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IA no trabalho aumenta carga em vez de aliviar, mostra pesquisa

09/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 13 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você esperava que a inteligência artificial reduzisse a carga de trabalho da sua equipe, os dados apontam o contrário. Um levantamento da consultoria Korn Ferry, feito com mais de 16 mil profissionais em 11 países, mostra que 52% das pessoas sentem que as ferramentas de IA aumentaram o volume de tarefas, não diminuíram. No Brasil, quase metade dos profissionais (47%) diz estar ocupada demais para entregar resultados que realmente importam. Para quem gere uma empresa, isso é um alerta: adotar IA sem repensar processos pode estar custando caro em produtividade real, mesmo que a sensação seja de modernização.

O que está acontecendo

A explicação, segundo o presidente de consultoria da Korn Ferry para a América do Sul, Vinicius De Luca, é simples: as empresas estão automatizando tarefas soltas sem redesenhar o trabalho como um todo. O resultado é que cada tarefa fica mais rápida, mas o dia continua cheio, porque ninguém eliminou reuniões desnecessárias, retrabalho ou controles que só existem por hábito. No Brasil, 63% dos profissionais até notam ganhos de eficiência com IA, mas isso não se traduziu em menos trabalho, apenas em mais tarefas encaixadas na mesma jornada.

Esse descompasso também aparece na forma como líderes e equipes enxergam a tecnologia. Enquanto executivos valorizam a agilidade da IA para sintetizar dados, quem usa a ferramenta no dia a dia é mais cético. No Brasil, apenas 52% dos profissionais dizem receber treinamento adequado para usar essas ferramentas, contra 70% na média global. Ou seja: se o funcionário precisa aprender uma tecnologia nova sem abrir mão de nenhuma tarefa antiga, o próprio treinamento se transforma em mais uma fonte de sobrecarga.

Quem sente mais o impacto

O problema se agrava com o achatamento das estruturas de gestão. Mais de 40% das empresas reduziram o número de gestores, e apenas 17% desses gestores dizem receber o suporte necessário para ter sucesso na função. Quase metade (49%) se sente exausta com o ritmo das mudanças. Para De Luca, isso é um problema de desenho organizacional, não de falta de resiliência das pessoas: cortar camadas de gestão pode parecer economia, mas cobra o preço em alinhamento, velocidade de decisão e confiança dentro da empresa.

Outro ponto de atenção para quem contrata é o efeito da IA sobre vagas de entrada. A tecnologia já absorve parte das funções mais simples, o que consolida cargos e concentra tarefas em equipes menores ou em profissionais com responsabilidades mais amplas. Relatórios do Fórum Econômico Mundial e da FGV/Ibre já apontam desaceleração nas contratações de jovens profissionais. O risco, segundo o executivo, é comprometer a formação de talentos que a empresa vai precisar como líderes dentro de dez anos.

O que os números mostram
52%sentem mais tarefas com IAno lugar de redução, a IA aumentou o volume de trabalho.
47%profissionais brasileiros sobrecarregadosdizem estar ocupados demais para entregar resultados relevantes.
52%recebem treinamento adequado no Brasilcontra 70% na média global das empresas pesquisadas.

Como se preparar

A recomendação de De Luca não é abandonar a IA, mas mudar a forma de implementá-la. O primeiro passo é entender como o trabalho realmente acontece na sua empresa: mapear para onde vão as horas das equipes e das lideranças antes de decidir o que automatizar. Só depois desse diagnóstico é possível definir o que a tecnologia deve assumir e o que continua exigindo julgamento humano. Automatizar um processo mal desenhado, alerta o executivo, só torna o desperdício mais rápido.

Também vale reavaliar como sua empresa mede produtividade. Para De Luca, a métrica correta não é velocidade, e sim impacto no negócio, qualidade, inovação e experiência do cliente. O tempo que a IA libera só gera resultado se for reinvestido em prioridades estratégicas, e não engolido por mais reuniões e relatórios. Isso exige que o executivo defina, com clareza, que problemas a empresa quer resolver com a tecnologia e onde o julgamento humano continua sendo decisivo.

Por fim, o estudo traz um recado sobre retenção de talentos: salário, benefícios e estabilidade voltaram a liderar as prioridades dos profissionais, superando a flexibilidade de horário, que era destaque em 2024. Isso não significa que a flexibilidade perdeu importância, mas que ela precisa ter critérios claros. Presença no escritório exigida sem justificativa é vista como controle; flexibilidade bem estruturada se torna ferramenta de atração e confiança. Em um cenário de mais incerteza econômica, o profissional brasileiro está mais pragmático, e cabe à empresa entender que reter talento hoje passa por equilíbrio entre tecnologia, remuneração e clareza de propósito.

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