na sua estrutura específica de custos e operações, o que exige adaptação, não apenas atualização de cadastro.
Enquanto a regulamentação não sai, o caminho mais seguro é não esperar de braços cruzados. Mapear operações, simular cenários e revisar contratos agora reduz o tempo de reação quando as alíquotas finalmente forem divulgadas. A ideia é simples: transformar uma mudança tributária que já era esperada há anos em um processo organizado, e não em uma correria de última hora perto de 2027.
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