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IA sem regulação ameaça autonomia das empresas e da sociedade, alerta Nobel

15/09/2026 15:514 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A inteligência artificial avança em ritmo acelerado dentro das empresas, seja em atendimento ao cliente, seja em análise de dados ou automação de tarefas. Mas um alerta recente ganhou repercussão internacional: Maria Ressa, jornalista vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2021 e copresidente de um painel científico da ONU sobre IA, afirmou que, sem leis para limitar o avanço dessa tecnologia agora, a humanidade corre o risco de perder autonomia sobre suas próprias decisões. Para quem gerencia um negócio, o recado importa: entender os riscos da IA deixou de ser tema só de especialista em tecnologia e passou a ser questão de gestão, reputação e segurança.

O que Ressa está dizendo

Segundo Ressa, a IA já passou por três fases de impacto sobre a sociedade. A primeira foi o uso das redes sociais para capturar a atenção das pessoas, o que, segundo ela, contribuiu para polarizar sociedades e isolar indivíduos. A segunda fase envolveu chatbots que exploram a necessidade humana de intimidade e conexão. A terceira, mais recente, é a chamada IA agentiva: sistemas capazes de agir por conta própria, tomando decisões e executando tarefas sem supervisão constante de uma pessoa. Para ela, essa evolução exige regras claras, porque sem elas o controle sobre a tecnologia escapa das mãos da sociedade.

Ressa rejeita a ideia de que regulamentar a IA seria um freio à inovação ou uma ameaça à liberdade de expressão. Para ela, trata-se de uma questão de segurança pública. Ela também descartou o argumento usado por críticos da regulação, entre eles o presidente dos Estados Unidos, de que regras rígidas fariam países perderem a corrida tecnológica para a China. Segundo a jornalista, a China já impõe mais restrições a seus próprios cidadãos, como limites de idade em aplicativos, do que as grandes empresas de tecnologia americanas aplicam ao restante do mundo.

Por que isso importa para o seu negócio

Empresas de todos os tamanhos já usam ferramentas de IA em algum nível, e a tendência é de uso cada vez mais amplo. O ponto levantado por Ressa é que, sem responsabilização das empresas de tecnologia pelos danos que suas ferramentas causam, o problema tende a crescer. Ela citou como exemplo o caso da Meta, que foi condenada nos Estados Unidos a pagar até US$18 bilhões ao longo da próxima década e passou a limitar o uso do Facebook e do Instagram por adolescentes. Para gestores, isso sinaliza uma tendência: empresas que fornecem ou usam tecnologia de forma irresponsável podem enfrentar consequências legais e financeiras cada vez maiores, o que reforça a importância de adotar IA com critério, transparência e cuidado com dados e usuários.

Os riscos apontados por Ressa
3 fasesde impacto da IARedes sociais, chatbots e IA agentiva, segundo a jornalista.
US$18 bicondenação da MetaValor a ser pago em processo nos EUA por danos ligados ao uso das plataformas.
70 anosde existência da IATecnologia não é nova, mas seu alcance sobre o público cresceu em ondas.

Outro ponto de atenção é o efeito da IA sobre o comportamento de consumidores e colaboradores. Ressa afirma que os recursos que geram dependência em plataformas digitais não afetam só adolescentes, mas adultos em geral, incluindo manipulação política em diversos países. Para empresas que dependem de redes sociais para vender, se comunicar com clientes ou construir marca, isso é um alerta sobre como essas ferramentas moldam comportamento, e sobre a necessidade de usar esses canais com responsabilidade, sem depender exclusivamente de mecanismos que exploram vícios de atenção.

Alternativas e caminhos possíveis

Ressa também apresentou uma saída prática: a criação de plataformas de comunicação fora do controle das grandes empresas de tecnologia, geridas por grupos de interesse público, comparando essa iniciativa à criação de parques públicos. Um exemplo citado foi o Rappler Communities, aplicativo lançado em 2023 pelo veículo de notícias que ela comanda, baseado em um protocolo de código aberto e descentralizado, que permite conexão direta entre redação e leitores sem intermediação de grandes plataformas. A iniciativa já se expande para outros veículos e países do Sudeste Asiático, mostrando que existem modelos alternativos de comunicação digital menos dependentes de big techs.

Para empresários e gestores, o debate levantado por Ressa serve como lembrança de que a adoção de IA no negócio não deve ser feita sem critério. Vale acompanhar a evolução da regulação no Brasil e no mundo, avaliar com cuidado os fornecedores de tecnologia usados na empresa e considerar o impacto dessas ferramentas sobre clientes e equipe. Regulação mais rígida tende a chegar, e empresas que já operam com transparência e responsabilidade no uso de dados e IA estarão mais preparadas para se adaptar, evitando riscos jurídicos e reputacionais no futuro.

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