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Gasolina e diesel: por que os preços dos combustíveis estão mudando

17/09/2026 10:444 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você sentiu uma pequena diferença no preço da gasolina no posto nas últimas semanas, não foi impressão sua. Um levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) mostrou que o preço médio da gasolina caiu 0,30% na primeira quinzena de setembro em comparação com o mesmo período de agosto, chegando a R$ 6,72 por litro. O motivo principal foi a redução de tributos federais sobre o combustível, anunciada pelo governo. Já o diesel S-10 teve movimento contrário e subiu 0,42%, para R$ 7,11 por litro, influenciado por fatores externos que fogem do controle da política interna.

O que muda

A queda na gasolina está diretamente ligada a uma decisão do governo de reduzir as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins que incidem sobre o combustível. Na prática, isso reduz o custo tributário embutido no preço final. Ao mesmo tempo, a Petrobras retirou um desconto que dava às distribuidoras, desconto que fazia parte de um programa de subsídio federal que chegou ao fim. O resultado dessas duas mudanças combinadas foi um efeito líquido de redução de R$ 0,19 por litro no preço com tributos para as distribuidoras. Vale lembrar que, nessa mesma semana, a Petrobras chegou a anunciar um reajuste de preços próprio, mas revisou o anúncio no dia seguinte, o que mostra como o cenário ainda está em ajuste.

Do outro lado, o diesel interrompeu uma trajetória de alívio que vinha sendo observada em agosto. Esse movimento de alta está relacionado a tensões geopolíticas no Oriente Médio e a ataques a refinarias russas, fatores que aumentam a preocupação com a oferta global do combustível. O preço do petróleo Brent, referência internacional, superou US$ 105 por barril no período, pressionado também por ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita e por riscos maiores em rotas marítimas importantes da região.

Combustíveis na primeira quinzena de setembro
R$ 6,72Gasolina (queda de 0,30%)Recuo após redução de tributos federais.
R$ 7,11Diesel S-10 (alta de 0,42%)Pressionado por tensões geopolíticas e petróleo mais caro.
R$ 4,21Etanol hidratado (alta de 1,69%)Preços mais altos nas usinas e atraso na moagem de cana.

Quem é afetado

Esse cenário tem impacto direto para quem depende de transporte rodoviário no dia a dia do negócio, seja para entrega de mercadorias, deslocamento de equipes ou operação de frota própria. O diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade, Vinicios Fernandes, destacou que o diesel é o combustível de maior peso na operação do transporte rodoviário, o que significa que qualquer pressão de preço nesse insumo tende a afetar os custos logísticos de forma mais sensível do que uma variação na gasolina.

A situação do diesel também chama atenção porque o Brasil importa cerca de 30% do combustível consumido no país. Esse abastecimento é feito não só pela Petrobras, mas também por distribuidoras, importadoras e produtores privados nacionais. A estatal tem mantido seus preços de diesel estáveis enquanto participa de um programa de subvenção do governo federal, mas a escalada dos preços internacionais neste mês ampliou a diferença entre o valor praticado pela Petrobras e as referências internacionais para níveis recordes. Isso tem levado importadores a adiar decisões de compra, o que pode gerar restrições localizadas de oferta e distorções regionais no mercado.

Já quem utiliza etanol como alternativa na frota ou no abastecimento de veículos flex também sentiu o reflexo do cenário: o etanol hidratado subiu 1,69% no período, para R$ 4,21 por litro. A alta está relacionada a preços mais altos nas usinas, em um momento de atrasos na moagem de cana provocados por chuvas.

Como se preparar

Para o seu negócio, o recado prático é de atenção redobrada aos custos logísticos nos próximos meses. Segundo Vinicios Fernandes, uma eventual manutenção do petróleo em patamares elevados pode ampliar a pressão sobre a relação entre os preços praticados nas refinarias e as referências internacionais, sobretudo no diesel. Ou seja, mesmo que a gasolina tenha aliviado um pouco o bolso agora, o cenário do diesel ainda é instável e merece monitoramento constante, especialmente se sua empresa depende de transporte próprio ou terceirizado para entregas e deslocamentos.

O próprio setor de logística já reconhece essa necessidade: o acompanhamento de possíveis movimentos de preços e seus reflexos sobre os custos operacionais passa a ser essencial para o planejamento financeiro de curto prazo. Se você gerencia frota, negocia contratos de transporte ou compra insumos que dependem de logística, vale a pena revisar orçamentos e buscar alternativas de precificação que considerem essa volatilidade, evitando surpresas no fechamento do mês.

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