Híbrido flex e incentivos do Mover: o que empresas do setor automotivo ganham
12/08/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 23 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A BYD acaba de dar um passo que diz muito sobre para onde vai a indústria automotiva brasileira: lançou o Novo Song Pro Híbrido Flex Fuel, um SUV que combina motor elétrico com um propulsor a combustão capaz de rodar tanto com gasolina quanto com etanol. Para quem acompanha o mercado de perto, a notícia não é só sobre um carro novo. É sobre uma estratégia de adaptação ao Brasil que mistura tecnologia, política industrial e incentivo fiscal, e que pode impactar negócios em várias pontas, da revenda de veículos à cadeia de fornecedores.
O motor flex do novo modelo usa o sistema DM-i 5.0, com eficiência térmica de 46,06%, bem acima da média dos motores convencionais, que fica entre 25% e 30%. Na prática, isso significa mais autonomia rodando com etanol ou gasolina e menos dependência exclusiva da recarga elétrica, um fator relevante em um país onde a infraestrutura de eletropostos ainda é limitada fora dos grandes centros.
Um mercado de híbridos que não para de crescer
Os números da Fenabrave mostram a velocidade dessa transição. De janeiro a julho, foram emplacados no Brasil pouco mais de 187 mil carros híbridos, contra 100.518 no mesmo período do ano anterior, uma alta de 86%. A BYD já detém 26% desse mercado, e o lançamento do Song Pro Flex Fuel mostra a intenção da empresa de ampliar essa liderança justamente adaptando a tecnologia à realidade brasileira dos combustíveis flex, algo que outras marcas, como Toyota, BMW e GWM, também já vêm explorando.
Para empresários que atuam com frotas, locação de veículos, revenda ou até logística, esse movimento sinaliza uma mudança de padrão: os híbridos flex deixam de ser nicho e passam a compor uma parcela cada vez mais relevante das opções disponíveis, o que pode influenciar decisões de renovação de frota, custos de combustível e planejamento de manutenção nos próximos anos.
Incentivos fiscais que podem interessar seu negócio
Esse avanço tecnológico está diretamente conectado ao programa Mover, política federal lançada em 2024 para estimular a descarbonização e a competitividade da indústria automotiva. O programa prevê créditos financeiros crescentes para empresas que investem em tecnologias menos poluentes, totalizando mais de R$ 19 bilhões até 2028.
| Ano | Crédito financeiro previsto |
|---|---|
| 2024 | R$ 3,5 bilhões |
| 2025 | R$ 3,8 bilhões |
| 2026 | R$ 3,9 bilhões |
| 2027 | R$ 4 bilhões |
| 2028 | R$ 4,1 bilhões |
Se sua empresa atua na cadeia automotiva, seja como fornecedor de peças, prestador de serviços de engenharia ou parceiro de montadoras, vale acompanhar de perto as regras do Mover. Programas como esse costumam abrir espaço para créditos fiscais, benefícios tributários e novas parcerias comerciais, especialmente para negócios que conseguem comprovar investimento em tecnologias de menor emissão.
Investimento pesado e geração de empregos na Bahia
A aposta no motor flex também está ligada ao plano industrial da BYD em Camaçari, na Bahia, onde a montadora já produz o Song Pro, além de outros modelos elétricos e híbridos. A fábrica recebeu R$ 5,5 bilhões em investimentos e, quando estiver em plena capacidade, deve contribuir para a criação de 20 mil empregos diretos e indiretos. A unidade está migrando de um regime de montagem semidesmontada para um processo mais completo, com soldagem, pintura e estamparia, o que deve aumentar a participação de fornecedores locais na cadeia produtiva.
Esse tipo de movimento costuma gerar efeitos em cascata na economia regional e nacional: mais demanda por peças, serviços de logística, mão de obra qualificada e, consequentemente, mais oportunidades para pequenas e médias empresas que conseguem se conectar a essa cadeia. Se você tem um negócio que pode fornecer produtos ou serviços para o setor automotivo, é um bom momento para mapear essas oportunidades e verificar se há editais, parcerias ou linhas de crédito ligadas a esse ecossistema.
No fim das contas, o avanço do Song Pro Híbrido Flex Fuel é um retrato de como grandes players estão adaptando suas estratégias ao ambiente regulatório e de infraestrutura brasileiro. Para o empresário, o recado prático é ficar atento a incentivos fiscais como os do Mover, acompanhar a evolução dos custos e da autonomia
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