Fundo de DiCaprio e Bezos: como funciona a doação para espécies ameaçadas
06/08/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 29 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Um financiamento de US$ 200 milhões, o equivalente a R$ 1,14 bilhão pela cotação atual, acaba de ser anunciado por Leonardo DiCaprio e Jeff Bezos com um objetivo bem específico: evitar que 100 espécies de animais e plantas espalhadas por 30 países desapareçam de vez. O projeto se chama Phoenix Species Project e é apontado como o maior aporte filantrópico do mundo voltado exclusivamente à recuperação de populações biológicas em risco extremo de extinção.
O dinheiro vem dividido igualmente entre a Re:wild, organização liderada por DiCaprio, e o Bezos Earth Fund, fundo criado por Jeff Bezos para atuar em causas climáticas e de biodiversidade. A iniciativa ainda conta com apoio da Age of Union e da Todd Graves Family Foundation. Na prática, isso significa recursos garantidos por vários anos para cerca de cem projetos conduzidos por pesquisadores, entidades ambientais, comunidades locais e povos indígenas.
O que muda
Até então, boa parte da filantropia ambiental de grande porte se concentrava em descarbonização e mudança da matriz energética. O Phoenix Species Project inverte essa lógica: o foco recai diretamente sobre espécies no limite do desaparecimento, com a aposta de que protegê-las gera um efeito cascata positivo sobre florestas, rios, zonas úmidas e recifes de corais inteiros. Segundo DiCaprio, salvar essas espécies é também uma forma de proteger tudo o que existe ao redor delas, incluindo o próprio clima.
A lista de beneficiados atravessa diferentes grupos biológicos, como mamíferos, anfíbios, répteis, aves, peixes, invertebrados e plantas em cinco continentes. Entre os exemplos citados estão o peixe-guitarra-bocudo, o peixe-cachorrinho do Charco Azul, a salamandra-verde de Hickory Nut Gorge, o periquito-noturno-australiano e a cactácea Epithelantha micromeris. Para cada grupo, estão previstas ações como reprodução assistida, reintrodução na natureza, recuperação de áreas degradadas, controle de espécies invasoras e monitoramento sanitário.
Quem é afetado
Embora o projeto seja tocado por fundações e organizações internacionais, ele reflete um movimento que já chega às empresas brasileiras: a cobrança crescente por compromissos ambientais concretos, e não apenas discursos. Dados da ONU e da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) indicam que um milhão de espécies podem desaparecer nas próximas décadas sem intervenções diretas, um cenário que tem pressionado investidores, bancos e grandes clientes corporativos a exigir mais transparência sobre práticas ambientais de seus fornecedores e parceiros de negócio.
Para empresários e gestores, o recado prático é que a pauta ambiental deixou de ser exclusividade de multinacionais ou de causas distantes. Cada vez mais, contratos, editais públicos, linhas de crédito e até relações com investidores levam em conta critérios ambientais, sociais e de governança, o famoso ESG. Um projeto do porte do Phoenix Species Project reforça essa tendência internacional e serve como termômetro de para onde o capital privado está se movendo.
| Origem do recurso | Participação |
|---|---|
| Re:wild (Leonardo DiCaprio) | Metade do fundo |
| Bezos Earth Fund (Jeff Bezos) | Metade do fundo |
| Age of Union | Apoio adicional |
| Todd Graves Family Foundation | Apoio adicional |
Como se preparar
Não é preciso ter porte global para acompanhar esse movimento. Empresas de todos os tamanhos podem começar organizando informações sobre seu próprio impacto ambiental, desde consumo de recursos até destinação de resíduos, para responder com mais agilidade quando parceiros comerciais, bancos ou clientes pedirem esse tipo de dado. Ter registros contábeis organizados e indicadores claros facilita comprovar boas práticas quando isso vira exigência em uma licitação, um financiamento ou uma parceria comercial.
O caso do Phoenix Species Project mostra como grandes nomes do mercado global estão direcionando capital de forma estruturada e de longo prazo para causas ambientais, deixando de lado ações pontuais. Para o empresário brasileiro, o aprendizado prático é observar essa tendência de perto: o mercado, os investidores e até a legislação tendem a acompanhar esse tipo de sinalização internacional, e estar preparado para isso pode significar acesso a melhores condições de crédito, contratos e reputação junto ao público.
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