Guerra na Ucrânia pode reduzir oferta global de trigo em 2026
19/08/2026 14:303 min de leituraAtualizado há 15 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Um conflito que já dura anos pode ganhar um novo capítulo com efeito direto no seu bolso, mesmo que sua empresa esteja a milhares de quilômetros da guerra. Uma consultoria especializada em grãos avalia que a Ucrânia pode exportar bem menos trigo na safra 2026/27 (o período que vai de julho a junho) caso os ataques russos continuem bloqueando os portos do país no Mar Negro. Se isso se confirmar, o mercado mundial de trigo, e por consequência o preço de produtos que usam esse grão como matéria-prima, pode sentir o impacto.
O que está acontecendo
Os principais portos ucranianos ficam na região de Odessa, e é por lá que o país escoa a maior parte do trigo que vende para o exterior. Desde o final de julho, esses portos praticamente pararam de funcionar por causa de ataques russos com drones e mísseis contra terminais e navios. Sem esse escoamento, a Ucrânia perde a capacidade de colocar seu trigo no mercado internacional no ritmo normal.
Para você entender o tamanho do problema: em condições normais, a Ucrânia consegue exportar até 6 milhões de toneladas de grãos por mês só pelos três portos de Odessa. É um volume expressivo, que ajuda a abastecer diversos países e mantém a oferta global de trigo em equilíbrio.
Por que isso importa para o seu negócio
A Ucrânia é um dos grandes fornecedores mundiais de trigo, e a Rússia também está entre os maiores exportadores do grão. A consultoria que fez essa projeção, a ASAP Agri, alerta que as exportações russas de trigo também podem cair nesta safra, já que a Ucrânia intensificou recentemente seus próprios ataques contra instalações portuárias russas. Ou seja, os dois lados que mais abastecem o mundo com trigo estão com a operação ameaçada ao mesmo tempo.
Quando dois grandes fornecedores globais reduzem a oferta de um produto ao mesmo tempo, o resultado tende a ser pressão de alta nos preços internacionais. Isso afeta desde o custo do trigo importado até o preço final de farinha, pão, massas e outros produtos que dependem desse grão na cadeia produtiva. Se você tem um negócio que usa trigo ou derivados, seja uma padaria, uma indústria de alimentos ou um distribuidor, vale ficar atento a esse cenário.
Vale lembrar que ainda não há confirmação de escassez, apenas o risco de que ela aconteça caso os ataques continuem no ritmo atual. A situação depende diretamente de como o conflito evolui nos próximos meses, o que torna difícil prever com precisão o tamanho do impacto.
Como se preparar
Diante desse cenário de incerteza, o mais prático é acompanhar de perto a evolução dos preços do trigo e de seus derivados nos próximos meses, principalmente se sua empresa trabalha com contratos de fornecimento de médio e longo prazo. Negociar preços fixos ou buscar fornecedores alternativos pode ser uma forma de se proteger de uma eventual alta repentina. Se você atua no setor de alimentos, converse com seu contador sobre como ajustar o planejamento financeiro caso os custos de insumos importados subam nos próximos meses.
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