Importação de milho pela UE sobe 40%: o que isso significa para o Brasil
20/10/2026 15:343 min de leituraAtualizado há 20 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O que mudou no mercado europeu
Segundo dados divulgados pela Comissão Europeia, as importações de milho pela UE desde o início de julho somaram 6,64 milhões de toneladas até 18 de outubro. Desse total, 2,9 milhões de toneladas vieram dos Estados Unidos, um salto expressivo em relação às cerca de 900 mil toneladas importadas do país americano no mesmo período do ano anterior. Ou seja, os embarques dos EUA para a Europa mais que triplicaram.
A Ucrânia também aproveitou esse momento de maior demanda europeia. As exportações ucranianas de milho para a UE passaram de 770 mil toneladas para 1,62 milhão de toneladas, mais que dobrando em relação ao ano passado. Isso mostra que, diante da escassez provocada pela seca, a Europa diversificou ainda mais seus fornecedores, abrindo espaço para concorrentes que historicamente tinham participação menor nesse mercado.
Como o Brasil ficou nessa disputa
Apesar do aumento geral nas compras europeias, o Brasil não conseguiu acompanhar o ritmo da concorrência. O país segue sendo o segundo maior fornecedor de milho para a União Europeia, mas suas vendas caíram de 2,74 milhões de toneladas para 1,82 milhão de toneladas no mesmo período de comparação. Na prática, isso significa que, mesmo com a Europa precisando de mais milho, o Brasil perdeu espaço para Estados Unidos e Ucrânia nesse mercado específico.
Para empresas brasileiras do agronegócio, esse cenário é um sinal de alerta: mesmo em um contexto de forte demanda internacional, perder competitividade frente a concorrentes como Estados Unidos e Ucrânia pode significar menos contratos e menos receita de exportação. Fatores como preço, logística, prazos de entrega e condições comerciais oferecidas por outros países provavelmente pesaram nessa disputa pelo mercado europeu.
Vale lembrar que o quadro na Europa segue sendo de escassez estrutural, já que a produção local de milho foi fortemente afetada pela seca. Isso mantém a demanda por importações aquecida nos próximos meses, o que pode ser tanto uma oportunidade quanto um desafio para exportadores brasileiros, dependendo da capacidade de recuperar competitividade.
Já no mercado de trigo "soft", a situação foi diferente: as exportações da União Europeia permaneceram estáveis, somando 8,47 milhões de toneladas no mesmo período, sem o mesmo tipo de oscilação observada no milho.
Para empresários e gestores ligados ao agronegócio, o recado prático é claro: acompanhar de perto a dinâmica de preços e logística nas exportações para a Europa pode ajudar a identificar se há espaço para recuperar participação nesse mercado, especialmente considerando que a demanda europeia por milho deve continuar elevada enquanto durarem os efeitos da seca na produção local.
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