Hanky Panky: o coquetel centenário criado por uma mulher pioneira
14/08/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 21 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Embora este espaço costume tratar de gestão e obrigações do dia a dia empresarial, vale abrir uma exceção para contar uma história que interessa a quem gosta de boa coquetelaria e de curiosidades de negócios: a origem do Hanky Panky, drink que carrega um título único no mundo dos bares. Ele é considerado o primeiro clássico da coquetelaria mundial criado por uma mulher a entrar para o repertório tradicional da mixologia.
Quem criou o drink
A responsável pela receita é a inglesa Ada Coleman, conhecida como "Coley", que viveu entre 1874 e 1966. Ela foi a primeira mulher a ocupar o cargo de head bartender do American Bar, dentro do tradicional The Savoy Hotel, em Londres, um dos endereços mais famosos do mundo para quem aprecia coquetéis. Coleman comandou o bar entre 1903 e 1926, período em que atendeu clientes ilustres como o escritor Mark Twain e o então Príncipe de Gales, em uma época na qual mulheres praticamente não ocupavam posições de liderança nesse tipo de negócio.
O drink nasceu em 1925, a partir de um pedido peculiar do ator e comediante britânico Charles Hawtrey, cliente frequente do hotel. Ele pediu a Ada algo que "acendesse seu fogo interior". Depois de horas testando proporções para equilibrar doçura e amargor, ela serviu a combinação de gin, fernet e vermute tinto. Ao experimentar, Hawtrey teria exclamado uma expressão da época para descrever algo mágico, e o nome do coquetel surgiu dali.
Como é o sabor
O Hanky Panky é um drink de personalidade: encorpado, amargo, com um toque muito sutil de doçura. Ele agrada tanto quem gosta da secura de um Dry Martini, mas busca algo com mais peso, quanto os apreciadores de Negroni que procuram uma versão mais equilibrada. Também funciona bem como digestivo, servido ao final das refeições, graças ao seu perfil herbal.
Como preparar em casa
Para ensinar o preparo do drink centenário, o bartender Fábio Dias, do bar paulistano Fel, reconhecido por resgatar clássicos esquecidos da coquetelaria, compartilhou o passo a passo. A receita leva gin, vermute tinto e fernet, com finalização de zest de laranja bahia. Em um mixing glass com bastante gelo, misture os ingredientes líquidos e mexa por cerca de 30 segundos para gelar e diluir bem a bebida. Depois, coe para uma taça de coquetel previamente resfriada e finalize extraindo os óleos essenciais da casca de laranja sobre a taça.
Fábio também sugere uma variação para deixar o drink com um perfil mais vínico: dividir a quantidade de vermute com um vinho Jerez Oloroso, na proporção de 22,5 ml de cada. Segundo ele, essa mudança deixa o coquetel mais delicioso e complexo.
Entre os cuidados para reproduzir em casa a qualidade de um bom balcão, o bartender destaca a escolha dos rótulos: gins mais florais e cítricos, como o japonês Roku, ou opções mais delicadas, como o Martin Miller's. No vermute, a recomendação é buscar rótulos do estilo Di Torino, como Carpano Rosso, Antica Fórmula ou Cocchi. Outros detalhes fazem diferença: resfriar bem os utensílios antes do preparo, usar gelo maciço e denso (evitando o gelo comum de supermercado, que derrete rápido e aguado a bebida) e ter delicadeza na hora de torcer a casca de laranja, já que um aperto excessivo libera amargor indesejado e prejudica os aromas da bebida.
Mais do que uma receita que atravessou um século, o Hanky Panky é lembrado por seu significado histórico: representa a virada de chave em que uma mulher, à frente de um dos bares mais respeitados do mundo, deixou sua marca permanente na cultura da coquetelaria, um universo até então dominado por homens.
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